18 de fevereiro de 2017

A arte de comer - Thich Nhat Hahn


"Para cultivar a atenção plena, podemos fazer o mesmo de sempre ( caminhar, sentar, trabalhar, comer...) com percepção consciente do que estamos fazendo. Ao comer sabemos que estamos comendo. Ao abrir uma porta, sabemos que estamos abrindo uma porta.

Nossa mente está conectada às nossas ações. Quando comemos uma fruta, tudo o que precisamos é atenção plena para nos darmos conta disto: " Estou com uma maçã na boca." Nossa mente não precisa estar em nenhum outro lugar. Se você está pensando no trabalho enquanto mastiga, não estará comendo com atenção plena.
Ao prestar atenção na maçã, estará sendo consciente.

Então, você pode ir mais fundo e, em pouquíssimo tempo, você verá as sementes da maçã, o lindo pomar, o céu, o fazendeiro, o responsável pela colheita e assim por diante. Quanto trabalho em uma única maçã!

Com apenas um pouquinho de consciência plena, você poderá enxergar verdadeiramente de onde vem o pão que come. Ele não vem do nada. O pão vem dos campos de trigo, do trabalho duro e também do padeiro, do fornecedor e do vendedor. No entanto, o pão é mais do que isso. O campo de trigo precisa de nuvens e luz do sol. Portanto, num pedaço de pão, há luz do sol, nuvens, o trabalho do agricultor, a felicidade de se ter a farinha, a habilidade do padeiro 
e ( milagrosamente! ) o pão. O universo inteiro se alinhou para que esse pedaço de pão parasse em suas mãos. E não é necessário refletir muito para se chegar a essa conclusão. Você deve apenas impedir que sua mente se perca em preocupações pensamentos e planejamentos.

Na vida moderna, tendemos a pensar que somos donos do nosso corpo, que podemos fazer o que  quisermos com ele. No entanto, nosso corpo não é apenas nosso. Ele pertence aos nossos ancestrais, aos nossos pais e às gerações futuras. E também pertence à sociedade e a todos os demais seres vivos. As árvores, as nuvens, o solo e todos os seres vivos contribuíram para a presença do nosso corpo. Devemos comer com cuidado, sabendo que somos cuidadores do nosso corpo, em vez de seus donos.

Quando comemos, normalmente pensamos. No entanto, podemos desfrutar muito mais se tentarmos não pensar enquanto comemos, Podemos estar atentos apenas à comida. Algumas vezes, comemos sem estar atentos a esse fato. Nossa mente não está focada. E quando nossa mente não está focada, nós olhamos, mas não vemos. Ouvimos, mas não escutamos. Comemos, mas não percebemos o sabor da comida. Mergulhamos em um estado de esquecimento, a falta de consciência plena. Para estarmos verdadeiramente presentes, devemos parar de pensar. Eis o segredo do sucesso.(...)

Podemos pisar no freio da mente, e verdadeiramente desfrutar da nossa comida. Fazendo isso, nossa vida ganhará uma boa dose de qualidade. Eu adoro me sentar e comer em silêncio, desfrutando de cada mordida, atento à presença de quem me rodeia, atento ao trabalho duro e amoroso que tornou possível aquela comida.
Quando como dessa maneira, não fico apenas fisicamente nutrido, mas também espiritualmente. A maneira de comer influencia tudo o que faço durante o dia.
Comendo, podemos meditar tão bem quanto sentados ou caminhando. É uma chance de recebermos os vários presentes da Terra, tudo o que não seríamos capazes de desfrutar se nossa mente estivesse em outro lugar, Eis um verso que gosto de recitar enquanto como:


Nas dimensões do espaço e do tempo,
Mastigamos em ritmo, assim como respiramos.
Mantendo as vidas de todos os nossos ancestrais,
Abrimos um caminho ascendente aos nossos descendentes.

Podemos empregar o tempo de comer para nos nutrirmos com o melhor de nossos pais, transmitindo os valores mais preciosos às futuras gerações. (...)

Preste atenção a cada garfada. Ao levar o garfo à boca, esteja atento ao fato de que a comida é um presente de todo o Universo. A Terra e o céu colaboraram para levar essa garfada à sua boca. Enquanto respira, tudo o que você precisa é de um segundo ou dois para se dar conta disso. Comemos de uma maneira que cada pedacinho de comida, que cada momento em que nos alimentamos tenha atenção plena. Com apenas alguns segundos, vemos que a comida em nosso garfo é um presente de todo o Universo.
Enquanto mastigamos, mantemos essa consciência viva. Quando mastigamos, sabemos que o Universo inteiro está presente naquele pedaço de comida.(...)

Não precisamos comer muito para nos sentirmos nutridos. Quando estamos presentes e vivos frente a cada pedaço de comida, cada mordida nos enche de paz e felicidade. Repletos dessa alegria podemos descobrir que nos sentimos naturalmente satisfeitos com menos comida.

Quando preparamos uma refeição com total consciência, tudo fica delicioso e saudável. Quando preparamos a comida com consciência plena, amor e cuidado, todos comerão do nosso amor. As pessoas são capazes de desfrutar a refeição com seus corpos e mentes, da maneira que são capazes de desfrutar de uma linda obra de arte. 
Comer não é nutritivo somente para o corpo, mas também para a mente e o espírito.

A cozinha pode ser um espaço de meditação quando praticamos a consciência ao cozinhar e ordenar esse espaço. Podemos decidir executar nossas tarefas de maneira relaxada e serena, seguindo nossa respiração e mantendo a concentração no que estamos fazendo. Trabalhando com outras pessoas, podemos trocar algumas palavrinhas, mas apenas sobre o trabalho que está sendo feito. 
Reserve um bom tempo para cozinhar. Não tenha pressa. Sabendo que nossos corpos e os corpos das pessoas que amamos, dependem da comida que estamos preparando. cozinhamos alimentos saudáveis com infusões de nosso amor e de nossa consciência plena.

Thich Nhat Hahn  em A arte de comer

11 de fevereiro de 2017

Mooji - Ensinamentos


"Se você fizer da companhia humana algo muito importante, você não vai descobrir o seu verdadeiro eu. Relacionamentos sem base na verdade nunca são totalmente confiáveis e raramente são duradouros. Ter tempo para descobrir a si mesmo é o melhor uso do tempo. Priorize isto. Não se deve buscar, excessivamente, parceiros ou amigos. Você deve procurar se conhecer e ser você mesmo. Quando você começa a despertar para a Verdade, você começa a perceber quão bem a vida flui, por si só, e como você está bem cuidado. A própria Vida suporta as necessidades físicas, emocionais, mentais e espirituais de quem está aberto à auto descoberta. Confie. Abra seus olhos para este reconhecimento. A entrega total permite que você se funda ao seu ser eterno.


***
A mente é confusa.
Ela está sempre tentando obter, entender, para ter a sensação de "Eu sei isto, eu entendo isto,
Eu sei para onde estou indo".
A mente está em uma projeção progressiva linear;.
Exposta a não-dualidade não tem lugar para onde ela "ir".
Nada para ela "compreender".
Condicionada, a mente fica confusa.
Inúmeros conceitos são apanhados pela mente, apegando-se a essas mentiras
Você sufoca a sua espontaneidade.
A mente não entende a simplicidade.
A sua natureza é tornar complexo o que já é Natural.

***
Nada pertence a você ou a mim, nada pertence ... 

Tudo, tudo, tudo ... simplesmente É ...

***
Quando você chegar em casa para o seu verdadeiro coração.
Você vai se tornar um ser humano que deixa de incomodar o mundo.
Com seus pensamentos, julgamentos e projeções.
Você já parou.
Você veio para fora da roda de Samsara.
Você deixa de saber de tudo.
Algo está desligado.
Mas misticamente dentro ainda és belíssimo.

***

Esta quietude sem esforço que é o seu Ser oceano, esta grande paz e infinito silêncio, está apenas Aqui.
É o seu perfume.
Este amor, este espaço, este contentamento, simplesmente emana de você.
Mas o seu verdadeiro Eu, essa flor inefável, ninguém pode encontrar.
Não tem corpo, nem forma.
Nem tamanho, peso ou cor.
É eterno, intemporal.
E ainda assim, sem Ele, nada disto poderia existir.
***
Se você realmente começou a sentir em seu coração, 
começou a ver e confirmar.
Então a vontade começará automaticamente a cair no amor do seu próprio Ser.
E não há nenhum esforço no amor.
Seu lugar é apenas em manter o sentimento.
Sim, livra-me do ego e fundi-me com você."

Sri Mooji em Satsangs

3 de fevereiro de 2017

Círculos - Osho 3/3


"Dos vinte e um aos vinte e oito é um tempo em que eles podem se acertar. Eles podem escolher um companheiro. E eles são capazes de escolher agora, através de toda a experiência dos dois círculos passados eles podem escolher o companheiro certo. Não há mais ninguém que possa fazer isso por você. Isso é algo como um pressentimento. Nenhuma aritmética, nenhuma astrologia, nenhuma quiromancia, nenhum I-Ching poderão fazer isso.

Isso é um pressentimento: entrando em contato com muitas, muitas pessoas, de repente alguma coisa dá um clique que nunca deu com qualquer outra pessoa. E isso clica com tanta certeza e tão absolutamente, que você não pode nem mesmo duvidar. Mesmo se você tentar duvidar, você não conseguirá. A certeza é tão tremenda. Com esse clique vocês se acertam.

Entre os vinte e um e os vinte e oito, em algum lugar, se tudo correr bem do jeito que eu estou dizendo, sem interferência de outros, então vocês se acertam.

E o período mais agradável da vida vem dos vinte e oito aos trinta e cinco: o mais alegre, o mais pacífico e harmonioso, porque duas pessoas começam a se derreter e a se fundir uma com a outra.

Dos trinta e cinco aos quarenta e dois, um novo passo, uma nova porta se abre. Se até os trinta e cinco você sentiu profunda harmonia, uma sensação orgástica e tiver descoberto a meditação através disso, então, dos trinta e cinco aos quarenta e dois vocês ajudarão um ao outro a ir mais e mais fundo na meditação sem sexo, porque o sexo neste ponto começa a parecer infantil, juvenil. Quarenta e dois anos é o tempo certo quando a pessoa deveria ser capaz de saber exatamente quem ela é.

Dos quarenta e dois aos quarenta e nove ela vai mais fundo e mais fundo na meditação, mais e mais para dentro de si mesmo, e ajuda o companheiro no mesmo caminho. Eles se tornam amigos. Não mais existe marido e não mais existe esposa. Esse tempo já passou. Isso já deu a sua riqueza para a sua vida. Agora existe alguma coisa mais alta, mais alta que o amor. Isso é amizade, um relacionamento de compaixão para ajudar o outro a ir mais fundo dentro de si mesmo, a se tornar mais independente, a se tornar mais só, como duas árvores altas, separadas mas ainda próximas uma da outra, ou dois pilares num templo suportando o mesmo teto, estando tão próximos e tão separados, tão independentes e tão sós.

Dos quarenta e nove aos cinqüenta e seis essa solitude se torna o foco de seu ser. Tudo no mundo perde o significado. A única coisa significante que permanece é essa solitude.

Dos cinqüenta e seis aos sessenta e três você se torna totalmente o que você está para ser: o florescimento potencial.

Dos sessenta e três aos setenta você começa a ficar pronto para deixar o corpo. Agora você sabe que não é o corpo, você sabe que também não é a mente. O corpo era conhecido como separado de você em algum lugar quando você tinha trinta e cinco anos. Que a mente está separada de você foi conhecido em algum lugar quando você tinha quarenta e nove anos. Agora, tudo mais foi deixado de lado exceto a auto observação. Só a pura consciência, a chama da consciência permanece com você, e isso é a preparação para a morte.

Setenta é a duração de vida natural para o homem. E se as coisas se moverem em seu curso natural, então ele morre com tremenda alegria, em grande êxtase, sentindo-se imensamente abençoado porque a sua vida não foi sem significado e que, pelo menos, ele encontrou o seu lar. E por causa dessa riqueza, dessa realização, ele é capaz de abençoar toda a existência.

Só por estar perto de tal pessoa, quando ela está morrendo, é uma grande oportunidade. Você sentirá, na medida em que ele deixa o corpo, algumas flores invisíveis caindo sobre você. Embora você não possa vê-las, você poderá senti-las.”
Osho em From Darkness to Light

31 de janeiro de 2017

Círculos - Osho 2/3


"Depois dos sete anos, no próximo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, algo novo é acrescentado à vida: os primeiros alvoroços da energia sexual da criança. Mas elas são apenas uma espécie de ensaio.

Ser pai é uma tarefa difícil. Assim, a não ser que você esteja pronto para assumir tal tarefa difícil, não se torne um pai. As pessoas simplesmente seguem se tornando pais e mães sem saber o que estão fazendo. Você está trazendo uma vida à existência e todo o cuidado do mundo será necessário.

Agora, quando a criança começa a brincar com seus ensaios sexuais, é o tempo em que os pais mais interferem, porque foi assim que fizeram com eles. Tudo o que eles sabem é o que foi feito com eles, assim eles seguem fazendo o mesmo com as suas crianças. As sociedades não permitem ensaio sexual, pelo menos não permitiram até o século XX, exceto nas duas e três últimas décadas em alguns países muito avançados. Agora já existem escolas mistas para as crianças, mas em um país como a Índia, mesmo agora, a educação mista começa a surgir apenas no nível universitário.

O menino de sete anos e a menina de sete anos não podem estar no mesmo internato. E este é o momento para eles, sem qualquer risco, sem perigo de gravidez, sem que quaisquer problemas surjam para suas famílias; este é o momento em que lhes deveriam ser permitidas todas as brincadeiras.

Sim, isso terá uma conotação sexual, mas será só um ensaio, não se trata de um drama teatral verdadeiro. E se você não permitir a eles nem mesmo esse ensaio, de repente então, um dia a cortina se abrirá e o verdadeiro drama começará… E eles não saberão o que está acontecendo e não haverá nem mesmo aquela pessoa escondida no palco para lhes soprar o que devem fazer. Você terá bagunçado a vida deles completamente.

Esses sete anos, o segundo círculo da vida, são significantes como um ensaio. Eles se encontrarão, se misturarão, brincarão e se conhecerão. E isso ajudará à humanidade a se livrar de quase noventa por cento das perversões. Se às crianças dos sete aos quatorze for permitido estarem juntas, nadarem juntas, estarem nuas juntas, noventa por cento das perversões e noventa por cento das pornografias irão simplesmente desaparecer. Quem irá dar atenção a essas coisas?

Quando um garoto conheceu tantas garotas nuas, que interesse uma revista tipo Playboy poderá ter para ele? Quando uma garota tiver visto tantos garotos nus, eu não vejo qualquer possibilidade de existir curiosidade a respeito do outro. Isso simplesmente desaparecerá. Eles irão crescer juntos naturalmente, não como duas espécies diferentes de animais. É assim que eles crescem agora, como duas espécies diferentes de animais. Eles não pertencem à mesma espécie humana, eles são mantidos separados. Mil e uma barreiras são criadas entre eles, e não lhes permitem qualquer ensaio de sua vida sexual que está chegando…

Se você tiver feito o dever de casa direitinho, se você tiver brincado com sua energia sexual exatamente com o espírito de um desportista (e naquela idade este é o único espírito que você poderia ter), você não se tornará um pervertido, um homossexual. Todo tipo de coisas estranhas não virão à sua cabeça, porque você está se movendo naturalmente com o outro sexo e o outro sexo está se movendo com você. Não haverá qualquer bloqueio e você não estará fazendo nada errado com quem quer que seja. Sua consciência estará clara porque ninguém pôs nela idéias do que é certo e do que é errado. Você simplesmente está sendo o que você é.

Dos quatorze aos vinte e um o seu sexo amadurece. E isso é significante para se entender: se o ensaio tiver sido bom no período dos sete aos quatorze quando o sexo amadurece, acontece uma coisa muito estranha que você nem mesmo deve ter pensado a respeito, porque não lhe foi dada a oportunidade. Eu disse a você que o segundo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, deu a você um vislumbre de antes da peça teatral. O terceiro círculo de sete anos da a você um vislumbre do que vem depois.Você está ainda com garotas ou garotos, mas agora uma nova fase começa em seu ser: você começa a se apaixonar.

Não é ainda um interesse biológico. Você não está interessado em procriar, você não está interessado em se tornar marido ou esposa. Esses são os anos dos jogos românticos. Você está mais interessado na beleza, no amor, na poesia, na escultura, que são fases diferentes de romantismo."

(continua...)
Osho em From the Dark to Light

28 de janeiro de 2017

Círculos - Osho 1/3


“A vida tem círculos de sete anos, ela se move em círculos de sete anos exatamente como a terra faz uma rotação em seu eixo em vinte e quatro horas. Ninguém sabe porque não são nem vinte e cinco nem vinte e três horas. Não há nenhum jeito de se responder isso. É simplesmente um fato. Assim, não me pergunte porque a vida se move em círculos de sete anos. Eu não sei. O máximo que eu sei é que ela se move em círculos de sete anos. E se você compreender esses círculos de sete anos, você compreenderá uma grande coisa sobre o crescimento humano.

Os primeiros sete anos são os mais importantes porque os alicerces da vida estão sendo assentados. É por isso que todas as religiões estão muito preocupadas em agarrar as crianças o mais rápido possível. Os judeus circuncidam as crianças. Que bobagem! Mas eles estão carimbando a criança como uma judia. Essa é uma maneira primitiva de carimbar. Ainda se faz isso com o gado aqui nas redondezas.

Aqueles primeiros sete anos são os anos em que você é condicionado, é preenchido com todos os tipos de idéias que irão atormentá-lo ao longo de toda a sua vida, que irão distraí-lo de sua potencialidade, que irão corrompê-lo, que nunca irão lhe permitir ver claramente. Elas sempre virão como nuvens diante de seus olhos e irão fazer com que tudo fique confuso. As coisas são claras, muito claras. A existência é absolutamente clara. Mas os seus olhos têm camadas e mais camadas de poeira.

E toda essa poeira foi arranjada nos primeiros sete anos de sua vida, quando você era tão inocente, tão confiante, que qualquer coisa que lhe fosse dita você aceitava como sendo verdadeira. E mais tarde, será muito difícil você descobrir tudo aquilo que entrou em seus alicerces. Terá se tornado quase parte de seu sangue, ossos, de sua própria medula. Você perguntará mil outras questões, mas você nunca perguntará a respeito dos alicerces básicos de suas crenças.

A primeira expressão de amor para com a criança é deixá-la absolutamente inocente em seus primeiros sete anos, sem condicionamento, deixá-la por sete anos completamente selvagem, uma pagã. Ela não deveria ser convertida ao hinduismo, ao islamismo, ao cristianismo. Qualquer um que esteja tentando converter a criança, não tem compaixão, é cruel, está contaminando a própria alma de um viçoso recém-chegado. Antes mesmo que a criança tenha formulado perguntas, ela já terá recebido respostas com filosofias , dogmas e ideologias pré-fabricadas. Essa é uma situação muito estranha. A criança não perguntou a respeito de Deus e você já está lhe ensinando. Por que tanta impaciência? Espere!

Se algum dia a criança demonstrar interesse por Deus e começar a perguntar a respeito, então tente dizer a ela não apenas a sua idéia sobre Deus, porque ninguém tem qualquer monopólio. Coloque diante dela todas as idéias de Deus que estiveram presentes em diferentes povos, em épocas diferentes, por religiões, culturas e civilizações diferentes. E lhe diga: ‘Você pode escolher dentre essas aquela que mais lhe atrai. Ou você pode inventar a sua própria, se nenhuma estiver adequada. Se todas lhe parecerem defeituosas, e você achar que pode ter uma idéia melhor, então invente a sua própria. Ou se você achar que não há jeito de inventar uma idéia sem falhas, então abandone toda essa história, ela não é necessária. Um homem pode viver sem Deus.’

Não há qualquer necessidade de que o filho tenha que concordar com o pai. Na verdade parece muito melhor que ele não tenha que concordar. É assim que a evolução acontece. Se toda criança concordar com o pai, então não haverá qualquer evolução, porque o pai terá concordado com seu próprio pai, e todo mundo estará no ponto em que Deus deixou Adão e Eva: nus e expulsos do jardim do Éden. Todo mundo estará lá. O homem tem evoluído porque os filhos têm discordado de seus pais, dos pais de seus pais e de todas as tradições. Toda essa evolução é uma tremenda divergência com o passado. Quanto mais inteligente você for, mais você irá discordar. Mas os pais valorizam as crianças que concordam e condenam as que discordam.

Até os sete anos, se a criança puder ser deixada inocente, não corrompida pelas idéias dos outros, assim tornar-se-á impossível distraí-la de seu crescimento potencial.Os primeiros sete anos da criança são os mais vulneráveis. E elas estão nas mãos dos pais, dos professores, dos padres….

Como defender as crianças dos pais, dos padres e dos professores é uma questão de tamanha proporção que parece quase impossível de se fazer. Não é uma questão de ajudar a criança. A questão é proteger a criança. Se você tiver uma criança, proteja-a de si mesmo. Proteja a criança dos outros que possam influenciá-la, pelo menos até os sete anos, proteja-a. A criança é como uma pequena plantinha, fraca e suave. Um simples vento forte pode destruí-la, qualquer animal pode comê-la. Você põe um fio protetor ao redor dela, mas não a aprisiona, você está simplesmente protegendo-a.Quando a planta estiver maior, o fio será removido.

Proteja a criança de todo tipo de influência de modo que ela possa permanecer ela mesma. E isso é só uma questão de sete anos, porque então o primeiro círculo estará completo. Aos sete anos ele estará bem enraizado, centrado, forte o suficiente. Você não sabe o quanto uma criança de sete anos pode ser forte porque você só tem visto crianças corrompidas. Elas carregam os medos e a covardia de seus pais, mães e familiares. Elas não são elas mesmas.

Se uma criança permanecer sem ser corrompida por sete anos… Você ficará surpreso ao encontrar tal criança. Ela será tão afiada como uma espada. Seus olhos serão claros, seus insights serão claros. E você verá nela uma tremenda força que você não poderá encontrar nem mesmo num adulto de setenta anos.
Se você é um pai (ou mãe), você precisará muito dessa coragem para não interferir. Abra portas para direções desconhecidas de modo que a criança possa explorá-las. Ela não conhece o que ela tem dentro dela, ninguém sabe. Ela terá que tatear no escuro. Não faça com que ela tenha medo do escuro, não faça com que ela tenha medo do fracasso, não faça com que ela tenha medo do desconhecido. Dê a ela suporte. Quando ela estiver indo para uma jornada desconhecida, ofereça a ela todo o seu suporte, com todo o seu amor, com todas as suas bênçãos.

Não deixe que ela seja afetada pelos seus medos. Você pode ter medos, mas mantenha-os consigo mesmo. Não descarregue esses medos em cima da criança, porque isso será interferência."
(continua...)

Osho em From the Dark to Light

21 de janeiro de 2017

Você está pronto? - Mooji


"Você está pronto para se encontrar com Deus?

Então, agora mesmo, não toque em nada, em nenhuma ideia 
-nem boa nem má.
Não se envolva em absolutamente nada.
Qualquer coisa que apareça, apenas deixe-a.
Não se agarre a nada, inclusive a sua auto-imagem.
E não esteja muito ocupado em deixar as coisas.
A dada altura, você as deixa à medida que elas surgem - nenhum bolso para guardar coisas.
Esteja livre de todos os envolvimentos.

Sem nome, sem forma, sem intenção, sem sonho, sem aspiração.
Não se mistura ou associe com alguma coisa.
Se alguém vier e bater no seu ombro porque precisa de ajuda com alguma coisa,
faça o que precisa de ser feito, mas não se identifique. Permaneça vazio no interior.
Não diga a ninguém.
Quando você deixa tudo, Ele virá para se encontrar com você.
Você reconhecerá Aquele que é o seu Ser.
Mas você não será capaz de falar sobre isso.
Não poderá ser uma experiência que "você" tenha.

O eu pessoal, o ego, não deve sobreviver a esta investigação.
Portanto, não deve haver um alguém que tenha atingido ou alcançado algo.
Sem nome. Sem assinatura.
Deixe que tudo seja queimado ou purificado.
O Mestre disse: Morra, mas não esteja morto.
Ou seja, morra para todas as suas noções pessoais de Deus, do mundo, e de você mesmo.
Então você irá encontrar Aquilo que é Eterno.
Este é o seu Eu Divino.
Faça isto.
Sente-se sozinho e simplesmente fique quieto (em silêncio).
Este é o meu convite.
Não fale comigo ou com alguém sobre isso.
Eu encontrarei você lá."
Mooji em Satsang

14 de janeiro de 2017

Sobre a educação dos filhos - Osho


"Há muitos erros na criação dos filhos, mas eu falarei apenas sobre o mais importante. 

Primeiro: a ideia de que seus filhos pertencem a você.
Eles vêm ao mundo por meio de você; você foi um canal de passagem, mas eles não pertencem a você. Eles não são suas posses. Com essa ideia de possessividade, muitos erros aparecem.

Quando começa a achar que eles pertencem a você, acaba reduzindo-os a objetos, porque somente os objetos podem ser possuídos, não seres humanos. É o ato mais feio que você pode cometer.
E seus filhos são tão impotentes, tão dependentes, que não podem se rebelar. Eles aceitam toda as suas decisões.

E para proteger suas posses, você os torna cristãos assim que eles nascem. Você os torna hindus, muçulmanos, budistas, judeus — não consegue esperar! E não consegue enxergar o absurdo nisso tudo?
Na política, uma pessoa é considerada adulta e pronta para votar aos dezoito anos. A religião é menos importante do que a política?
Mas, antes mesmo que a criança aprenda a falar, ela sofre a circuncisão; fica sabendo que é um judeu. É batizada, sem seu consentimento — pelo simples fato de que você não precisa pedir o consentimento de um móvel, onde colocá-lo, se deve mantê-lo ou jogá-lo fora.

Você age com seus filhos da mesma maneira, como se eles fossem objetos.
Se os pais estiverem atentos, conscientes, esperarão que o filho cresça para que ele possa escolher. Se ele tiver a vontade de se tornar um cristão, ele é livre para isso. Se quiser se tornar um budista, é livre para isso. Mas deveria escolher apenas quando decidir.

Eu acredito que, se dezoito anos é a idade mínima para a política, para a religião quarenta e dois anos deveria ser a idade mínima para as pessoas decidirem. E, na verdade, é nessa época que a religião se torna importante. Você viveu sua vida; viu todas as etapas da vida — quarenta e dois anos de idade é um momento muito decisivo.

É quando tem de decidir se continuará a mesma rotina de vida, ou se dará a ela uma nova dimensão. E essa nova dimensão é a religião.
Se a pessoa decidir ser religiosa — simplesmente religiosa, sem pertencer a qualquer organização, sem pertencer a qualquer igreja — perfeito. Ela escolheu a liberdade.

Mas é um problema pessoal, íntimo, ninguém pode interferir.
Mas os pais começam a interferir desde o começo. Por que a pressa? A pressa só serve para que, mais tarde,a criança reclame, pergunte por que ela é uma judia — porque ela não nasceu judia; nenhuma criança nasce judia, cristã ou hindu.

Todas as crianças nascem como uma folha em branco, um quadro vazio. Nada está escrito nelas… inocência pura.
A primeira coisa a ser lembrada é: não reduza a criança a um objeto, não se esforce para isso.

Dê individualidade a ela, não imponha uma personalidade a ela. A individualidade, ela traz consigo; a personalidade é imposta pelos pais, pela sociedade, pelo sistema educacional, pela igreja. Se você entender, não vai impor nada a seu filho, vai ajudar seu filho a ser ele mesmo.
Certamente isso é difícil. É por isso que todas as sociedades, de todas as épocas, escolheram o caminho simples: é mais simples impor alguma coisa à criança. Então ela se torna obediente, não se torna rebelde. Não causa a você problema algum, não se torna uma irritação.

Mas se você der a ela liberdade e ajudá-la a ser livre e individual, ela poderá lhe trazer uma série de problemas. As pessoas decidiram destruir a criança em vez de aceitar os problemas.
Se você tem tanto medo de problemas, é melhor não ter um filho. Mas dar vida a uma criança e depois destruí-la só para não ter problemas é muito desumano.
As crianças são a classe de pessoas mais escravizadas da sociedade humana, as mais exploradas — e exploradas “para seu próprio bem”.
- Osho em o Livro da Mulher

7 de janeiro de 2017

Advaita e física quântica - Sambodh Naseeb


"Tudo começou com Max Planck, em 1900. A física clássica Newtoniana nos legou 3 preconceitos que os atuais físicos quânticos contrapõem. 
Estes são: 1) O Determinismo: que é o conceito de que são as leis físicas que determinam todos os movimentos. 2) A localidade: que todas as relações de causa e efeito estão acontecendo dentro do tempo e do espaço. 3) 
A objetividade: que os objetos e coisas são separados e independentes uns dos outros.

Há 2.600 aos atrás, Buda ensinava seus discípulos que “eventos acontecem, mas não há nenhum indivíduo separado a fazê-los”

Devemos nos deter no ponto “nenhum indivíduo separado”. Ou seja, há causa de muita controvérsia na filosofia, psicologia e hoje na neurociência a questão de indivíduo existir ou não existir. Mas a questão, essencialmente, não é esta. O fato é que, se olharmos para as três leis quânticas postuladas acima, fica mais fácil compreender.

Nenhum indivíduo pode existir separado, logo a ideia de um indivíduo independente é realmente apenas uma ideia da mente. Estamos em uma sopa quântica, onde todos os eventos funcionam como uma teia gigantesca, onde todas as partes se relacionam umas com as outras (em essência, não são partes, mas quando vistas por um observador, tornam-se partes). Quando há um observador olhando para esta teia, o colapso quântico cria a imagem de um indivíduo separado de um objeto, fazendo aparecer a relação sujeito que vê e objeto que é visto. Sem você como um observador, há apenas ondas de potencialidades. É sua mente que converte as ondas (campo vazio-luminoso) em alguma coisa (mundo manifesto). Dito assim, entendemos melhor quando os mestres falam do vazio. 

Quando Buda nos diz que somos o Puro Vazio, devemos entender que este Vazio é a Pura Potencialidade da Consciência Universal (campo das possibilidades), ao qual fazemos parte porque estamos dentro dele, e em realidade unos com ele. Como corpos, aparecemos dentro dessa Consciência. E neste exato momento, a Consciência pode ser vista como uma tela de computador onde aparecem imagens. Essas imagens aparecem na tela, e surgem da tela. Imagens e tela não podem ser separados. Consciência Universal (campo de possibilidades) e Consciência Individual (mente) funcionam não-separados, como a analogia do oceano e da onda. No Vedanta hindu, os textos dos Upanishades dizem que a “parte” é igual ao “todo” em sua essência. Toda a parte carrega a marca do todo. Em outras palavras, Brahman é essencialmente igual ao Atman. Na terminologia cristã, usou-se a simbologia do Pai e do Filho, sendo as palavras de do mestre: “Eu e o Pai Somos Um”.

Dessa forma, compreender que o indivíduo existe e não existe, ao mesmo tempo, fica um pouco mais compreensível, embora a mente não consiga engolir esta declaração, afinal ela, que vive no campo da dualidade, sente dificuldade em compreender que opostos possam existir simultaneamente. Aristóteles pode ser muito mais aceito pela mente que Heráclito.

Mas o fato é que esta Consciência é tanto transcendente ao espaço-tempo como imanente a ele. Está e não está. Existência e não-existência dançam dando base à declaração de Buda: “O Vazio é Forma. E Forma é Vazio”. O indivíduo existe do ponto de vista da mente separada, mas em verdade não existe separado de absolutamente nenhum objeto a sua volta, já que o seu background é um Campo Único de Possibilidades que chamamos aqui de Consciência.

Aqui entendemos porque alguns guias espirituais irão falar do ponto de vista do vazio sobre o indivíduo, e porque outros irão falar do ponto de vista do ego separado. É uma questão de metodologia. A abordagens negativa e a abordagem positiva. Apenas abordagens. A experiência da lua não é igual ao dedo que a aponta. Como negativo e positivo anulam-se entre si, fique a vontade para flutuar por onde sua natureza se sente mais atraída. Osho falou de ambos os caminhos, mas tendia a usar uma terminologia baseada no falso ego, e começar daí sua caminhada. Osho disse: Comece da sua experiência básica e vá em frente. Mas muitos indivíduos sente-se inclinados a uma outra abordagem, onde já de saída a não dualidade é explícita, e este é o caso do Dzogchene o Zen, no Budismo, o Vedanta Advaita - a desconstrução do eu é o início do caminho. Você já começa compreendendo que o eu não é independente, nem fixo, nem separado de nada sua volta. O eu é vazio de substância inerente. O eu é composto e dependente. Digamos que Advaita comece como o Prajnaparamita de Buda, o Sutra do Coração, onde a noção de que Vazio é Forma e Forma é Vazia é convidada a ser contemplada profundamente.

Para encerrar, lembramos que no novo paradigma da ciência que estuda objetos subatômicos, há uma premissa básica: é a Consciência e não a matéria a base da Vida. E como nada acontece fora deste campo de possibilidades que é a Consciência ou Inteligência, como dizia o neoplatônico Plotino, a relação entre o sagrado e o mundo, entre o divino e você não é dualista. Eis o por que de chamarmos esta visão da unidade da vida de não dual. Ela parece dois, mas em essência é o Um aparecendo como dualidade.

Nesse ponto é que chegamos na beleza e profundidade do caminho espiritual profundo e meditativo. Com algumas pessoas, acontece esta história que se chama “caminho espiritual”. 

O sábio iluminado Ramana Maharshi propõe o método investigativo “Quem Sou Eu?”, para despertar a observação, o Eu Real - observação vazia de conteúdo que percebe e no qual acontece pensamentos. 
Ao mesmo tempo o reconhecimento de que esta observação é nada separada desses pensamentos transitórios que surgem e desaparecem no campo da Consciência. Há muitas abordagens místico-experimentais. Com Osho e Buda, a ênfase dada é na meditação, no silêncio. O ponto central é que a EXPERIÊNCIA da não-experiência é o que realmente cristalizará em você este insight tão profundo e aparentemente paradoxal e contraditório. Como dizia Osho, o meditador estará entrando no campo da supralógica, além da lógica binária proposta pela mente. O meditador passa a resonhecer a sabedoria imediatamente, porque seu insight é direto, quando não há obstáculos mentais no caminho. 

A ênfase de alguns mestres em dizerem que você não existe é apenas metodologia inicial, um primeiro passo para apontar mais enfaticamente o vazio da consciência. Após resgatar a observação, num segundo momento tudo começa a ser visto como inseparável, onde tudo é nada e nada é tudo, onde forma é vazio e vazio é forma. A grande magia da vida é compreendida. 

Tony Parsons diz: “A vida vai continuar jogando com você, derrubando-te uma e outra vez, até que a unidade tome o controle e só haja isso. Então a vida continuará como sempre mas já não haverá ninguém que possa ser derrubado”.
Os físicos se surpreendem maravilhados como ao ler uma poesia, quando estudam a relação partícula/onda, por exemplo, as ondas podem aparecerem em dois lugares ao mesmo tempo e os elétrons podem saltar de uma órbita atômica para outra sem passar por espaços intermediários. 

O milagre da existência é muito mais profundo do que nossa razão possa compreender. Eis porque o fundamento e a resposta para a Vida é sempre o Amor. Mas o Amor só pode ser compreendido completamente no salto quântico da mente para o coração, da mente para a não-mente. 

O Amor é a resposta para a Vida. É a descoberta e o despertar de que matéria, energia e consciência são Um. 

Osho disse: “A vida não é algo a ser explicado mas um grande mistério a ser vivido”. Simplesmente Amor."
Sambodh Naseeb

30 de dezembro de 2016

Relacionamentos e Consciência - Eckhart Tolle




"Quando os egos se encontram, quer em relacionamentos pessoais quer em organizações e instituições, mais tarde ou mais cedo acontecem coisas "más", dramas, dramas de uma ou de outra espécie, sob forma de conflitos, problemas, lutas de poder, violência física ou emocional, e outras coisas semelhantes. Isto inclui males coletivos, como por exemplo a guerra, o genocídio e a exploração - tudo devido à inconsciência acumulada. Além disso, muitos tipos de doenças são causadas pela resistência permanente do ego, que cria restrições e bloqueios no caudal da energia que percorre o corpo. Quando você se liga novamente ao Ser e deixa de ser governado pela sua mente, deixa de criar essas coisas. Deixa de criar ou de participar em dramas.(...)

O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto, um sentimento de "ainda não é o bastante", de insuficiência e falta, que precisa ser atendido. Ele usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem-sucedido, nunca fica satisfeito por muito tempo.

Em geral, vive frustrado com seus objetivos - na maior parte do tempo, a lacuna entre o "eu quero" e "o que acontece" torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia.

O medo de não ser ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte. Todas as suas ações, enfim, destinam-se a eliminar esse temor.

Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias.

Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante.(...)

Sempre que dois ou mais egos se juntam, sucede-se algum tipo de drama. E mesmo que você viva completamente só, continuará a criar o seu próprio drama. Quando você se lamenta, isso é um drama. Quando se sente culpado ou ansioso, isso é um drama. Quando deixa que o passado ou o futuro obscureçam o presente, está a criar tempo, tempo psicológico - a matéria-prima do drama. Sempre que não honra o momento presente, permitindo que ele seja, está a criar um drama.(...)

Em determinados casos, precisamos nos proteger ou defender uma pessoa dos atos prejudiciais de alguém. No entanto, temos que ter cuidado para não transformar isso numa missão de "erradicação do mal", uma vez que, provavelmente, nos converteremos na própria coisa que estamos combatendo. Lutar de modo inconsciente pode nos levar à inconsciência - o comportamento egóico desajustado - nunca seja vencida pelo ataque.

Mesmo se derrotarmos o oponente, ela se transferirá para nós ou esse adversário reaparecerá num novo disfarce. Nós fortalecemos tudo aquilo que combatemos, enquanto todas as coisas a que resistimos persistem.

Reconheça o ego pelo que ele é: um distúrbio coletivo, a insanidade da mente humana. Quando o identificamos pelo que ele é, deixamos de interpretá-lo erroneamente como a identificação de uma pessoa. E temos mais facilidade em não adotar uma atitude reativa em relação a ele. Já não o tomamos como algo pessoal. Não existe queixa, culpa, acusação nem ação equivocada. Ninguém está errado. É apenas o ego em alguém, só isso.(...)

Um dia, a meio de uma discussão, você apercebe-se de súbito que tem escolha e pode decidir deixar de lado a sua própria reação... só para ver o que acontece. Você rende-se.

Não quero dizer pôr de lado a reação apenas a nível verbal, dizendo «Pronto, tens razão» com um ar que expressa «Estou acima de toda esta inconsciência infantil». Fazê-lo é apenas deslocar a resistência para outro nível, com a mente egocêntrica ainda no comando, a invocar superioridade. Estou a falar de abandonar todo o campo energético mental e emocional que estava a lutar pelo poder e que você tem dentro de si.

O ego é matreiro, por isso você tem de estar bem alerta, bem presente e ser totalmente honesto consigo mesmo para ver se deixou verdadeiramente de se identificar com uma posição mental e, desse modo, se libertou da sua mente.

Se você se sentir de repente muito leve e profundamente em paz, é um sinal inconfundível de que se rendeu verdadeiramente. De seguida, observe o que acontece à posição mental da outra pessoa quando você deixa de lhe conceder energia através da resistência. Quando a identificação com posições mentais está fora do caminho, começa a verdadeira comunicação.

Tome consciência dos pensamentos que lhe ocorrem. Separe-os da situação, que é sempre neutra - ela é como é.
Existe a circunstância ou o fato, e você terá seus pensamentos a respeito deles. Em vez de criar histórias, atenha-os aos fatos.

Por exemplo: "Estou arruinado" é uma história. Ela limita a pessoa e a impede de tomar uma providência eficaz. "Tenho 50 centavos na minha conta" é um fato.
Encarar os fatos é sempre fortalecedor. Tome consciência de que, na maioria das vezes, suas emoções são criadas pelo que você pensa - observe essa ligação. Em vez de ser seus pensamentos e suas emoções, seja a consciência por trás deles. A causa primária da infelicidade nunca é a situação, mas nossos pensamentos sobre ela.."

Eckhart Tolle em A Prática do Poder do Agora

23 de dezembro de 2016

Seja diferente, Seja reluzente! - Feliz Natal!



"Enfeite a árvore de sua vida
com guirlandas de gratidão!

Coloque no coração laços de cetim rosa,
amarelo, azul, carmim,

Decore seu olhar com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante,

Em sua lista de presentes
em cada caixinha embrulhe
um pedacinho de amor,
carinho,
ternura,
reconciliação,
perdão!

Tem presente de montão
no estoque do nosso coração
e não custa um tostão!

A hora é agora!

Enfeite seu interior!
Sejas diferente!
Sejas reluzente! 


~Cora Coralina~
Feliz Natal a todos!!
É a Luz que nos trouxe até aqui,
é a Luz que nos guiará para sempre...
Muito amor e muita paz em todos os corações...
Cristo é vivo, em cada um de nós..
Amor
Amidha Prem

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