27 de agosto de 2016

O mistério da Cura - Jeff Foster


"Abraçar e nos abrirmos à nossa dor - à tristeza, ao medo, ao pesar, às dúvidas - não necessariamente faz com que a dor seja menos intensa, ou que seja mais fácil de suportar no momento.

E não existem promessas aqui, no campo da Verdade, se desenrola momento a momento.

Cada momento pode se tornar mais e mais intenso até que se dissipe. Poderia nunca ir-se também. Mas este não é o ponto.

Nós abraçamos nossa dor com o fim de fazê-la 'desaparecer'. Isso é resistência e não aceitação.

Sem dúvida, não somos mártires, e não somos masoquistas, e não somos narcisistas, nem tampouco estamos obcecados com nosso sofrimento, nem tampouco, estamos morrendo de amores por ele. Só estamos interessados na Verdade deste momento.

Estamos enamorados da vida mesma. E sabemos que cada sensação, cada onda de medo, cada formigamento, cada palpitação, cada vibrante parte do corpo, não é outra coisa que a vida mesma, uma expressão plena de consciência, que está aqui para ser incluída; sabemos que não se trata de nenhum inimigo, ou ameaça à totalidade, somente uma expressão DA totalidade. E sabemos que fugir da nossa dor, reprimi-la, ignorá-la, negá-la, tratar de anestesiá-la, ou fazer com que 'desapareça' só nos converte em escravos dela, vivendo atemorizados e que em última instância, seria como se estivéssemos fugindo de nossos próprios filhos.

Compreendemos que o caminho para abrirmos é o caminho sem caminho, é o caminho da inclusão radical, de dizer SIM a qualquer coisa que surge em nós, SIM tanto ao tédio, quanto à felicidade, SIM tanto a alegria como a tristeza. E sabemos que este é o caminho menos percorrido: o caminho da coragem, o de submergirmos nús no desconhecido dia após dia. Sabemos que este é o único caminho para nós- isso, depois que tivermos tentado todos os outros caminhos!

Cura não significa eliminar imediatamente a dor. Significa abrirmos à dor e em sua imediates, e abrirmos à alegria, e abrirmos ao pesar, ao êxtase, e à nossa incapacidade de nos abrirmos e de conhecermos nós mesmos como esta abertura, essa imensidão onde tudo é incluído, e onde tudo é permitido, e onde tudo é bem-vindo, onde tudo está vivo."

Jeff Foster em Satsang

20 de agosto de 2016

A Felicidade - J.Krishnamurti

 


"A Felicidade não vêm quando estais lutando para alcançá-la. Eis o grande segredo — embora isso seja muito fácil de dizer. Eu posso dizê-lo em poucas e simples palavras; mas, pelo simples fato de me escutardes e de repetirdes o que ouvis, não ides ser felizes. Coisa estranha, a felicidade: ela só vem quando a não buscais. 

Quando nenhum esforço estais fazendo para serdes feliz, então, inesperadamente, misteriosamente, surge a felicidade, nascida da pureza, da beleza do viver pleno. Mas isso exige muita compreensão, e não que ingresseis em alguma organização ou procureis tornar-vos alguém. 

A Verdade não é coisa conquistável. Surge quando vossa mente e vosso coração foram depurados de todo impulso de luta, e já não estais tentando tornar-vos alguém; ela está presente quando a mente está muito quieta, escutando, num plano atemporal, tudo o que se passa. Podeis escutar estas palavras, mas, para haver felicidade, deveis descobrir como libertar a mente de todo temor.

Enquanto tiverdes medo de alguém ou de alguma coisa, não pode haver felicidade. Não haverá felicidade enquanto temerdes vossos pais, vossos mestres, enquanto receardes não passar nos exames, não progredir, não poder aproximar-vos do Mestre, da Verdade, não merecer louvores, lisonjas. Mas se, realmente, nada temerdes, vereis então — ao despertardes uma bela manhã ou ao dardes um passeio a sós — acontecer de repente algo extraordinário: sem ser chamado, nem solicitado, nem procurado, aquilo a que se pode chamar Amor, Verdade, Felicidade, se manifesta subitamente.

Eis por que tanto importa que sejais educados corretamente enquanto estais jovens. O que atualmente chamamos educação não é de modo nenhum educação, porque ninguém vós fala dessas coisas. Vossos mestres preparam-vos para passardes nos exames, mas não vos falam sobre o viver. Os mais de nós conseguimos apenas subsistir, arrastar-nos de alguma maneira pela vida e, por isso, a vida se torna uma coisa terrível. O viver realmente exige abundância de amor, de sensibilidade ao silêncio, grande simplicidade a par de abundante experiência. Requer uma mente capaz de pensar com toda a clareza, não tolhida pelo preconceito ou a superstição, pela esperança ou o medo. Tudo isso é a vida, e se não estais sendo educados para viver, vossa educação é completamente sem significação. Podeis aprender a ser muito asseados, a ter boas maneiras, e podeis passar em todos os vossos exames; mas, dar importância primária a essas coisas, enquanto toda a estrutura da sociedade está a esboroar-se, é o mesmo que estar a limpar e a polir as unhas, com a casa a arder. Vede, ninguém vos fala sobre nada disto, ninguém examina nada, junto convosco. 
Assim como passais dias sucessivos estudando certas matérias — Matemática, História, Geografia — deveríeis, também, passar uma boa parte de vosso tempo falando sobre estes assuntos profundos, pois isso dá riqueza à vida."
J.Krishnamurti em  A cultura e o problema humano

13 de agosto de 2016

O Ego - Osho


"Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.

As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'

Se você olhar para fora, você não perceberá. 

Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. 

A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...

É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe."

Osho em Além das Fronteiras da Mente.

6 de agosto de 2016

Para os sensíveis - Jeff Foster



"Sensíveis,

Não se envergonhem de sua sensibilidade!

Ela tem lhes trazido muitas riquezas.

Vocês vêem o que outros não podem ver,
Sentem o que os outros têm vergonha de sentir.

Vocês estão mais abertos, menos sonâmbulos.
Vocês enxergam além daquilo que os olhos podem ver.

Vocês não fecharam seu coração, apesar de tudo.

Vocês são capazes de segurar os picos mais altos e baixos mais escuros e 

mais intensos em seu abraço amoroso.

Vocês sabem que nada pode lhes definir.Tudo passa.

Vocês são verdadeiras naves cósmicas.


Comemorem sua sensibilidade!
Ela os tem mantido flexíveis e abertos.

Vocês se mantem próximos ao maravilhamento.

E a consciência arde intensamente em vocês.


Não se comparem com os outros.
Não esperem que eles lhe entendam. Mas ensine-os.

Não há problema em sentir, profundamente.
Não há problema em não saber. Está tudo bem brincar na borda da vida.



A vida pode parecer 'difícil' para vocês, às vezes,

E muitas vezes vocês estão perto de se sobrecarregar.

Mas é ainda mais difícil para reprimir seus dons.

Todos vocês, os Sensíveis,
Tragam um pouco de gentileza a este mundo cansado!
Brilhem com sensibilidade corajosa!
Vocês são os portadores da luz!"

3 de agosto de 2016

Sobre a resistência à meditação - Osho



"Pergunta: Sinto muita resistência à meditação, e não tenho esse desejo por Deus de que você fala. Será que este é o meu lugar?

Osho: Se você sente muita resistência à meditação, isso mostra simplesmente que, no fundo, você está alerta quanto a algo que pode acontecer e mudar sua vida. Você tem medo de renascer. Investiu muito nos velhos hábitos, na velha personalidade, na velha identidade.
Meditar nada mais é do que tentar limpar o seu ser, tentar se tornar novo  jovem, tentar ficar mais vivo e  mais alerta. Se você tem medo da meditação, é porque tem medo da vida, tem medo da percepção, e a resistência surge porque você sabe que, se entrar em meditação, alguma coisa vai acontecer. Se não tem a menor resistência, talvez não leve a meditação muito a sério, não a encare com muita sinceridade. Então você pode brincar à vontade. O que há para temer?

É justamente por causa dessa resistência que você pode dizer que está no lugar certo. Este é exatamente o lugar certo para você. A resistência mostra que alguma coisa vaia acontecer. Nunca se resiste a algo sem uma causa.

Você deve estar vivendo uma vida muito morna. Tem medo de que algo se torne vivo, de que algo mude. Você resiste. A resistência é uma indicação, é um sinal bastante claro de que você tem suprimido muita coisa. Na meditação, essa supressão vem à tona, é liberada. Você também gostaria de ser libertado do fardo, mas investiu muito nele.

Por exemplo, talvez você carregue pedregulhos nas mãos pensando que são diamantes; e eu lhe digo: "Limpe-se. Solte esses pedregulhos. Eles se tornam um fardo e você não consegue se mexer por causa deles." E o pior é que não são diamantes. Olhe-os de novo. Se fossem diamantes você estaria feliz. Se fossem diamantes, você não teria me procurado. Não haveria necessidade. Se você veio aqui, é porque está em busca. Você pode dizer que não está interessado em Deus - eu também não estou interessado em Deus, - mas interessado em si mesmo. Está? Esqueça Deus. Se tiver interessado em si mesmo, então está no lugar certo. Se estiver interessado em seu ser, em sua totalidade, então esqueça Deus - pois ao desabrochar, você saberá o que é Deus. Quando sua fragrância for liberada, você saberá o que é Deus.
Deus é o supremo desabrochar, o supremo florescer; seu destino cumprido, é Deus."
Osho em A música mais antiga do Universo

29 de julho de 2016

A felicidade presente - J.Krishnamurti


"A felicidade não vêm quando estais lutando para alcançá-la. 
Eis o grande segredo — embora isso seja muito fácil de dizer. 

Eu posso dizê-lo em poucas e simples palavras; mas, pelo simples fato de me escutardes e de repetirdes o que ouvis, não ides ser felizes. Coisa estranha, a felicidade: ela só vem quando a não buscais. 

Quando nenhum esforço estais fazendo para serdes feliz, então, inesperadamente, misteriosamente, surge a felicidade, nascida da pureza, da beleza do viver pleno. Mas isso exige muita compreensão, e não que ingresseis em alguma organização ou procureis tornar-vos alguém. 

A Verdade não é coisa conquistável. Surge quando vossa mente e vosso coração foram depurados de todo impulso de luta, e já não estais tentando tornar-vos alguém; ela está presente quando a mente está muito quieta, escutando, num plano atemporal, tudo o que se passa. Podeis escutar estas palavras, mas, para haver felicidade, deveis descobrir como libertar a mente de todo temor.

Enquanto tiverdes medo de alguém ou de alguma coisa, não pode haver felicidade. Não haverá felicidade enquanto temerdes vossos pais, vossos mestres, enquanto receardes não passar nos exames, não progredir, não poder aproximar-vos do Mestre, da Verdade, não merecer louvores, lisonjas. 


Mas se, realmente, nada temerdes, vereis então — ao despertardes uma bela manhã ou ao dardes um passeio a sós — acontecer de repente algo extraordinário: sem ser chamado, nem solicitado, nem procurado, aquilo a que se pode chamar Amor, Verdade, Felicidade, se manifesta subitamente.

Eis por que tanto importa que sejais educados corretamente enquanto estais jovens. O que atualmente chamamos educação não é de modo nenhum educação, porque ninguém vós fala dessas coisas. Vossos mestres preparam-vos para passardes nos exames, mas não vos falam sobre o viver. 

Os mais de nós conseguimos apenas subsistir, arrastar-nos de alguma maneira pela vida e, por isso, a vida se torna uma coisa terrível. 

O viver realmente exige abundância de amor, de sensibilidade ao silêncio, grande simplicidade a par de abundante experiência. Requer uma mente capaz de pensar com toda a clareza, não tolhida pelo preconceito ou a superstição, pela esperança ou o medo. 

Tudo isso é a vida, e se não estais sendo educados para viver, vossa educação é completamente sem significação. Podeis aprender a ser muito asseados, a ter boas maneiras, e podeis passar em todos os vossos exames; mas, dar importância primária a essas coisas, enquanto toda a estrutura da sociedade está a esboroar-se, é o mesmo que estar a limpar e a polir as unhas, com a casa a arder. 

Vede, ninguém vos fala sobre nada disto, ninguém examina nada, junto convosco. Assim como passais dias sucessivos estudando certas matérias — Matemática, História, Geografia — deveríeis, também, passar uma boa parte de vosso tempo falando sobre estes assuntos profundos, pois isso dá riqueza à vida."
J.Krishnamurti em A cultura e o problema humano

27 de julho de 2016

É apenas um filme! - Dzongsar K. Rinpoche


"Apenas suponha que nascemos em uma sala de cinema. Nós não sabemos que o que está acontecendo na nossa frente é apenas uma projeção. Nós não sabemos que é apenas um filme, apenas uma película, e que os eventos no filme não são reais – que eles não têm existência verdadeira. Tudo o que vemos nessa tela – amor, ódio, violência, suspense, emoções – são na verdade apenas o efeito da luz projetada através de celuloide. Todavia nunca ninguém nos disse isso, então apenas sentamos e assistimos, fixados no filme. Se alguém tenta atrair nossa atenção, nós dizemos: ‘Cale a boca! ’ Mesmo que nós tenhamos algo importante a fazer, não queremos fazê-lo. Estamos completamente absortos e cegos ao fato de que essa projeção é completamente inútil.

Agora, suponha que há alguém na cadeira próxima a nós que diz: ‘Olha, isso é apenas um filme. Não é real. Isso não está realmente acontecendo. É apenas uma projeção’. Há uma chance de nós entendermos que o que estamos vendo é na verdade um filme, que é irreal e não possui essência.

Isto não significa que automaticamente podemos nos levantar e sair do cinema. Nós não temos que fazer isso. Nós podemos apenas relaxar e simplesmente observar o caso de amor, o suspense ou o que quer que esteja passando. Podemos experimentar a sua intensidade. E se temos uma certa confiança de que é apenas uma projeção, então podemos retroceder, avançar ou jogar o filme novamente, como quisermos. E nós temos a opção de deixar sempre que quisermos, e voltar em outro momento para assistir novamente. Uma vez que estamos certos de que podemos deixar a qualquer momento que quisermos, podemos não sentir compelidos a fazê-lo. Podemos optar por sentar confortavelmente e assistir.

Às vezes, uma sequência do filme pode dominar nossas emoções. Um momento trágico pode acertar o nosso ponto fraco e nós somos levados por isso. Mas agora, algo em nosso coração está nos dizendo que nós sabemos que não é real, que não é um grande problema.

Isto é o que o praticante do dharma precisa entender – que toda o samsara ou nirvana, é tão sem essência ou ilusório como esse filme. Até que nós vejamos isso, vai ser muito difícil para o dharma aprofundar em nossas mentes. Vamos sempre ser levados, seduzidos pela beleza e glória deste mundo, por todo o aparente sucesso e fracasso. No entanto, uma vez que vejamos, mesmo que apenas por um segundo, que estas aparições não são reais, vamos ganhar uma certa confiança. Isso não significa que temos que correr para o Nepal ou Índia e tornar-se um monge ou monja. Nós ainda podemos manter trabalhar, usar terno e gravata e ir com a nossa pasta para o escritório todos os dias. Nós ainda podemos nos apaixonar, oferecer aos nossos entes queridos flores, casar. Mas, em algum lugar dentro de você te diz que tudo isso é vazio de essência.

É muito importante ter essa visão. Se temos um pequeno vislumbre em toda a nossa vida, podemos ser felizes pelo o resto do tempo com apenas a memória desse vislumbre.

Pode acontecer de alguém sussurrar para nós, ‘Ei! É apenas um filme’, e não ouvirmos por estarmos distraídos. Talvez naquele momento, ocorre um grande acidente de carro no filme ou uma música alta, então nós simplesmente não ouvimos a mensagem. Ou então, talvez, nós escutamos a mensagem, mas o nosso ego interpreta erroneamente esta informação. Continuamos confusos e acreditamos que existe algo de verdadeiro e real no filme, afinal. Por que isso acontece? Isso acontece porque não temos mérito. O mérito é extremamente importante. Claro, que a inteligência, ou prajna, é importante. Compaixão ou Karuna, é importante. Mas o mérito é fundamental. Sem mérito, somos como um mendigo ignorante, analfabeto que ganha milhões na loteria, mas não sabe o que fazer com o dinheiro e perde imediatamente.

Mas, suponha que nós temos um pouco de mérito e que a mensagem da pessoa sussurrando chega para nós. Então, como budistas, temos diferentes opções. Do ponto de vista do Budismo Theravada, podemos nos levantar e deixar a sala de cinema, ou fechamos os olhos, para não sermos levados pelo filme. Nós colocamos um fim ao sofrimento dessa forma. No nível Mahayana, nós reduzimos o nosso sofrimento através da compreensão de que o filme não é real, que tudo é uma projeção e vazio. Nós não paramos de assistir o filme, mas vemos que não tem existência inerente. Além disso, estamos preocupados com os outros no cinema. Finalmente, no Vajrayana, sabemos que ele é apenas um filme, não estamos enganados, e apenas apreciamos o show. Quanto mais emoção o filme evoca em nós, mais nós apreciamos o brilho da produção. Nós compartilhamos os nossos conhecimentos com os nossos companheiros de espetáculo, que, nós confiamos, e que também são capazes de apreciar o que nós vemos.

Por outro lado, esta transformação – de sermos pegos pelo filme, perceber o vazio dos eventos, cuidar exclusivamente do bem-estar dos outros – pode levar muito, muito tempo. É por isso que no Vajrayana nos movemos pela a via rápida e acumulamos méritos através da devoção. Nós confiamos na pessoa que está sussurrando para nós e possui um entendimento que o libertou. Não só assimilamos a informação que ele está nos dando, mas também apreciamos a sua liberdade de espírito e a profundidade do seu ser. Sabemos que temos o potencial para a libertação também, e isso nos faz apreciá-lo ainda mais. Um único momento de devoção, apenas uma fração de segundo, apenas um pouco de devoção, traz imenso mérito. Se estamos em sintonia com a pessoa que sussurrou para nós, ele pode nos ajudar a descobrir o verdadeiro interior do amante do filme. Ele pode fazer-nos ver como o resto do público é pego, e como é desnecessário tudo isso.

Sem que tenhamos que confiar em nossa própria luta confusa para entender o caminho, essa pessoa nos leva a uma compreensão do que é que estamos vendo. Nós, então, nos tornamos alguém que pode se sentar e apreciar o show. E talvez nós possamos sussurrar para outros também."

Por Dzongsar Khyentse Rinpoche

23 de julho de 2016

Buda enfatiza VOCÊ - Osho


Buda simplesmente corta todas as suas esperanças e todos os seus desejos. Ele não diz que existe Deus e não diz que não existe. Ele simplesmente diz que isso é irrelevante. Não importa se ele existe ou não: isso é absolutamente além do ponto. O que importa é a sua transformação interior, e a transformação interior não pode ser adiada para amanhã: ela pode acontecer exatamente agora.

Eis o problema com Buda: se você for com ele, tem de abandonar suas esperanças, tem de abandonar seus desejos. Você tem de estar no presente, completamente silencioso. E então a vida tem uma nova cor, uma nova alegria, uma nova música. Então, a vida tem uma nova beleza.

Exatamente agora, em primeiro lugar, você não pode encontrar Deus, porque você não tem olhos de vê-lo e não tem ouvidos de ouvi-lo e não tem o correto coração de senti-lo. Você não é amoroso o bastante.

Seus olhos não têm clareza: estão cheios de poeira – poeira de conhecimento, de memórias, de experiências. Seus ouvidos somente parecem ouvir, mas eles não ouvem.
Mas se por acaso você o encontrar, o que você irá pedir? Uma nova esposa, um novo marido, outro lugar pra viver, uma vida mais longa, juventude...? O que você vai pedir? – dinheiro, poder, prestígio? Qualquer coisa que peça será estúpida.

Um africano viveu reverenciando Deus, orando durante seis anos. Estava sempre pedindo pra que este ou aquele problema fosse resolvido.
Deus ficou de saco-cheio com ele e decidiu retribuir-lhe a visita. Então, um dia, enquanto o homem rezava, Deus chegou a seu lado ao vivo e disse: “Oi, cara, estou aqui! O que você quer saber? Pergunte!”. 
O homem não acreditava nos próprios olhos, mas finalmente perguntou: “Ah, meu Deus, por que minha pele é tão preta?”.
Deus respondeu: “Por que o sol no seu país é muito quente e você precisa sobreviver.”.
“E por que meu cabelo é tão curto e enroscado?”.
“Por que na selva há muitas árvores e seu cabelo poderia ser aprisionado.”
“E por que eu sou tão magro e ligeiro?”
“Para que você possa lutar com os leões e outros animais na selva.”
“Então, Deus, que diabos estou fazendo em Nova Iorque?”


Vai ser exatamente assim com você. O que você vai perguntar a Deus? Todas as suas perguntas virão do seu inconsciente. Na verdade, todas as perguntas serão absurdas.

Esse não é o modo de se encarar a realidade. 

A pessoa tem de estar silenciosa, completamente silenciosa. Por isso Buda diz para não se incomodar com Deus. Interesse-se pela sua preparação, esteja preparado. 

A ênfase é totalmente diferente. 
Todas as religiões enfatizam Deus, o objeto da busca; 
Buda enfatiza VOCÊ, o sujeito. 

Todas as outras religiões enfatizam o buscado; 

Buda enfatiza o buscador. E é certamente mais significativo se transformar e se preparar para o supremo encontro com a realidade – chame-a de Deus, de existência, de verdade, de libertação, ou do que quer que prefira chamá-lo. 

O real, o essencial, é estar preparado para esse encontro.

E se você estiver preparado, se seu coração estiver fluindo com amor e sua cabeça não mais estiver louca, não mais cheia de entulho, e seus olhos tiverem claridade e seus ouvidos estiverem prontos para ouvir, então, toda a realidade transforma-se em Deus; então, tudo é divino.

Osho em The Dhammapada: O Caminho do Buddha

16 de julho de 2016

Nada separado - Rupert Spira


"Estou certo de que, se a humanidade ainda estiver aqui dentro de quinhentos anos, olharão para trás, para a compreensão da psicologia atual e estes anos serão considerados como uma época obscura. 

Dirão: "Caramba! No Século XX E no século XXI, se pensava que havia um eu separado enquanto entidade separada?! Dá para acreditar?". 

É como quando se pensava que a terra era plana, parece tão verdadeiramente óbvio, simplesmente caminhe e tudo é plano; tudo parece manter a crença de que a terra é plana. 

Mas então, quando se descobriu que a terra não era plana, a mesma evidência que mantinha essa crença anterior fazia parte da nova compreensão. 

É o mesmo nesse caso - a humanidade olhará para trás no período em que pensávamos que éramos entidades separadas, sem acreditar. 

E quando contemplarmos a nossa história, as pessoas se matando com bombas, brigando e gritando uns com os outros, dirão: "como é que não puderam ver a causa disso? Era tão óbvio, a razão desse conflito; seja bem a nível de indivíduos ou a uma escala maior, a nível de nações, era simplesmente o 'eu' acreditando ser separado do outro, era essa a visão distorcida".

13 de julho de 2016

Confiança - Osho


"Se o Zen é o caminho da entrega, por que o ensinamento básico do Budismo é "seja uma luz para si mesmo"?

A entrega essencial acontece dentro de você, nada tem a ver com alguém de fora. A entrega essencial é um relaxamento, uma confiança - não se deixe enganar pela palavra. Em termos linguísticos, entregar-se significa render-se a alguém, mas em termos religiosos, significa simplesmente confiar, relaxar. É mais uma atitude que um ato - você vive por meio da confiança.

Deixe-me explicar. Você nada na água - vai até o rio e nada. O que acontece? Você confia na água. Um bom nadador confia tanto que quase se une à água. Não luta contra ela, não a agarra, não fica duro, tenso. Se ficar tenso, você se afogará; se ficar relaxado, o rio cuidará de tudo. É por isso que, quando alguém morre, o corpo flutua na água. Isso é um milagre.

Incrível! A pessoa viva se afogou e morreu no rio, e a pessoa morta simplesmente flutua na superfície. O que acontece? O morto sabe segredos sobre o rio que o vivo não sabia. A pessoa viva estava lutando. O rio era o inimigo. Ela tinha medo, não conseguia confiar. Mas, sem estar lá, como a pessoa morta poderia lutar? Ela está totalmente relaxada, livre de tensões, e de repente o corpo vem à tona. O rio cuida agora. Nenhum rio pode afogar uma pessoa morta.

Confiar significa não lutar; entregar-se significa não pensar na vida como o inimigo, mas como o amigo. Quando você confia no rio, de repente começa a se divertir. Surge um imenso prazer - você nada, apenas bóia ou mergulha fundo . Mas não está separado do rio - vocês se fundem, tornam-se um.

Entregar-se significa viver da mesma maneira que um bom nadador nada no rio. A vida é um rio. Você pode lutar ou flutuar; pode resistir ao rio e tentar nadar contra a correnteza ou flutuar com ele e ir aonde ele o levar.

Não se trata de entregar-se a uma pessoa; é simplesmente um modo de vida. Não é preciso um Deus a quem entregar. (...) Relaxe, entregue, não lute, aceite.

Se você sabe, não é uma questão de acreditar. Você acredita nas árvores? Acredita no sol que nasce todas as manhãs? Acredita nas estrelas? Não é uma questão de crença. Você sabe que o sol está lá, que as árvores estão lá. Ninguém acredita no sol - se acreditassem, você diria que é louco. Se alguém lhe dissesse: " Acredito no sol" e tentasse convertê-lo a acreditar, você diria: "Você está louco!".

A palavra budista "nirvava" significa simplesmente exalar, expirar - confiar. A confiança é um fenômeno muito, muito inocente. A crença é da cabeça, a confiança é do coração. Você simplesmente confia na vida, pois você é da vida, vive na vida e voltará à fonte. Não há medo. Você nasce, vive e morre - não há medo. Nascerá de novo, viverá de novo e morrerá. A mesma vida que lhe deu vida, pode sempre lhe dar ainda mais, então, por que ter medo? Por que se apegar a crenças? As crenças são criadas pelos homens, a confiança é criada por Deus. As crenças são filosóficas; a confiança nada tem a ver com filosofia. A confiança simplesmente mostra que você sabe que é amor. Não é um conceito de Deus, sentado em algum lugar no céu, manipulando e gerenciando. A confiança na vida infinita, em sua totalidade é mais que suficiente. Quando confia, você relaxa. Esse relaxamento é a entrega.

Agora, o zen é o caminho da entrega? Sim, religião em si é entrega relaxamento. Não se apegue a coisa alguma. O apego mostra que você não confia na vida."
Osho em A música mais antiga do Universo
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