14 de janeiro de 2017

Sobre a educação dos filhos - Osho


"Há muitos erros na criação dos filhos, mas eu falarei apenas sobre o mais importante. 

Primeiro: a ideia de que seus filhos pertencem a você.
Eles vêm ao mundo por meio de você; você foi um canal de passagem, mas eles não pertencem a você. Eles não são suas posses. Com essa ideia de possessividade, muitos erros aparecem.

Quando começa a achar que eles pertencem a você, acaba reduzindo-os a objetos, porque somente os objetos podem ser possuídos, não seres humanos. É o ato mais feio que você pode cometer.
E seus filhos são tão impotentes, tão dependentes, que não podem se rebelar. Eles aceitam toda as suas decisões.

E para proteger suas posses, você os torna cristãos assim que eles nascem. Você os torna hindus, muçulmanos, budistas, judeus — não consegue esperar! E não consegue enxergar o absurdo nisso tudo?
Na política, uma pessoa é considerada adulta e pronta para votar aos dezoito anos. A religião é menos importante do que a política?
Mas, antes mesmo que a criança aprenda a falar, ela sofre a circuncisão; fica sabendo que é um judeu. É batizada, sem seu consentimento — pelo simples fato de que você não precisa pedir o consentimento de um móvel, onde colocá-lo, se deve mantê-lo ou jogá-lo fora.

Você age com seus filhos da mesma maneira, como se eles fossem objetos.
Se os pais estiverem atentos, conscientes, esperarão que o filho cresça para que ele possa escolher. Se ele tiver a vontade de se tornar um cristão, ele é livre para isso. Se quiser se tornar um budista, é livre para isso. Mas deveria escolher apenas quando decidir.

Eu acredito que, se dezoito anos é a idade mínima para a política, para a religião quarenta e dois anos deveria ser a idade mínima para as pessoas decidirem. E, na verdade, é nessa época que a religião se torna importante. Você viveu sua vida; viu todas as etapas da vida — quarenta e dois anos de idade é um momento muito decisivo.

É quando tem de decidir se continuará a mesma rotina de vida, ou se dará a ela uma nova dimensão. E essa nova dimensão é a religião.
Se a pessoa decidir ser religiosa — simplesmente religiosa, sem pertencer a qualquer organização, sem pertencer a qualquer igreja — perfeito. Ela escolheu a liberdade.

Mas é um problema pessoal, íntimo, ninguém pode interferir.
Mas os pais começam a interferir desde o começo. Por que a pressa? A pressa só serve para que, mais tarde,a criança reclame, pergunte por que ela é uma judia — porque ela não nasceu judia; nenhuma criança nasce judia, cristã ou hindu.

Todas as crianças nascem como uma folha em branco, um quadro vazio. Nada está escrito nelas… inocência pura.
A primeira coisa a ser lembrada é: não reduza a criança a um objeto, não se esforce para isso.

Dê individualidade a ela, não imponha uma personalidade a ela. A individualidade, ela traz consigo; a personalidade é imposta pelos pais, pela sociedade, pelo sistema educacional, pela igreja. Se você entender, não vai impor nada a seu filho, vai ajudar seu filho a ser ele mesmo.
Certamente isso é difícil. É por isso que todas as sociedades, de todas as épocas, escolheram o caminho simples: é mais simples impor alguma coisa à criança. Então ela se torna obediente, não se torna rebelde. Não causa a você problema algum, não se torna uma irritação.

Mas se você der a ela liberdade e ajudá-la a ser livre e individual, ela poderá lhe trazer uma série de problemas. As pessoas decidiram destruir a criança em vez de aceitar os problemas.
Se você tem tanto medo de problemas, é melhor não ter um filho. Mas dar vida a uma criança e depois destruí-la só para não ter problemas é muito desumano.
As crianças são a classe de pessoas mais escravizadas da sociedade humana, as mais exploradas — e exploradas “para seu próprio bem”.
- Osho em o Livro da Mulher

7 de janeiro de 2017

Advaita e física quântica - Sambodh Naseeb


"Tudo começou com Max Planck, em 1900. A física clássica Newtoniana nos legou 3 preconceitos que os atuais físicos quânticos contrapõem. 
Estes são: 1) O Determinismo: que é o conceito de que são as leis físicas que determinam todos os movimentos. 2) A localidade: que todas as relações de causa e efeito estão acontecendo dentro do tempo e do espaço. 3) 
A objetividade: que os objetos e coisas são separados e independentes uns dos outros.

Há 2.600 aos atrás, Buda ensinava seus discípulos que “eventos acontecem, mas não há nenhum indivíduo separado a fazê-los”

Devemos nos deter no ponto “nenhum indivíduo separado”. Ou seja, há causa de muita controvérsia na filosofia, psicologia e hoje na neurociência a questão de indivíduo existir ou não existir. Mas a questão, essencialmente, não é esta. O fato é que, se olharmos para as três leis quânticas postuladas acima, fica mais fácil compreender.

Nenhum indivíduo pode existir separado, logo a ideia de um indivíduo independente é realmente apenas uma ideia da mente. Estamos em uma sopa quântica, onde todos os eventos funcionam como uma teia gigantesca, onde todas as partes se relacionam umas com as outras (em essência, não são partes, mas quando vistas por um observador, tornam-se partes). Quando há um observador olhando para esta teia, o colapso quântico cria a imagem de um indivíduo separado de um objeto, fazendo aparecer a relação sujeito que vê e objeto que é visto. Sem você como um observador, há apenas ondas de potencialidades. É sua mente que converte as ondas (campo vazio-luminoso) em alguma coisa (mundo manifesto). Dito assim, entendemos melhor quando os mestres falam do vazio. 

Quando Buda nos diz que somos o Puro Vazio, devemos entender que este Vazio é a Pura Potencialidade da Consciência Universal (campo das possibilidades), ao qual fazemos parte porque estamos dentro dele, e em realidade unos com ele. Como corpos, aparecemos dentro dessa Consciência. E neste exato momento, a Consciência pode ser vista como uma tela de computador onde aparecem imagens. Essas imagens aparecem na tela, e surgem da tela. Imagens e tela não podem ser separados. Consciência Universal (campo de possibilidades) e Consciência Individual (mente) funcionam não-separados, como a analogia do oceano e da onda. No Vedanta hindu, os textos dos Upanishades dizem que a “parte” é igual ao “todo” em sua essência. Toda a parte carrega a marca do todo. Em outras palavras, Brahman é essencialmente igual ao Atman. Na terminologia cristã, usou-se a simbologia do Pai e do Filho, sendo as palavras de do mestre: “Eu e o Pai Somos Um”.

Dessa forma, compreender que o indivíduo existe e não existe, ao mesmo tempo, fica um pouco mais compreensível, embora a mente não consiga engolir esta declaração, afinal ela, que vive no campo da dualidade, sente dificuldade em compreender que opostos possam existir simultaneamente. Aristóteles pode ser muito mais aceito pela mente que Heráclito.

Mas o fato é que esta Consciência é tanto transcendente ao espaço-tempo como imanente a ele. Está e não está. Existência e não-existência dançam dando base à declaração de Buda: “O Vazio é Forma. E Forma é Vazio”. O indivíduo existe do ponto de vista da mente separada, mas em verdade não existe separado de absolutamente nenhum objeto a sua volta, já que o seu background é um Campo Único de Possibilidades que chamamos aqui de Consciência.

Aqui entendemos porque alguns guias espirituais irão falar do ponto de vista do vazio sobre o indivíduo, e porque outros irão falar do ponto de vista do ego separado. É uma questão de metodologia. A abordagens negativa e a abordagem positiva. Apenas abordagens. A experiência da lua não é igual ao dedo que a aponta. Como negativo e positivo anulam-se entre si, fique a vontade para flutuar por onde sua natureza se sente mais atraída. Osho falou de ambos os caminhos, mas tendia a usar uma terminologia baseada no falso ego, e começar daí sua caminhada. Osho disse: Comece da sua experiência básica e vá em frente. Mas muitos indivíduos sente-se inclinados a uma outra abordagem, onde já de saída a não dualidade é explícita, e este é o caso do Dzogchene o Zen, no Budismo, o Vedanta Advaita - a desconstrução do eu é o início do caminho. Você já começa compreendendo que o eu não é independente, nem fixo, nem separado de nada sua volta. O eu é vazio de substância inerente. O eu é composto e dependente. Digamos que Advaita comece como o Prajnaparamita de Buda, o Sutra do Coração, onde a noção de que Vazio é Forma e Forma é Vazia é convidada a ser contemplada profundamente.

Para encerrar, lembramos que no novo paradigma da ciência que estuda objetos subatômicos, há uma premissa básica: é a Consciência e não a matéria a base da Vida. E como nada acontece fora deste campo de possibilidades que é a Consciência ou Inteligência, como dizia o neoplatônico Plotino, a relação entre o sagrado e o mundo, entre o divino e você não é dualista. Eis o por que de chamarmos esta visão da unidade da vida de não dual. Ela parece dois, mas em essência é o Um aparecendo como dualidade.

Nesse ponto é que chegamos na beleza e profundidade do caminho espiritual profundo e meditativo. Com algumas pessoas, acontece esta história que se chama “caminho espiritual”. 

O sábio iluminado Ramana Maharshi propõe o método investigativo “Quem Sou Eu?”, para despertar a observação, o Eu Real - observação vazia de conteúdo que percebe e no qual acontece pensamentos. 
Ao mesmo tempo o reconhecimento de que esta observação é nada separada desses pensamentos transitórios que surgem e desaparecem no campo da Consciência. Há muitas abordagens místico-experimentais. Com Osho e Buda, a ênfase dada é na meditação, no silêncio. O ponto central é que a EXPERIÊNCIA da não-experiência é o que realmente cristalizará em você este insight tão profundo e aparentemente paradoxal e contraditório. Como dizia Osho, o meditador estará entrando no campo da supralógica, além da lógica binária proposta pela mente. O meditador passa a resonhecer a sabedoria imediatamente, porque seu insight é direto, quando não há obstáculos mentais no caminho. 

A ênfase de alguns mestres em dizerem que você não existe é apenas metodologia inicial, um primeiro passo para apontar mais enfaticamente o vazio da consciência. Após resgatar a observação, num segundo momento tudo começa a ser visto como inseparável, onde tudo é nada e nada é tudo, onde forma é vazio e vazio é forma. A grande magia da vida é compreendida. 

Tony Parsons diz: “A vida vai continuar jogando com você, derrubando-te uma e outra vez, até que a unidade tome o controle e só haja isso. Então a vida continuará como sempre mas já não haverá ninguém que possa ser derrubado”.
Os físicos se surpreendem maravilhados como ao ler uma poesia, quando estudam a relação partícula/onda, por exemplo, as ondas podem aparecerem em dois lugares ao mesmo tempo e os elétrons podem saltar de uma órbita atômica para outra sem passar por espaços intermediários. 

O milagre da existência é muito mais profundo do que nossa razão possa compreender. Eis porque o fundamento e a resposta para a Vida é sempre o Amor. Mas o Amor só pode ser compreendido completamente no salto quântico da mente para o coração, da mente para a não-mente. 

O Amor é a resposta para a Vida. É a descoberta e o despertar de que matéria, energia e consciência são Um. 

Osho disse: “A vida não é algo a ser explicado mas um grande mistério a ser vivido”. Simplesmente Amor."
Sambodh Naseeb

30 de dezembro de 2016

Relacionamentos e Consciência - Eckhart Tolle




"Quando os egos se encontram, quer em relacionamentos pessoais quer em organizações e instituições, mais tarde ou mais cedo acontecem coisas "más", dramas, dramas de uma ou de outra espécie, sob forma de conflitos, problemas, lutas de poder, violência física ou emocional, e outras coisas semelhantes. Isto inclui males coletivos, como por exemplo a guerra, o genocídio e a exploração - tudo devido à inconsciência acumulada. Além disso, muitos tipos de doenças são causadas pela resistência permanente do ego, que cria restrições e bloqueios no caudal da energia que percorre o corpo. Quando você se liga novamente ao Ser e deixa de ser governado pela sua mente, deixa de criar essas coisas. Deixa de criar ou de participar em dramas.(...)

O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto, um sentimento de "ainda não é o bastante", de insuficiência e falta, que precisa ser atendido. Ele usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem-sucedido, nunca fica satisfeito por muito tempo.

Em geral, vive frustrado com seus objetivos - na maior parte do tempo, a lacuna entre o "eu quero" e "o que acontece" torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia.

O medo de não ser ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte. Todas as suas ações, enfim, destinam-se a eliminar esse temor.

Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias.

Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante.(...)

Sempre que dois ou mais egos se juntam, sucede-se algum tipo de drama. E mesmo que você viva completamente só, continuará a criar o seu próprio drama. Quando você se lamenta, isso é um drama. Quando se sente culpado ou ansioso, isso é um drama. Quando deixa que o passado ou o futuro obscureçam o presente, está a criar tempo, tempo psicológico - a matéria-prima do drama. Sempre que não honra o momento presente, permitindo que ele seja, está a criar um drama.(...)

Em determinados casos, precisamos nos proteger ou defender uma pessoa dos atos prejudiciais de alguém. No entanto, temos que ter cuidado para não transformar isso numa missão de "erradicação do mal", uma vez que, provavelmente, nos converteremos na própria coisa que estamos combatendo. Lutar de modo inconsciente pode nos levar à inconsciência - o comportamento egóico desajustado - nunca seja vencida pelo ataque.

Mesmo se derrotarmos o oponente, ela se transferirá para nós ou esse adversário reaparecerá num novo disfarce. Nós fortalecemos tudo aquilo que combatemos, enquanto todas as coisas a que resistimos persistem.

Reconheça o ego pelo que ele é: um distúrbio coletivo, a insanidade da mente humana. Quando o identificamos pelo que ele é, deixamos de interpretá-lo erroneamente como a identificação de uma pessoa. E temos mais facilidade em não adotar uma atitude reativa em relação a ele. Já não o tomamos como algo pessoal. Não existe queixa, culpa, acusação nem ação equivocada. Ninguém está errado. É apenas o ego em alguém, só isso.(...)

Um dia, a meio de uma discussão, você apercebe-se de súbito que tem escolha e pode decidir deixar de lado a sua própria reação... só para ver o que acontece. Você rende-se.

Não quero dizer pôr de lado a reação apenas a nível verbal, dizendo «Pronto, tens razão» com um ar que expressa «Estou acima de toda esta inconsciência infantil». Fazê-lo é apenas deslocar a resistência para outro nível, com a mente egocêntrica ainda no comando, a invocar superioridade. Estou a falar de abandonar todo o campo energético mental e emocional que estava a lutar pelo poder e que você tem dentro de si.

O ego é matreiro, por isso você tem de estar bem alerta, bem presente e ser totalmente honesto consigo mesmo para ver se deixou verdadeiramente de se identificar com uma posição mental e, desse modo, se libertou da sua mente.

Se você se sentir de repente muito leve e profundamente em paz, é um sinal inconfundível de que se rendeu verdadeiramente. De seguida, observe o que acontece à posição mental da outra pessoa quando você deixa de lhe conceder energia através da resistência. Quando a identificação com posições mentais está fora do caminho, começa a verdadeira comunicação.

Tome consciência dos pensamentos que lhe ocorrem. Separe-os da situação, que é sempre neutra - ela é como é.
Existe a circunstância ou o fato, e você terá seus pensamentos a respeito deles. Em vez de criar histórias, atenha-os aos fatos.

Por exemplo: "Estou arruinado" é uma história. Ela limita a pessoa e a impede de tomar uma providência eficaz. "Tenho 50 centavos na minha conta" é um fato.
Encarar os fatos é sempre fortalecedor. Tome consciência de que, na maioria das vezes, suas emoções são criadas pelo que você pensa - observe essa ligação. Em vez de ser seus pensamentos e suas emoções, seja a consciência por trás deles. A causa primária da infelicidade nunca é a situação, mas nossos pensamentos sobre ela.."

Eckhart Tolle em A Prática do Poder do Agora

23 de dezembro de 2016

Seja diferente, Seja reluzente! - Feliz Natal!



"Enfeite a árvore de sua vida
com guirlandas de gratidão!

Coloque no coração laços de cetim rosa,
amarelo, azul, carmim,

Decore seu olhar com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante,

Em sua lista de presentes
em cada caixinha embrulhe
um pedacinho de amor,
carinho,
ternura,
reconciliação,
perdão!

Tem presente de montão
no estoque do nosso coração
e não custa um tostão!

A hora é agora!

Enfeite seu interior!
Sejas diferente!
Sejas reluzente! 


~Cora Coralina~
Feliz Natal a todos!!
É a Luz que nos trouxe até aqui,
é a Luz que nos guiará para sempre...
Muito amor e muita paz em todos os corações...
Cristo é vivo, em cada um de nós..
Amor
Amidha Prem

21 de dezembro de 2016

Aniversário Ventos de Paz...


Como flor ao vento,
Despeço-me da árvore,
Levo-a comigo,
Levo-a em mim
E recebo de braços e coração abertos 
a eternidade...

Como a aurora dos tempos,
Acolho em meu peito
o instante
fugaz, 
porém eterno,
Único,
Abençoado,
Instante que me define,
Nos define,
Mesmo que tantas vezes
o desprezemos...

O Amor nos envolve
nos preenche,
Numa espuma de Graças.

Somos filhos amados
desta Terra
Somos a Consciência Viva
e Vivente
Cada um é a Chama da Verdade 
Desperta,
Realizando a Si mesma
Reconhecendo a Si mesma
Descobrindo a Si mesma
Apaixonando-se por Si mesma...

A Vida somos nós,
Nem antes, nem depois,
Mas aqui
Agora,
Já...
Nada a dizer,
Nada a pedir.

Gratidão é meu nome...

***

 Hoje o blog Ventos de Paz completa 7 anos online.
Gratidão a todos que caminham junto comigo confiantes, 
nesta linda trilha Luminosa da Consciência...

Vivemos o instante transbordando em amor e paz...
Somos viajantes das estrelas, 
Somos a brisa do ar,
Somos chamas vivas da Verdade
Somos Amor explodindo em flor
Somos Ventos de Paz...

Todo Amor e Gratidão a cada um de vocês queridos amigos.
Que a chama luminosa do Amor e da Paz brilhe em cada um dos corações...
Saibam que meu coração está com cada um de vocês 
Eternamente...

Namastê
Lilian 




17 de dezembro de 2016

Pena e Compaixão - Prem Baba


Pergunta: Qual a diferença entre e pena e a compaixão?

Prem Baba: É a mesma diferença entre o dia e a noite; entre luz e trevas. 
A pena é egoística e a compaixão é altruística. 

Você somente sente dó de si mesmo – o outro é um reflexo de algum aspecto seu. Ao sentir pena, você não enxerga o outro e não o respeita. Você não está interessado nele – você quer somente se livrar do seu problema, porque o sofrimento do outro está lhe incomodando. 
Ele está espelhando o seu próprio sofrimento, o qual você se recusa a enxergar.

As lágrimas da pena são superficiais porque nascem de uma máscara do bondoso e caridoso. Essa máscara encobre o egoísmo. 
Por trás dela existe um congelamento, uma impermeabilização que te impede de fazer empatia e colocar-se verdadeiramente no lugar do outro. 

Porque você só faz empatia se houver amor e, se existe amor pelo outro, você respeita aquilo que ele precisa experienciar. 

Se você ama as pessoas na rua, coloque-se no lugar delas e verá que dar dinheiro não ajuda em nada. Em algum caso ou outro pode ser que ajude, mas, na maioria das vezes, você está apenas alimentando o vício de pedir e a ilusão de impotência, entre muitas outras fantasias que fazem com que elas fiquem nesse lugar.

Se o amor está transbordando do seu coração e se você realmente se importa com o outro, encontre um meio para ele se levantar. A compaixão é desinteressada. Você quer realmente ver o outro feliz; você quer vê-lo brilhar, respeitando o processo dele.

E como você se move da pena para a compaixão? Libertando-se da projeção."

Prem Baba em Satsang

11 de dezembro de 2016

Materialespiritual - Osho


"Não separo a Existência nestas duas velhas dicotomias, o plano material e o plano espiritual. Há apenas uma única realidade: a matéria é sua forma visível e o espírito, sua forma invisível. O corpo não pode sobreviver sem a alma, e a alma não pode existir sem o corpo.

Na verdade, essa divisão entre corpo e alma, que vem do passado, criou um grande peso no coração dos homens. Criou uma esquizofrenia na humanidade. Em minha forma de pensar, a esquizofrenia não é uma doença que eventualmente se abate sobre uma pessoa.

Toda a humanidade, até o momento, tem sido esquizofrênica. Muito raramente, apenas uma vez em centenas de anos, surge um homem como Jesus, ou Buda, ou Mahavira, ou Sócrates, ou Pitágoras, ou Lao-tsé, que é capaz de escapar deste padrão esquizofrênico em que vivemos.

Dividir a realidade em duas partes opostas, antagônicas, é perigoso porque significa dividir também o homem. O homem é uma miniatura do Universo. Divida o Universo e o homem terá sido divido também. Divida o homem e o mesmo ocorrerá com o Universo. Eu acredito na unidade orgânica e indivisível da existência.

Para mim, não há distinção entre o plano espiritual e o material. Você pode ser espiritualizado e funcionar no plano material. Seu funcionamento será mais feliz, mais estético, mais sensível. Seu funcionamento no plano material não será tenso nem cheio de
ansiedade e angústia.

Uma vez, um homem se aproximou de Buda e perguntou: “O mundo está tão cheio de desespero, as pessoas estão vivendo na miséria... Como você pode permanecer sentado em paz, silêncio e alegria?”

Buda respondeu: “Se uma pessoa está sofrendo, com febre, o médico deve deitar ao seu lado e sofrer também? O médico, por compaixão, precisa se deixar infectar, se deitar ao lado do paciente e ter febre? Isso irá ajudar o paciente? Antes, havia apenas uma pessoa doente, mas agora haverá duas — o mundo estará duplamente doente. O médico não precisa estar doente para ajudar o paciente, ele precisa estar saudável. Quanto mais saudável ele estiver, mais ele poderá ajudar”.

Não sou contra trabalhar por um mundo melhor no plano material. Seja qual for o trabalho que você estiver realizando — trabalhando em prol do equilíbrio ecológico, contra a fome, contra a pobreza, contra a exploração, a miséria, a opressão —, seja qual for o seu trabalho no plano material, ele será enormemente beneficiado se você aprofundar suas raízes espirituais, tornar-se uma pessoa mais centrada, calma, introspectiva, porque então
toda a qualidade de seu trabalho terá sido alterada. Você poderá pensar de forma mais interiorizada e seus gestos serão mais graciosos. A compreensão de ser interior irá ajudar muito outras pessoas.

Não sou um espiritualista, nem tampouco um materialista, no sentido tradicional dessas palavras. Charvaka; Epicuro, na Grécia; Karl Marx e outros são todos materialistas. Dizem que apenas a matéria é verdadeira e que a consciência é um subproduto, que não possui realidade própria. E há pessoas como Shankara e Nagarjuna que dizem o mesmo, só que ao contrário. Dizem que a alma é real e o corpo, irreal, maya, ilusão, um subproduto, que não possui realidade própria.

Para mim, ambos estão metade certos e metade errados. E uma meia-verdade é muito mais perigosa do que uma mentira completa. Uma mentira completa é, ao menos, inteira, tem uma certa beleza, mas uma meia-verdade é feia e também perigosa. Feia porque é apenas metade de algo, como um homem que fosse dividido em duas partes. Dividir um homem é perigoso, porque ele é uma unidade orgânica. No entanto, fizeram isso através dos tempos, fazendo com que este pensamento se tornasse rotineiro, quase um condicionamento.

Não pertenço a nenhuma escola, nem à escola dos materialistas nem à escola dos assim chamados “espiritualistas”. Minha abordagem é total, holística. Acredito que o homem é, ao mesmo tempo, material e espiritual. Na verdade, uso as palavras “espiritual” e “material” apenas porque sempre foram usadas. O homem é psicossomático, não-material e espiritual, porque este “e” cria uma dualidade. Não há um “e” entre o material e o
espiritual, nem mesmo um hífen. Eu usaria apenas uma palavra e diria que o homem é “materialespiritual.

Espiritual significa o centro de seu ser, enquanto material é a circunferência de seu ser. A circunferência não pode existir sem o centro, assim como o centro não existe sem a circunferência.
Meu trabalho é o de ajudar seu centro a tornar-se claridade, pureza. Então essa pureza será refletida também na circunferência. Se o seu centro for belo, sua circunferência
acabará se tornando bela e, se sua circunferência for bela, seu centro será afetado por essa beleza.

Há uma história que ilustra o que estou dizendo.
Dois místicos estavam conversando.



O primeiro disse: — Tive um discípulo uma vez, mas, apesar de todo o meu esforço, não consegui que ele atingisse a iluminação.
O que você fez? — perguntou o outro.

Fiz com que ele repetisse mantras, olhasse para símbolos, usasse vestimentas especiais, pulasse para cima e para baixo, inalasse incenso, lesse invocações e se mantivesse de pé durante longas vigílias.

Ele não lhe disse nada que pudesse ajudá-lo a compreender por que nada disso estava aumentando o estado de consciência dele?

Nada. Certo dia, apenas se deitou e morreu. A única coisa que ele disse foi irrelevante: “Quando é que vou poder comer algo?”

Claro que para uma pessoa espiritual é irrelevante falar sobre comida. O que isso tem a ver com o espírito?
Não sou esse tipo de pessoa espiritual. 
Sou tão hedonista quanto Carvaka, tão materialista quanto Epicuro, tão espiritual quanto Buda ou Mahavira.
Sou o começo de uma visão totalmente nova."
Osho em Eu Sou a Porta



Hoje o amado Osho estaria completando mais um aniversário.
Deixo aqui a minha sincera homenagem, em profundo amor e gratidão 
por tanta luz, sabedoria, alegria e todo amor
compartilhados com milhões de pessoas
ao longo de sua vida...

Hare Om Osho!




3 de dezembro de 2016

Gom - Chamtrul Rinpoche


"É a palavra tibetana “gom” que é traduzida para o português como “meditação”. 
Mas o que “gom” significa realmente? 
Significa habituar-se, familiarizar a mente 
com algo que é positivo.

Assim, através da meditação, uma mente que era frequentemente estressada, que carecia de concentração e clareza, que muitas vezes experienciou cobiça, inveja, ódio, raiva, e assim por diante, em vez disso pode sem esforço manter-se calma, clara e focada, e, naturalmente, responder a qualquer coisa com compaixão, amor, paciência, generosidade, e assim por diante.

Além disso, é através da meditação que nossa mente é acordada de sua falta de consciência da realidade, libertando-nos assim do samsara, e além disso, atingindo o estado iluminado de um Buda para o benefício de todos.

Todos, sem exceção, tem o potencial de mudar. 
Qualquer um que duvide disso, 
ainda tem que meditar.”

Chamtrul Rinpoche

26 de novembro de 2016

Estado de alerta e moralidade - Osho


"Três palavras devem ser compreendidas: uma é "religião" ou espiritualidade; a segunda é "moralidade"; e a terceira é "legalidade".
Religiosidade ou espiritualidade não subsiste em idéias morais - está além do moral e do imoral, está além do certo e do errado; não possui consciência externa ( conscience ): vive da pura consciência-em-si ( cousciousness). Existe um tremendo "estado-de-alerta", e a pessoa age a partir desse "estado-de-alerta". Quando acontece de a  ação surgir do "estado de alerta", ela é inevitavelmente boa.

Mas o homem vive num "estado não alerta". Toda a vida do homem é cheia de "estados não alertas" - ele é quase como um robô. Ele vê, e contudo, não vê; ele ouve e contudo, não ouve; Ele existe, mas somente no sentido literal da palavra, não realmente, não como um Buda, ou um Cristo, ou um Zarathustra... ou como Dionísio, Pitágoras, Heráclito. Não, ele não existe com tal intensidade, com aquele "estado de alerta".

Desse modo, a moralidade se torna quase uma necessidade - ele á um substituto. Quando não se pode ter a coisa verdadeira, então, é melhor ter alguma coisa não-verdadeira do que não ter nada absolutamente, porque o homem precisa de um certo código de comportamento. Se este flui do estado de alerta, então, não há nenhum problema.

As pessoas estão vivendo apenas numa espessa nuvem de inconsciência. Suas vidas não são aquela vida de luz, mas a de escuridão e, vindo dessa escuridão, dessa confusão, dessa fumaça, o que você pode esperar? Elas estão fadadas a fazer algo tolo, algo errado.

A menos que todos os homens se tornem um buda, permanecerá a necessidade de alguma espécie de moralidade. A moralidade não é algo grandioso: é um substitutivo pobre da religião. Se você pode ser religioso, então, não há a necessidade de moralidade.(...) Todas as ideologias políticas e religiosas não são nada mais do que tranquilizantes não-medicinais. Todo o propósito é o de fazê-los viver no sono, de modo que vocês possam ser explorados, oprimidos, escravizados e, ainda assim, não estarem alertas para o que lhes está acontecendo.(...)

Você me pergunta, Sangvai, Por que deve haver uma diferença entre o padrão moral e o padrão legal...?
Há uma diferença entre os padrões moral e religioso. "Religião" significa que você "vive a partir da sua consciência". "Moralidade" significa que você "vive de acordo com os mais altos padrões que a sociedade impôs sobre você" e não de acordo com a sua própria luz. E o padrão legal é o mínimo.

O padrão moral é o máximo, a maior expectativa da sociedade; e o padrão legal é a expectativa mínima: "Pelo menos, deve-se cumprir o legal". O legal é o limite mais baixo e o moral é o limite mais alto, daí a diferença. A diferença existe.

Há muitas coisas imorais que não tem nada a ver com a lei. Você pode estar fazendo muitas coisas imorais, mas não pode ser apanhado legalmente, porque a legalidade consiste, no mínimo, no limite mais baixo.

Dizem que o melhor professor é aquele que é capaz de explicar o que está dizendo ao aluno mais estúpido da classe. Se o mais estúpido pode compreendê-lo, então, é claro, todos os outros, compreenderão. A lei pensa na pessoa mais estúpida.(...) A moralidade pensa no mais inteligente, no mais humano. Daí a diferença entre as duas - e a diferença continuará.

E eu tenho de lembrá-lo de uma terceira coisa também: do padrão espiritual. Este é o maior, o transcendental, além do qual não existe nada. Os budas vivem de acordo com o moral e os assim chamados cidadãos vivem de acordo com o legal. Estas são as três categorias de seres humanos.(...)
Até agora, o ser humano apenas parece ser humano: lá no fundo ele não é nada mais do que um animal mascarado de ser humano. Sua humanidade não tem nem a espessura da pele: basta arranhá-lo um pouquinho do animal sai. O ser humano com o qual no trivial, que só isso já prova a sua mediocridade...Não pode nos dar nenhum índice de sua inteligência.

O homem continua argumentando sobre grandes coisas, mas prossegue vivendo de maneira totalmente diferente. Seus pensamentos são muito elevados; sua vida é muito imatura. Na verdade, ele cria todos esses grandes pensamentos para encobrir sua imaturidade. (...)

Nossos filósofos, nossos psicanalistas, teólogos, permaneceram abstratos, falando sobre grandes coisas, só para escapar da medonha realidade.
Meu esforço aqui é ajudá-lo a tornarem-se cientes da feia realidade, porque estar ciente dela mudará a feiura em beleza. O estado de alerta é o milagre."
Osho em Teologia Mística

19 de novembro de 2016

Viver e agir - Pedro Kupfer


"Viver é agir. Agir é inevitável. Pelas ações construímos uma relação com a existência. Não podemos dizer que viver seja nada diferente de fazer ações. Vegetar não é viver. Uma pessoa em coma está viva, mas não podemos dizer que esteja vivendo.

Assim, usando nossa capacidade de escolha, e percebendo que não podemos fugir ao fato de que viver é fazer, nos relacionamos com os demais e com o mundo. Essas ações são sempre feitas a partir da constatação de que temos opções e uma faculdade chamada livre arbítrio, através da qual realizamos essas escolhas.

Agir implica mudar, implica constatar que necessariamente, queiramos ou não, iremos deixar uma marca no mundo, em cada coisa que fizermos, desde as mais insignificantes decisões até as maiores que possamos tomar.

Porém, muitas dessas ações são feitas, consciente ou inconscientemente, baseados na premissa de que, para sermos felizes, devemos mudar o entorno, ou a nós mesmos, ou ambos, já que não conseguimos nos aceitar como somos.

Isso é o que o meu mestre, Swāmi Dayānanda, chamava de problema fundamental. O grande segredo, se há um neste jogo, é reconhecer que essas mudanças fazem parte da própria dança da vida, mas nenhuma delas poderá trazer para nós felicidade, pois felicidade é o que já somos. Seria sábio lembrarmos disso a cada momento.

Não podemos, e nunca conseguiremos, obter algo que já temos. Não precisamos nem devemos correr atrás do que já somos. Não há como “alcançar” o Ser. Não temos como “nos tornar” o Ser. Isso é impossível. O Ser é o que somos. O que sempre fomos. O que sempre seremos.

É necessário apenas reconhecer a nós mesmos como o Ser pleno que somos. Nada mais. A vida plena é mais uma vida de aceitação, equanimidade e harmonia, do que uma sucessão de experiências de êxtase e prazer constantes. Não negamos o prazer nem a segurança, mas tampouco buscamos a felicidade neles.

Não nos apegamos excessivamente aos momentos de alegria ou satisfação quando eles acontecem, nem sentimos saudades deles quando não estão presentes.

Isso, apesar das dualidades, apesar de sabermos como pleno, vivemos o relativo e nos relacionamos da maneira mais equânime possível com a subjetividade do nosso ego e dos egos das pessoas com quem convivemos.

Assim, fazemos o que o nosso bom-senso nos indica, mudamos o que acreditamos que precisa ser mudado, agimos no mundo da melhor maneira possível, mas sabendo que desde nenhuma ação virá a felicidade ou a realização pessoal.

Quando conseguimos deixar de lado a ansiedadae por realizar mudanças buscando nelas a felicidade, poderemos superar o apego a elas, descobrindo essa fonte de felicidade inesgotável, e que somos nós mesmos. A felicidade não é o fruto de alguma ação.

Ela se revela por si só, na medida em que compreendemos que não é das mudanças ou da realização dos desejos que ela virá, e a força que eles têm sobre nós desaparece.

Então, facamos o que o nosso bom-senso determina, aquilo para o que a nossa intuição aponta, e mudemos o que precisa ser mudado. Façamos o que temos que fazer.

Reconheçamos que há coisas, porém, que fogem à nossa alçada. Por exemplo, não conseguimos mudar o clima, portanto reconheçamos que não adianta nos queixar do frio ou do calor, do sol ou da chuva.

Não podemos mudar o tempo, portanto, não adianta desejar que ele páre ou voe. Aceitemos o passado como ele é, o presente como ele é, e não façamos demasiadas especulações nem projeções em relação ao futuro.

Não podemos mudar os outros, portanto, aceitemos eles como são, com suas virtudes e defeitos. Não podemos mudar muitas coisas em nós mesmos em termos de corpo, mente ou emoções, portanto, aceitemo-nos como somos nesses aspectos, e em todos os demais. Lembremos que somos dignos de amor, do jeito que somos agora.

Assim, não deixemos que o derrotismo tomem conta de nós. Não deixemos que a inércia se aposse do nosso coração. Façamos o que deve ser feito, contemplando sempre o bem comum. Cultivemos o discernimento para compreender a diferença entre o que pode e o que não pode ser mudado.

Apliquemos força, compaixão, energia, inspiração, raiva, se for preciso, para mudar aquilo que pode ou deve ser mudado, em prol da saúde, do bem-estar, do que é justo e adequado para todos, cuidando do bem comum. E relaxemos, sem perder o contentamento, em relação àquilo que não pode ser mudado.

Evitemos, o tempo todo dentro do que nos for possível, projetar nessas mudanças a capacidade, que já reconhecemos que elas não têm, de nos fazer felizes. É isso. 

Namaste!"
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