30 de junho de 2014

Turquia deslumbrante!!


Meus queridos (as )!! 
Acabo de regressar de uns lugares mais incríveis que já visitei. Fiz uma viagem incrível pela Turquia e Capadócia, DIVINOS!! 
Tivemos o privilégio de sermos guiados pelos queridos Esra Duru e Erdal Turan, que foram luz e alegria na nossa viagem. Agradeço de coração por tudo que vocês nos proporcionaram nestes dias maravilhosos!! 
Clique aqui e ouça Gülümcan - um hino de amor a Turquia

Começamos por Istambul, uma verdadeira efervescência!!
Lá se vê pessoas do mundo todo, misturadas, convivendo, Ocidente e Oriente estão em completa sintonia.
Centenas de Mesquitas com seus belos e imponentes minaretes, pássaros aos milhares voam no céu azul intenso, e os barcos no Bósforo, formam um poema vivo.


Em frente a Mesquita Azul
Interior da Mesquita Azul
Se respira uma mistura de história, especiarias, sonhos e fé, uma cidade belíssima, repleta de rosas, rosas e mais rosas, flores aos milhares, tulipas e os famosos cafés, sempre cheios e a alegria no ar... 
Ladeiras repletas de pessoas caminhando sorridentes, e o por do sol estonteante tendo ao fundo a Mesquita azul e a grande e bela Santa Sofia, é mesmo de tirar o fôlego.
Santa Sofia é a antiga basílica ortodoxa, que foi transformada em mesquita e atualmente é um museu. 
Mergulhar na atmosfera de devoção e todo o encantamento de milhares de peregrinos que vão ali anualmente renovar seus votos e sua fé.


Interior da Santa Sofia
Istambul é um poema vivo. Nada pode descrever a sensação de plenitude que senti ali. Movimento e repouso em perfeita sintonia... 
O silencio perene gerador de todos os sons, cores, sabores e sensações... 



Istanbul
Infinitamente belo, o Grande Bazar é um desafio aos olhos, cores infinitas, formas, objetos, sons, falas, diversão, negócios, tudo acontecendo ao mesmo tempo, e o mesmo silencio profundo permeando todas as falas. O mercado das especiarias é perfume inebriante, doces turcos dos mais diversos, temperos, chás, e um encantamento dos sentidos que nos faz viajar...
Conheci o delicioso café turco, o suco de romã e o famoso azeite de romã! 
Deliciosos!!


No Grande Bazar
Partimos para a região da Capadócia ou Kapadókia!!!
Lá se sente o puro silencio, silencio absoluto... e paz...
Lugar os primeiros cristãos encontraram um local para viver, e ali criaram as primeiras igrejas, cavadas nas rochas. Ainda hoje pode se ver a beleza e a simplicidade com que viviam.

A Capadócia é uma das melhores regiões do mundo para se voar de balão, e posso garantir, que voar de balão no raiar do dia foi uma das experiências mais sublimes que já vivi. Suavidade absoluta, sendo levado apenas pelo ar quente, flutuando sem nenhum ruído, e vendo ao longe os primeiros raios de sol, sentindo a natureza acordando, nos dando as boas vindas... cercada de amigos, pudemos mergulhar neste momento mágico em que tudo está perfeitamente incluído. 

Ver do alto aquelas imensas formações de pedra, que nos pareceram tão pequeninas lá de cima, e ao horizonte infinito dar graças pela vida e pelo instante... pura emoção... amor e gratidão infinita...


Capadócia vista do balão

Maravilha!! :)
Pude meditar no mausoléu de Mevlana Rumi, em Konya, e sentir o quanto sua luz, sabedoria e poesia são eternas, seus ensinamentos e belezas que deixou, permanecem vivos nos corações de milhares de pessoas. 

Rumi é pura luz, e estar ali, sentir sua presença foi um imenso presente...

Mausoléu de Mevlana Rumi em Konia
Fomos a uma meditação Sufi, ( o giro Sufi ) dos Dervixes, simplesmente divino. Silencio absoluto, em meio ao giro do Universo dançante... nenhuma explicação é possível, apenas se sente a fluidez do amor e da gratidão acontecendo fora, enquanto o silencio perene permanece intocável...


Dervixes


Meditação dos Dervixes rodopiantes na Capadócia

Partimos para Pamukkale e suas piscinas naturais lindíssimas! Águas termais em uma formação geológica belíssima!!
 Encantos naturais da Turquia, fascínio para os olhos, para o corpo e a alma...



Pamukkale e suas piscinas naturais
De lá partimos para Éfeso, um museu a céu aberto, belíssimo!!! Passear pelas ruas da antiga Éfeso, descobrir sua história e suas belezas ainda tão preservadas, foi uma surpresa para todos nós... 


Éfeso
Visitamos a casa onde segundo historiadores, a Virgem Maria, mãe de Jesus viveu seus últimos dias, juntamente com São João. 
Um lugar simples, mas belo, com uma atmosfera serena e pacífica.
Se sente uma doçura no ar... 


Casa de Nossa Senhora em Éfeso
De lá fomos a Tróia, uma cidade moderna, lindíssima, que guarda as relíquias históricas da antiga e famosa Tróia. Aprendi que na verdade existiram 9 Tróias, isso mesmo! uma sobre a outra, e que as escavações tem muito ainda para se descobrir. Uma beleza!

Aprendemos muito sobre a fabricação dos tapetes persas, toda a produção de seda e tingimento dos fios de seda; os belos artesãos que criam jóias lindíssimas com as famosas turquesas turcas, que são as mais belas do mundo.

Chegamos a Çanakkale e atravessamos o estreito de Dardanelos de ferry boat, também um lugar de sublime beleza.

A Turquia deixa em mim um profundo sentimento de amor e de gratidão... 
Silencio e Celebração... 
História e Atualidade... 
Aventura e Paz...

Poder estar ali, mergulhar naquela cultura, sentir todo o clima de espiritualidade, de silencio, de fé, de história, sentir o gosto da aventura, de experimentar coisas novas e conhecer pessoas maravilhosas vai ficar para sempre gravado na minha alma e no meu coração...

Agradeço a Esra e Erdal por todo carinho conosco, e espero de coração poder encontrá-los em breve!


Nossos queridos Esra e Erdal - Gratidão!
Amigos queridos!! Saudades!!!
Aos queridos amigos e companheiros de viagem: Ao meu amado Ricardo, Clara, Claudia, German, Ana Lúcia, Silvia, Socorro, Felipe e Sônia beijos carinhosos nos corações de vocês!! 
Agradeço ter conhecido cada um de vocês e ter podido experimentar tantas belezas juntos!!

Obrigada Turquia!
Espero nos vermos em breve!!

Eğer Türkiye'yi ederiz! 
Sanırım yakında bizi görmek umut!  :)

Amor 
Lilian

29 de junho de 2014

Aquele que procura...


"Disse Jesus:
Aquele que procura, 
continue sempre em busca,
até que tenha encontrado;
e quando tiver encontrado,
sentir-se-á perturbado;
sentindo-se perturbado,
ficará maravilhado,
e reinará sobre Tudo."
Evangelho de Tomé - logion 2

Neste logion do Evangelho de Tomé, Jesus em sua profunda sabedoria, nos aponta os estágios da verdadeira busca espiritual; nos mostra o processo, de um verdadeiro caminho iniciático.

Aquele que procura...

A procura de Deus, da Verdade, um belo dia nasce em nossos corações. Se torna tão intensa, tão vívida, tão forte, que somos tomados por ela. Nada, nenhum valor supera essa busca. Tudo o que o mundo nos oferece, seja em termos materiais, intelectuais, afetivos, nada, nada mesmo consegue ofuscar a força dessa busca de Deus em nossas vidas.
Veremos depois, que esta busca não parte de nós, mas é a própria Vida, buscando a Si mesma... em nós..

Procurar e manter-se em busca... 

Quando a busca é verdadeira, e não meramente uma vaidade, uma curiosidade, ela se mantem, e se aprofunda, se desdobra...não desiste...
É como o ar que respiramos. Ao mesmo tempo uma necessidade e um êxtase; um sentimento de estar buscando a si mesmo, onde nenhuma resposta é suficiente, nenhuma explicação cabe... a experiência vivida é infinitamente superior a qualquer teoria...precisamos nos manter em busca...

Ao longo da busca, muitas situações nos confundem, e acreditamos que encontramos, ou que estamos perto de encontrar. Mas o próprio tempo, se encarrega de nos mostrar que ainda não encontramos verdadeiramente. Ainda estamos nos jogos mentais, ainda estamos tomando o falso por verdadeiro. E isso pode nos fazer fraquejar ou pode nos fortalecer na busca ainda mais...
Buscar é ir se abrindo, abrindo ao que já é presente, mas que ainda não é reconhecido...
Não é um acúmulo de conhecimentos, experiências, mas é mais um esvaziamento de tudo que teimamos em carregar, teimamos em acreditar...teimamos em nos enganar...


Continue sempre em busca,
até que tenha encontrado...

Abrir-se aquilo que É, nos tira dos jogos da mente, e em um instante nos deparamos com o momento presente, com aquilo que sempre esteve aqui bem diante dos nossos olhos - a Pura Presença... 
Nada a se alcançar, nada a se buscar... 
Tudo já É absolutamente vivo no meio de nós... em nós... e através de nós...

E quando tiver encontrado,
sentir-se-á perturbado...

A experiência do encontro do Ser é tão simples e ao mesmo tempo tão perturbadora, pois põe por terra todos os nossos conceitos, crenças, dogmas, "verdades"... tudo aquilo que nos foi dito, todas as projeções, idealizações... tudo simplesmente cai, deixa de ter importância...

A Verdade é encontrada, quando o falso é visto como falso...

A Verdade simplesmente é reconhecida...sempre esteve absolutamente presente em nós, em tudo e em todos, - nós somos ela, e ela é cada um de nós - mas ao mesmo tempo toda essa maravilha e encantamento nos deixa perturbados, pois então vemos como nos enganamos com sombras e sonhos...
como sofremos com nada, como tomamos o falso por verdadeiro, como nos deixamos levar por conceitos, pensamentos, formas... isso é muito perturbador...

Alguns ao se depararem com essa descoberta, são tomados de um profundo amor-gratidão, que transborda em nossos corações por tamanha beleza onipresente...
Outros simplesmente caem em profundas gargalhadas, quando se deparam com a Verdade... aquilo que É, nenhum objetivo, nenhuma meta, nenhum esforço, nenhum sacrifício, nada... já somos ( e sempre fomos!! ) aquilo que procuramos!!
O buscador é o buscado!!!

Ficará maravilhado,
e reinará sobre Tudo...

Este maravilhamento perene é a "prova" de que a busca terminou...
Encontramos aquilo que procurávamos. 
Encontramos a nós mesmos... o Ser...bebemos da Fonte, jamais teremos sede novamente...
Alcançada a Fonte, os desejos se dissolvem, e não somos mais reféns de nenhuma falta.. tudo transborda em abundância e plenitude...
A beleza, bondade, bem-aventurança são nossa própria essência, e a essência de todos os seres...

Acordar para esta maravilha nos liberta de todo sofrimento, e nos abrimos ao amor incondicional, abrimos à confiança plena, onde a compaixão, o amor, a alegria, a comunhão e a paz são absolutamente vivos e presentes em nossas vidas... 

Isso é Reinar sobre Tudo...  

Não somos donos de nada, nada nos pertence, nós é que pertencemos a Vida... 

Somos a Vida, tudo se torna um verdadeiro milagre...estamos em casa...

Na realização vemos que tudo é Um, vemos que nenhuma divisão nunca foi real, vemos que tudo é absolutamente complementar, vemos que pertencemos a este mundo, a este Universo... não somos estrangeiros, nada está fora, tudo é aceito, amado e cuidado como é.

A Unicidade acontece em nós, e não existe mais "eu" ou "você"... mas a Vida, Deus acontecendo... o Amor se fazendo...o Amor se revelando...

Apaziguados coração e mente, eis que se abre a flor da Consciência Unificada, cuja morada é a Paz...
Nesta comunhão...em Pura Presença do Ser...
Repousamos...

Amor
Amidha Prem

27 de junho de 2014

Mente e Amarguras - Osho


"A mente é um depósito de amargura. Ela coleciona sons, feridas, insultos. E fica remoendo isso durante anos.

Os psicólogos sabem que uma coisa dita quando você tinha apenas quatro anos de idade pode ter deixado uma ferida tão profunda que ela ainda esteja
presente, uma ferida aberta. Você não permite que ela seja curada. Continua
mexendo na ferida, de forma que ela não cicatriza porque você a está recriando, nunca lhes dá uma oportunidade de cicatrizar por conta própria.

Se olharmos para nossa mente, ela nada mais é do que uma sucessão de feridas.

Então a vida se torna um inferno, pois só recolhemos os espinhos. 

Alguém pode ter sido carinhoso com você durante anos, pode ter sido gentil e amoroso, mas basta essa pessoa dizer uma coisa que o machuque e todos esses anos de amor e amizade desaparecem. 

O que ela disse, esse pequeno evento, se torna muito importante, passa a valer mais que todo o resto que ela já fez. Você irá se esquecer completamente de seu amor e sua amizade, assim como de todos os sacrifícios que fez para você.

Se lembrará apenas daquilo que o feriu, e desejará se vingar. 

Esse é o caminho da mente. A mente funciona de forma muito feia. Não possui qualquer graciosidade. Transcenda-a, e você terá superado toda a amargura. Quanto mais você se distanciar da mente, mais doce será a sua vida, doce como o mel.

A meditação é doce, a mente é amarga.

Passe da mente à meditação. Ultrapasse a mente.

Não seja controlado ou dominado por ela: seja um mestre. Nesse caso, a
mente estará bem, você poderá usá-la.
Uma vez que você saiba o que é a meditação, que saiba como existir sem a mente, você pode usá-la sem que a mente use você. Esse é o momento a
partir do qual sua percepção de mundo passa a ser alterada por dentro, quando a rebelião ocorre, quando a fragrância é liberada."
Osho em Meditações para a noite

25 de junho de 2014

Osho fala sobre o Zen


"Osho, não entendo a filosofia do Zen. O que devo fazer para entender?

Zen não é uma filosofia. Partir do princípio que Zen é uma filosofia é pegar o caminho errado logo no início. Filosofia é algo da mente; Zen é totalmente fora da mente. Zen é um processo de se ir acima da mente, longe da mente. Zen é o processo de transcendência, a transcendência da mente. Você não entende pela mente, a mente não tem nenhuma função nisso.

Zen é a dimensão da não-mente, isso precisa ser lembrado. Não é Vedanta. Vedanta é uma filosofia; você pode entender perfeitamente bem. 
Zen também não é Budismo; Budismo também é uma filosofia.

Zen é uma flor muito rara - é uma das coisas mais estranhas que já aconteceram na história da consciência - é o encontro das experiências vividas por Budha e as experiências de Lao Tzu. Afinal, Budha fazia parte de uma herança indiana; ele falava a linguagem da filosofia; ele era perfeitamente claro, você podia entender o que ele dizia. De fato, ele evitava questões metafísicas; ele era muito simples, claro, lógico. Mas sua experiência não vinha da mente. Ele estava tentando destruir a sua filosofia, dando a você uma filosofia negativa. Da mesma maneira que você retira um espinho da pele com outro espinho; o esforço de Budha era tirar a filosofia de sua mente, com outra filosofia. Primeiramente, se retira um espinho, depois o outro, e você estará além da mente.

Mas, quando os ensinamentos de Budha alcançaram a China, uma tremenda beleza aconteceu. Na China, Lao Tzu havia dado sua experiência do Tao, de uma maneira completamente não-filosófica, de uma maneira absurda, de um modo ilógico. Mas quando meditadores Budistas, místicos Budistas, encontraram os místicos Taoístas, eles imediatamente compreenderam uns aos outros, coração a coração, e não mente a mente. 
Eles puderam sentir a mesma vibração, puderam ver o mesmo universo profundo que se abriu, puderam sentir o mesmo perfume, a mesma fragrância. E eles se aproximaram uns dos outros, pois alguma coisa nova havia nascido ali. Isto é o Zen. Ele tem a beleza de Budha e a beleza de Lao Tzu; é filho dos dois. Um encontro que nunca havia acontecido antes.

Zen não é nem Taoísta e nem Budista. É os dois e nenhum dos dois. Daí as tradições Budistas rejeitarem o Zen, e as tradições Taoístas também rejeitarem. Para o Budista tradicional é um absurdo, para o Taoísta tradicional é muito filosófico, mas o que realmente interessa a ambos é a meditação. Zen é uma experiência. Não é nem absurdo nem filosofia, porque ambos são termos mentais. Zen é pura transcendência. [1] 

O Zen é severo. É um caminho árduo. Não é um jogo que você possa brincar; é como se brincar com fogo; você jamais será o mesmo depois que entrar no mundo do Zen. Você será completamente transformado, a ponto que você não mais se reconhecerá. 
A pessoa que entra no mundo do Zen e a pessoa que sai, são duas pessoas completamente diferentes, Não existe nenhuma continuidade, existe uma descontinuidade com o passado. Todas as continuidades vem da mente; toda identidade vem da mente; todos os nomes, todas as formas, tudo isso é mente. Quando se salta a mente, imediatamente uma descontinuidade acontece com o passado - não só com o passado, você se desconecta do tempo.

A este é o segredo do Zen: ser desconectado do tempo. Então, você se conecta com a eternidade. E eternidade é aqui e agora; eternidade não conhece nenhum passado, nenhum futuro; eternidade é pura presença. 

O tempo não conhece o presente - tempo é passado e futuro. Normalmente pensamos que o tempo se divide em três categorias: passado, presente e futuro. Isto é absolutamente errado. 
Tempo é dividido somente em duas categorias: passado e futuro. O presente não é parte do tempo de modo algum. Apenas veja, apenas observe. Quando se diz: Sim, este é o momento presente, ele já se foi, já é passado. Ou então, se você diz: Isto vai ser presente, isso é futuro. 
Você não pode reconhecer o presente, não se pode pontuar o presente, não se pode indicar o presente. No mundo do tempo, não existe presente." [2]

O Zen diz: A Budeidade não é lá. Apenas sente e desfrute. Você já é isso! Logo, você não precisa ir a lugar algum; apenas fique um pouco alerta e você descobrirá quem é. Isto já está acontecendo! Nada precisa ser alcançado, nada precisa ser feito. Apenas uma coisa: tornar-se mais alerta sobre quem você é.

O Zen é ensinado, não por palavras. O Zen é ensinado não por objetivos. O Zen é ensinado por pontos diretos. Ele te atinge diretamente. Ele cria a situação, ele cria a estratégia.

Um homem foi ter com um mestre Zen e lhe perguntou: Gostaria de me tornar um Budha. E o mestre lhe bateu com força na cara.
O homem então, ficou desorientado. Ele saiu correndo, e perguntou a um discípulo antigo: Que espécie de homem é esse? Eu perguntei uma coisa simples, e ele ficou com tanta raiva. Ele me bateu com força! Minha bochecha ainda está vermelha! 
Qual o problema em se tornar um Budha? Este homem parece ser cruel e violento!

E o discípulo deu uma gargalhada. Ele disse: Você não entende a compaixão que ele teve por você. Foi por compaixão que ele te bateu. E ele é velho, tem noventa anos; pense como a mão dele deve estar doendo mais que suas bochechas! Você é jovem. Veja a sua compaixão, seu tolo!! Volte!

Mas, o homem perguntou: Mas o que significa isso?
E o discípulo disse: A mensagem é simples. Se Budha chegasse e perguntasse como se tornar um Budha, o que você faria? Você poderia bater nele para que ele acordasse, se lembrasse que ele já é Budha. Veja que coisa mais sem sentido você está perguntando!

É como uma roseira ficar tentando ser uma roseira, vai enlouquecer. Ela já é uma roseira. Você deve ter esquecido. O Zen diz que você está em um estado de sonambulismo, você se esqueceu quem você é, e isso é tudo. Nada precisa ser feito, apenas lembrar. 

É isso que Nanak chama de SURATI, Kabir chama de Surati - apenas se lembre. Você precisa apenas lembrar quem você é!

Então, Zen é passado não por palavras, não por textos e escrituras, não por teorias, mas direto ao ponto, nos enlaça em um jogo cuja única resposta é um novo nível de consciência.

Ouvindo esta história você compreenderá como o Zen cria situações. O Zen é muito psicológico. Os problemas são psicológicos - você tem que simplesmente esquecer; não é necessário se ir a lugar algum. Você apenas caiu no sono. O Zen funciona como um alarme. Ele bate em você, bate tão fundo no seu coração que você desperta."[3]

[1] Osho Walking in Zen
[2] Osho em Dand Dang Doko
[3] Osho em Zen: The Path of Paradox

23 de junho de 2014

Intelecto e Emoção - Osho


"O problema real não é usar em excesso a inteligencia, mas o não-uso da emoção. Emoção é completamente desprezada em nossa civilização, logo o equilíbrio é perdido, e se desenvolve uma personalidade desequilibrada.

O equilíbrio da emoção e intelecto deve ser mantido na proporção adequada, se não a personalidade fica doente. É como se se usasse apenas uma perna. Você até pode fazê-lo, mas não te leva muito longe, você se cansa.
A outra perna deve ser usada. 

Emoção e inteligência são como duas asas: quando se usa apenas uma asa, o resultado é frustrante. Então, a benção acontece quando se usam as duas asas simultaneamente, em balanço e harmonia.
Não tenha medo de usar demasiadamente a inteligência. Só quando a inteligência é usada, você toca a profundidade; só assim seu potencial é estimulado. O trabalho intelectual não significa que sua inteligência está sendo usada. Trabalho intelectual é meramente superficial; nenhuma profundidade é tocada, nenhum desafio. Isso dá origem ao tédio; isso cria o trabalho sem prazer. O prazer sempre vem, quando sua individualidade é desafiada e você tem que provar a si mesmo e responder ao desafio.
Quando desafiado, inteligência ou emoção, ambos criam suas próprias bençãos.

Uma personalidade esquizofrênica é quando apenas uma parte da personalidade está funcionando, e a outra está morta. Então, a parte que trabalha começa a não trabalhar bem, porque fica sobrecarregada.

Personalidade é a Totalidade e não existe divisão alguma. 

Na verdade, toda a personalidade é uma energia que flui. Quando a energia é usada de maneira lógica ela se torna inteligência, e quando não é utilizada de maneira lógica mas emocional, ela se torna o coração. São duas coisas separadas; a mesma energia fluindo através de dois canais diferentes.

Quando não existe o coração, mas apenas o intelecto, você não consegue relaxar. Relaxar significa que agora a mesma energia interna está fluindo por um canal diferente. Relaxamento não significa ausência de trabalho, significa que o trabalho está acontecendo em uma dimensão diferente. Em seguida, a dimensão que é sobrecarregada, relaxa.

A pessoa que segue uma busca intelectual de forma contínua, nunca relaxa. Ela não desvia sua energia para outra dimensão, por isso sua mente continua trabalhando desnecessariamente, em apenas uma direção.

Isso cria o tédio. Pensamentos e mais pensamentos vêm e vão; a energia é difusa, desperdiçada. Você não pode apreciá-la. Pelo contrário, você fica desapontado e revoltado com esse fardo desnecessário. Mas não é culpa nem da mente, nem do intelecto. Porque a dimensão alternativa não foi fornecida, porque não existe outra porta aberta para ela, a energia continua circulando em círculos dentro de você.

A energia nunca pode ficar estagnada. Energia significa que não está parada, estagnada, está sempre fluindo. Relaxamento não significa energia estagnada ou dormindo; cientificamente, relaxamento significa que agora a energia está fluindo através de outro canal, uma outra dimensão - que entrou em outra sala.

Por exemplo: se você trabalha em um problema científico, então você pode relaxar lendo um romance. O trabalho é diferente; para lidar com um problema científico é necessário ser ativo, um modo masculino - que para ler um romance é ser passivo, que é um modo absolutamente feminino. Mesmo que você esteja usando a mesma mente, você vai estar relaxado, porque é o polo oposto da mente que está sendo usado. Você não está resolvendo nada, você não está ativo; você é apenas um receptor, que recebe alguma coisa. A dimensão é a mesma, exceto que a emoção, o polo oposto está sendo colocado em uso.

Do mesmo modo, quando amamos, o intelecto não entra no jogo. Muito pelo contrário: a parte irracional da sua personalidade entra em ação. A inteligência deve ser equilibrada pelo amor, e amor deve ser equilibrado pela inteligência. Normalmente, esse equilíbrio não é encontrado em qualquer lugar.

Se alguém está apaixonado e começa a negligenciar todas as atividades intelectuais, isso também vai criar tédio. Mesmo o amor torna-se uma tensão, se for um caso de vinte e quatro horas por dia. Uma vez que o desafio é perdido, o prazer também será perdido: o jogo será perdido e se tornará apenas trabalho. A mesma coisa acontece com um intelectual que negligencia o lado emocional de seu ser.

Essas duas partes, estes dois polos, devem estar em equilíbrio, só então é um ser humano integrado e individualizado nasce."
Osho em The Great Challenge, Talk #5

21 de junho de 2014

Nos encontramos - Thich Nhat Hahn


"Este corpo não sou eu.
Eu não sou limitado por este órgão.
Eu sou a vida sem limites.

Eu nunca nasci,
e eu nunca morri.

Olhe para o mar e o céu cheio de estrelas,
manifestações de minha mente, 
verdade maravilhosa.

Desde antes dos tempos, eu sou livre.
O nascimento e a morte são apenas 
portas pelas quais passamos, 
limiares sagrados 
no nosso caminho.

Nascimento e morte são um jogo de 
esconde-esconde.

Então ria comigo,
segure a minha mão,
vamos dizer adeus,
despedir-se, 
reunir-se novamente 
em breve.

Nós nos encontramos hoje.
Nós vamos nos encontrar novamente 
amanhã.
Nós vamos nos encontrar na fonte a 
cada momento.
Nós nos encontramos uns aos outros em 
todas as formas de vida."
~Thich Nhat Hanh~

19 de junho de 2014

Olhos de Buda e Nirvana...


"Nirvana quer dizer “sem fogo”. “Fogo extinto” ou, “sem vento das paixões”. 

Nirvana é a mesma coisa que Samsara. Samsara é Nirvana. Samsara é o mundo da perambulação, onde andamos de lugar para lugar, procurando a felicidade ou satisfação. 

Nós procuramos, andando sem fim, procurando e trocando. Uma casa nova, um carro novo, etc, procurando, procurando, sempre trocando, isso é samsara. É o mundo rodando e você procurando a solução e satisfação de problemas sempre novos.

Vão sempre surgir, porque é característica desse mundo mutante. 

O que faz essas sensações todas, são o “vento das paixões”. E nós somos como folhas tocadas pelo vento das paixões.

NIR é uma partícula negativa e VANA é o fogo das paixões. 

Então podemos traduzir como “Fogo extinto, ou sem ventos”, e, na analogia que estou fazendo, não tem vento para empurrar a folha de lado pra lado. 

Não tenho paixões mundanas, então de repente surge uma grande calma, porque não importa. Atrasou, atrasou, perdeu o avião, perdeu o avião, tem comida tem, não tem comida, não tem. Perdi tudo que tinha, perdi tudo que tinha. Ganhei bastante, ganhei bastante. 

As paixões não estão empurrando, então o mesmo lugar que é Samsara, é Nirvana.

O que mudou é a maneira de ver. 

Você tira os seus olhos, que vêm o Samsara, e troca pelos olhos de Buda, olha com uma mente iluminada e aí aquilo que era Samsara, virou Nirvana. 

Então Samsara não é um lugar. E Nirvana também não. Não dá pra “ir” para o Nirvana. 
Você muda a si mesmo e aí, este lugar torna-se Nirvana.” 
-Monge Genshô, em Sutra do Coração da Sabedoria, pelo Daissen Zendô

17 de junho de 2014

Movimento e Repouso...



"Disse Jesus:
Se vos perguntarem: donde sois?
Respondei:
Nós nascemos da Luz, do lugar onde a Luz se faz, a si mesma, ela se mantém ereta, e se manifesta em sua própria imagem.
Se vos perguntarem: Quem sois?
Respondei:
Nós somos seus filhos e os bem-amados do Pai, o Vivente.

Se vos perguntarem:
Qual é o sinal de vosso Pai que está em vós?
Dizei:
É o movimento e o repouso."
Evangelho de Tomé - Logion 50

Hoje vamos aprofundar os belos ensinamentos deste Logion do Evangelho de Tomé.

Disse Jesus:
Se vos perguntarem: donde sois?
Aqui Jesus aprofunda sobre a nossa Origem, nossa Fonte primordial. Donde Sois? Qual é a fonte da qual viemos? Nascente... O lugar que é um não-lugar, mas uma dimensão, como ele aponta logo em seguir..

Respondei:
Nós nascemos da Luz, do lugar onde a Luz se faz, a si mesma, ela se mantém ereta, e se manifesta em sua própria imagem.

Luz, com "L" maiúsculo, dimensão da pura Consciência, o Espírito infinito..
Do lugar onde a Luz se faz a si mesma - origem, criação, - se mantém ereta, manutenção, e se manifesta em sua própria imagem - manifestação através das inúmeras formas. 

A Luz é a Consciência, a Totalidade. Criação, manutenção, manifestação. 

O Absoluto manifesto, sempre presente. A fonte É sempre presente, viva através das suas infinitas formas e dimensões aparentes. Aquilo que vemos, que percebemos, são seus reflexos, percebemos sua manifestação, mas se aprofundarmos o olhar, se estivermos plenos centrados no nosso coração, veremos a pura Luz, Consciência, seja onde for, seja como for.

Notem que A Luz se mantém ereta.. A Luz se mantém pura, perfeita, intocada... ela não é "contaminada" por qualquer de suas imagens. O espelho simplesmente reflete, não é contaminado pela imagem refletida. 
Da mesma forma, a Luz da Consciência permanece intocada, pura, cristalina, em todas as suas imagens manifestas.
Tudo o que existe é a Luz se apresentando, se revelando para Si mesma na criação. Não existe nada que não seja a Pura Luz, a Consciência...

Se vos perguntarem: Quem sois?
Respondei:
Nós somos seus filhos e os bem-amados do Pai, o Vivente.

Quem sois? Qual sua família?
Somos seus filhos, e os bem-amados do Pai, o Vivente. O amor é vivo na nossa fonte filial, somos os bem-amados do Pai, um Pai que não é uma "pessoa", mas a própria Vida. 
O Vivente é a Existência inteira, viva, radiante, esplendorosa, o Vivente é a própria energia da Vida. Em tudo que se encontra, aí está o Vivente, em cada átomo da criação... Em cada pedra, planta, em cada animal, em cada Ser humano o Vivente...sempre o Vivente...

Nada está fora dessa Sinfonia da Vida, o Vivente se manifesta e se revela em tudo e em todos. Tudo e todos são aspectos manifestos, aparentes, do Vivente...
Somos seus filhos bem amados...
É o Amor do Vivente que nos cria e mantém. O Amor é a revelação da Pura Luz na realidade...

E qual é o sinal dessa filiação em nós?
Qual é o sinal de vosso Pai que está em vós?
Dizei:
É o movimento e o repouso."
O sinal dessa filiação é o movimento e o repouso. 
A Totalidade acontecendo pela integração dos aparentes "contrários", pela não- dualidade, pela Totalidade.

Quando compreendemos que na existência não existe contrário, não existe antagonismo, que tudo é absolutamente complementar, integrado, pertencendo, saímos das ideias da mente divisora, e mergulhamos na fonte Luminosa, que é Total.

Nada fora, nada excluído, movimento e repouso dançando sua dança eterna...e amorosa...
O Tao nos revela essa verdade. Yin e Yang em sua dança eterna..onde um tem origem no outro e dá origem ao outro.. o Todo permanece imóvel, intocado...

Lao Tzu já diz: Só existe movimento no Tao porque o Tao permanece imóvel... Todo movimento existe porque "algo" se mantém absolutamente imóvel, como o eixo da roda, sustentando todo e qualquer movimento...
Movimento e repouso...
A essência de toda criação é puro silencio e paz...

Neste Logion, Jesus nos aponta belos e profundos ensinamentos, usando uma linguagem acessível, com elementos próprios de seu povo, mostra uma Verdade plena, presente, aquilo que se encontra bem a nossa frente, em cada batida do nosso coração, em cada respiração...

Viemos da Luz-Consciência, somos mantidos por ela, e nela manifestamos a bela dança dos complementares...movimento e repouso... inspiração e expiração...inverno e verão...vida e morte...

Luz-Consciência acontecendo, 
Luz-Consciência se manifestando, se revelando...
Luz-Consciência Viva...sempre aqui e agora...sempre presente...
A Fonte é Sempre Presente...Tudo é a Fonte manifesta...
Deus e a criação são Um...
Movimento de Vida e Amor.. 
Repouso de Silencio e Meditação...

Amor
Amidha Prem

15 de junho de 2014

Onda da Vida - O.M Aïvanhov


"Onda da Vida é o momento em que há rendição total do Ser. 
Do mesmo modo que um artista que irá pintar, ela pode se expressar na poesia, na música, na dança. 

A Onda da Vida acontece nesses momentos. É justamente durante o trabalho de criação que Ela pode se manifestar integralmente. Há artistas conhecidos que descreveram Isto. Hoje, esses artistas podem, particularmente, senti-la tão profundamente, pois são absorvidos, de alguma forma, pelo ato criativo. 

A Onda da Vida se manifesta para eles, exatamente neste momento.
E ISTO pode acontecer exatamente conosco, pois também temos ISTO na vida e assim também estamos disponíveis para surfar na onda da vida.

Não há mais tempo para limitar ou restringir a Luz em cada um, principalmente nos momentos privilegiados, quando estamos alinhados, quando estamos conectados em meditação, ou em oração.
Cada minuto da vida, de hoje em diante, devemos nos exprimir pela Onda da Vida. Somos a Onda da Vida, portanto todos devem, cada vez mais (e isso é natural), habituarmos a deixar exprimir, em cada um, o que é o mais espiritual, o mais elevado.

Trata-se de uma negação a individualidade e a personalidade. Negação ao ego e ao que é limitado. "Não" ao que reage sem parar, assim que há a menor contrariedade. Porque, em última análise, é sempre o ego que reage.
Se nós percebermos, antes de falar, antes de reagir, antes de ficar com raiva, e permanecer (alguns breves instantes, algumas respirações, alguns minutos, não importa) à escutar a Onda da Vida (não para buscá-la, sem constrangimento, mas simplesmente aí, no Aqui Agora, a Onda da Vida pode fluir em vocês.
E, naquele momento, tudo o que vocês expressarem, tudo o que vocês manifestarem, será procedente da Onda da Vida que vocês são. E não da personalidade que vocês creem ser. É um aprendizado que vai ocorrer naturalmente.

Simplesmente, entre no campo da observação sobre o que acontece, alguns segundos, alguns minutos (qualquer que seja o tempo que isso dure), e o mais importante: jamais julguem. Porquê, o menor ato, a menor pessoa, o menor elemento que vocês julgarem, vocês se auto-condenam, e afastam a Onda da Vida de vocês mesmos.
Porque, mesmo se alguma coisa lhes parecer aberrante e lhes parecer injusta, em última análise, quem vê a situação? É sempre o mental. É sempre a personalidade.

Mas a Onda da Vida, é natural. 
A única coisa que não pode extingui-lo, mas que o afasta, temporariamente, é o julgamento.
Então, por mais que vocês digam que vocês são amor, que vocês amam todo mundo, pode ser uma falsidade, pois se houver o menor julgamento, se vocês condenarem quem quer que seja, vocês se condenam a si próprios.

Pergunta: eu me sinto disperso, particularmente nas minhas atividades criativas. Isso atrapalha a realização da minha missão?
A única missão para realizar é viver a Onda da Vida.
Vocês não são os autores, muito menos a sua identidade.
Vocês não são a menor das suas projeções no exterior. Isso não quer dizer que é preciso ficar como um vegetal: sentar e, então, esperar.

O que você denomina esta noção de estar fragmentado é apenas uma visão limitada do que nós chamamos de deslocalização ou separação.

Se vocês adotam o ponto de vista da personalidade, vocês dizem: “como, eu não posso mais fazer o que eu estava prestes a fazer; eu não posso mais realizar a minha missão?”.

Não há missão.
Não há evolução.
Há, apenas, que ser esta Onda da Vida.

Agora, vocês são livres para não ser a Onda da Vida, para desviar-se disso, para acreditar que há um combate entre os ímpios e os gentis, acreditar que há uma função a se realizar sobre esta Terra.
A Onda da Vida é tudo, exceto isso."
O.M. Aïvanhov em A Onda da Vida

13 de junho de 2014

Interdependência - Dalai Lama


"Reflita sobre o padrão básico de nossa existência. 

Para fazer mais do que apenas sobreviver, precisamos de abrigo, comida, companhia, amigos, respeito dos outros, recursos e tudo mais — essas coisas não surgem apenas de nós mesmos, são todas dependentes dos outros.

Suponha que uma pessoa fosse viver sozinha em um lugar remoto e desabitado. Não importa quão forte, saudável ou educada seja, não haveria possibilidade de ela levar uma existência feliz e satisfatória. (...)

Poderia tal pessoa ter amigos? Adquirir fama? Poderia se tornar um herói se quisesse? Acho que as respostas para todas essas perguntas é um definitivo não, porque todos esses fatores só surgem em relação a outros companheiros humanos.

Quando você é jovem, saudável e forte, às vezes tem a sensação de ser totalmente independente, de não precisar de ninguém. Mas isso é uma ilusão. Mesmo na flor da idade, simplesmente por ser humano, você precisa de amigos, não? Isso é especialmente verdade quando fica velho e precisa contar mais e mais com a ajuda dos outros. Essa é a natureza de nossas vidas como seres humanos.

Em pelo menos um sentido, podemos dizer que as outras pessoas são realmente a principal fonte de todas as nossas experiências de alegria, felicidade e prosperidade, e não apenas em relação a nossas interações diárias. É possível ver que as experiências desejáveis que cultivamos dependem da cooperação e interação com os outros; é um fato óbvio.
De modo similar, do ponto de vista de um praticante budista, muitos dos níveis elevados de realização que você atinge e do progresso que faz na jornada espiritual depende da cooperação e interação com os outros. Além disso, no estágio da completa iluminação, as atividades compassivas de um buda só podem se manifestar espontaneamente em relação a outros seres, já que são eles que recebem e se beneficiam dessas atividades iluminadas.
Mesmo de uma perspectiva totalmente egoísta – querendo apenas nossa própria felicidade, conforto e satisfação na vida, sem consideração pelo bem dos outros – eu ainda argumentaria que a realização de nossas aspirações dependem dos outros. Mesmo a execução de ações nocivas dependem da existência dos outros. Por exemplo, para trapacear, você precisa de alguém como objeto do seu ato.

Todos os eventos e incidentes na vida estão tão intimamente conectados com a vida dos outros que uma pessoa sozinha por si só não podem sequer começar a agir. Muitas atividades humanas ordinárias, positivas e negativas, não podem ser concebidas sem a existência de outras pessoas. Por causa dos outros, temos a oportunidade de ganhar dinheiro, se esse é nosso desejo na vida. Igualmente, na dependência da existência dos outros é possível para a mídia criar fama e descrédito por alguém. Sozinhos não podemos criar qualquer fama ou descrédito, não importa o quão alto gritemos. 

O mais perto que você vai chegar é criar um eco da sua própria voz.
Assim, a interdependência é uma lei fundamental da natureza.”
Dalai Lama em The Compassionate Life

11 de junho de 2014

O Coração tudo suporta - Gangaji


"Se você parar lá – Eu sou essa coisa crua, sem valor e não amável – parece inicialmente intolerável. Começamos a mentir em cima disso, ou aprendemos afirmações, ou então fazemos uma maquiagem… qualquer coisa que não seja encarar a inutilidade. 
Mas só depois que aquela aparente inutilidade essencial seja encontrada e experimentada na sua totalidade, você será capaz de conhecer a absoluta
verdade de quem você é.

Primeiro você tem que encontrar a verdade sobre o que é que é realmente buscado. O que você realmente quer? Liberdade e iluminação?
Realmente? Fale a verdade. Se você tiver liberdade e iluminação, o que ela vai te dar? Talvez a resposta seja, “Vai me dar respeito, ou amabilidade, ou fama, ou felicidade eterna, ou poder, ou alívio do sofrimento do mundo”. Ao dizer a verdade você pode descobrir o que é realmente desejado. Você descobre o que você quer que a iluminação lhe proporcione. Geralmente não é uma verdade bonita, mas é necessário revelá-la pra você mesmo.

Isso não é o fim. Há mais. Se você estiver disposto a dizer a verdade sobre que fama, que amabilidade, ou força você vai obter, você descobre o desejo por trás disso: pode ser algo como “todos irão me amar” ou “as pessoas finalmente verão quem eu sou e me darão o que eu quero”. E se você disser a verdade sobre o que isso vai lhe dar, então você começa a chegar perto de qual é realmente o desejo essencial.

Você está disposto a dizer toda a verdade até o fundo das profundezas? Está disposto a desnudar o que sua vida realmente é, onde sua atenção realmente está, em nome da iluminação ou da paz? Está disposto a ser honesto e ver o mecanismo que está funcionando por baixo de nossas orações por iluminação e paz? Essa é a oportunidade para encontrar o abismo; o enorme e mais evitado buraco da vida, a intimação que você seja pior do que inútil, que você seja realmente nada.

Nesse ponto, surge uma forte tentação de fugir para a superfície emocional. Pode aparecer um breve reconhecimento, e então uma volta à segurança da mentira. A mentira é mais confortável. Tem mais esperança, mais promessa. Imaginamos que se formos nada nós não existimos, e isso é horripilante. Então nós preferimos existir como algo inútil que talvez um dia possa desenvolver valor do que existir como nada.

Se você for sincero na sua intenção de realmente saber a verdade, e se você estiver disposto que esse conhecimento da verdade possa lhe dar nada além do que você mesmo – nenhuma fama, nenhum reconhecimento, nenhuma felicidade, nenhuma isenção, nenhum amor universal – se você quiser a verdade tanto assim, então você está disposto a cair no abismo, a encontrar o abismo com sua atenção total, a encontrar a verdade que você é nada.

O convite é apenas largar todas as mentiras. Soltar sua consciência sobre elas. Sinta o queimor, a dor, o ardor, o horror, a ilusão, a mentira e a tentação de enganar com mais algumas mentiras. “Meu Deus, sou pior do que tudo aquilo, pior que nada”. E lá está o segredo, a grande revelação.

Encontrar o abismo é o círculo completo. É voltar pra casa, voltar para si mesmo. O relato extraordinário de todos que encontraram o que o abismo traz de volta para você é que o nada que você é é consciência desperto, viva. Consciência desperta, viva e imersa em amor. Ser nenhuma-coisa, é tudo que você tem procurado para se definir como algo que vale algo, ou algo inútil. Tudo que você vinha procurando está aqui na profundeza do seu ser, debaixo de todas as mentiras. É o que tem sido procurado e escapado todo o tempo! É a simplicidade e a pureza de quem você, aqui agora e sempre.

A grandeza que é a consciência, o coração daquela espaçosidade que é sua verdadeira natureza, tem a capacidade de suportar qualquer idéia, conceito o sentimento que você pensa que você é. Cada limitação. Cada dimensão do inferno. Cada dimensão do paraíso. Tudo. 

O coração pode suportar tudo. Não importa qual seja sua história, não importa que circunstâncias você esteja, não importa quantas mentiras você se contou o encobriu, neste momento você tem a capacidade de voltar a si mesmo e descobrir a completa verdade do seu ser."
Gangaji em The heart can bear it all

9 de junho de 2014

Trabalho, caminho de realização - Tarthang Tulku


"A maioria das pessoas trabalha basicamente por causa do salário. É certo que o trabalho preenche também outras necessidades: a possibilidade de uma identidade profissional, a aprovação dos outros, uma sensação de domínio e poder, a interação social e a simples satisfação de manter-se ocupado. 

O que todas estas recompensas têm em comum é que são extrínsecas ao processo do trabalho em si.
Trabalhamos para realizar metas específicas, mas raramente encontramos valor no próprio processo de trabalhar.
Esta maneira de trabalhar gera empobrecimento em um nível muito profundo. Quando o trabalho como uma atividade não é valorizado por si, raramente trabalhamos com real satisfação ou com um sentido de profunda realização. Momentos como estes existem, mas logo passam, ficando apenas a lembrança de um bem-estar.(...)
Quando trabalhamos sem real satisfação, o trabalho é basicamente pouco compensador. temos que nos obrigar a fazer o que fazemos e este conflito interno conduz à exaustão do espírito e da mente, amortecendo nossos sentidos e privando-nos de encontrar prazer em outras áreas de nossa vida. Trabalhando com resistência, somos naturalmente ineficientes e nosso trabalho tende a caminhar em direção à mediocridade e ao fracasso, e não ao sucesso e à excelência.(…) 

Nós em geral pensamos que trabalhamos para nosso próprio benefício, mas de fato não somos muito hábeis em satisfazer nossas necessidades e desejos. Conformamo-nos com um estilo de vida no qual a maior parte do nosso tempo é dedicada a uma atividade que achamos apenas parcialmente compensadora. Buscamos a verdadeira satisfação fora do trabalho, deixando nossas vidas em suspenso durante o tempo em que estamos nos dedicando a ele. Buscando a alegria às margens da nossa vida, acabamos sustentando padrões negativos como vícios e escapismos. O trabalho pode nos dar formas temporárias de gratificação do ego, mas há uma outra parte de nós, mais profunda, que não está sendo nutrida. Não é à toa que tantas pessoas sentem que alguma coisa está desequilibrada em suas vidas.(…) 

A escolha de não usar o trabalho como um campo de treinamento não é uma opção real. Quando as pessoas deixam de aprender com as lições que o trabalho ensina, elas lançam as sementes para o fracasso e a insatisfação na vida prática e perdem a oportunidade de encontrar o verdadeiro significado e a profunda realização no campo espiritual. 

Talvez muitos de nós vivamos exatamente assim, mas não há motivos para que isto continue.

Quando o trabalho torna-se um caminho de realização e satisfação, nossas ações tornam-se cada vez mais significativas. Ultrapassamos a sensação paralisante que o tempo despendido no trabalho roubou-nos de nossos verdadeiros interesses, e readquirimos o controle sobre a metade de nossas vidas. Podemos então realmente tomar conta de nós mesmos. Em vez de nos preparar para decepções e frustrações, podemos satisfazer nossos melhores interesses em tudo o que fizermos.(…) 

As lições que aprendemos com o trabalho geralmente têm a ver com nossos erros e falhas, mas estas podem ser, de todas, as lições mais importantes. Talvez, o que percebamos sejam as maneiras pelas quais nos tapeamos ao trabalhar: as desculpas e a preguiça, a tensão e a preocupação, as desistências e os adiamentos. Se isto acontecer, podemos aprender muito com estas experiências.

Conscientes do que estamos fazendo, podemos criar a intenção de mudar e desenvolver a disciplina necessária para isto. Neste ponto, o trabalho torna-se nossa tábua de salvação para a transformação – o meio através do qual podemos desenvolver nosso modo de pensar, nossas atitudes, relacionamentos e ações.(…) 

O trabalho tem valor em todos os aspectos do ser humano. Através do trabalho, podemos encontrar um modo de viver rico e sadio, fundamentado na abundância da atenção plena, concentração e energia. A riqueza que surge com este modo de ser elimina para sempre a sensação de que nossas vidas estão empobrecidas. Sejam quais forem as circunstâncias externas, estamos prontos para prosseguir, caminhando firmemente para nossa realização.”
Tarthang Tulku Rinpoche - em Ensinamentos que vem do coração

7 de junho de 2014

Salmo do Eterno - Goethe



“Não se destinam os seres ao nada.
A essência eterna vive e obra em tudo, perenemente.
Aceita jubiloso a existência, porque a vida é eterna
E inquebrantáveis leis protegem os tesouros criados pelo universo.

A verdade desde há muito se vem revelando através do grandes espíritos.
Consagra-te a essa verdade.
Rende graças à sabedoria que traça o círculo do Sol e o mesmo faz com sua irmã Terra.

Volve-te para ti mesmo: no mais fundo de teu ser encontrarás um guia,
Ao qual um espírito nobre se confia sem reservas.
O recôndito de ti mesmo é um lugar onde nenhuma lei te pode faltar
Porque a consciência livre é o Sol de teu dia moral. Os sentidos também te orientam.

Com a inteligência desperta não te enganarão os erros.
Com ágil olhada observa e com passo seguro e modesto
Caminha através das planuras deste mundo tão rico de dons generosos.
Que tua alegria seja moderada na abundância e bendição;
Que a razão esteja presente quando a vida goza a vida.

Assim deixa o passado ser efêmero; assim o futuro é uma antecipação vivida;
Assim é presente a eternidade. E quando dessa forma modelares a tua alma;
Quando te cientificares de que somente é verdade aquilo que vivifica teu espírito,
Então observa o curso geral do mundo e junta-te à minoria.

Em todos os tempos o filósofo e o poeta preferiram trabalhar silenciosamente quando de suas criações.
Essa será tua felicidade, a mais invejável.
Gozarás de antemão os sublimes sentimentos que um dia hão de encher as mais nobres almas.”

Goethe em Salmo do Eterno

5 de junho de 2014

Compreendendo a Aceitação - Osho


"Primeiro tente entender o significado da expressão: "Aceitação daquilo que É.

Buda sempre usa muito essa expressão. Na linguagem dele, a palavra é tathata, aceitação daquilo que é. 

Toda a orientação budista consiste em viver essa palavra, em viver com essa
palavra com tamanha profundidade que a palavra desaparece e você se torna a aceitação daquilo que é.

Por exemplo, você fica doente. A atitude de aceitação daquilo que é consiste em aceitar a doença e dizer a si mesmo: “Tal é o caminho do corpo” ou “É assim que as coisas são”.

Não lute, não comece a travar uma batalha. Depois que aceitar, depois
que deixar de reclamar e parar de brigar, a energia passa a ser uma só
por dentro. A ruptura se desfaz e muita energia passa a ser liberada, pois deixa de haver conflito e a própria liberação da energia passa a ser uma força de cura.
Algo está errado no corpo: relaxe, aceite isso e simplesmente diga para si mesmo, não só com palavras, mas sentindo profundamente: Tal é a natureza das coisas. O corpo é um conjunto, muitas coisas se combinam nele. O corpo nasce e está propenso a morrer. Trata-se de um mecanismo complexo e há toda a possibilidade de uma coisa ou outra sair errada. Aceite isso e não se identifique. Quando aceita, você fica acima, você transcende. Quando luta, você desce para o mesmo nível. 

Aceitação é transcendência. Quando aceita, você fica sobre uma colina e o corpo é deixado para trás. 
Você diz: "Sim, tal é a sua natureza. O que nasce tem de morrer e, se tem de morrer, às vezes fica doente. Não é preciso se preocupar tanto." — fale como se isso não estivesse acontecendo com você, só acontecendo no mundo das coisas.

Esta é a beleza: quando não está lutando, você transcende e deixa de ficar no mesmo nível. 

Essa transcendência torna-se uma força de cura. De repente o corpo começa a
mudar. 
O mundo das coisas é um fluxo; nada é permanente ali. Não espere permanência! Se esperar permanência neste mundo onde tudo é impermanente, você provocará inquietação. Nada pode ser para sempre neste mundo; tudo o que pertence a este mundo é momentâneo. Essa é a natureza das coisas.
Se você relutar em aceitar um fato, viverá o tempo todo na dor e no sofrimento. Se você o aceita sem nenhuma queixa – não num estado de
impotência, mas de compreensão – , trata-se de aceitação daquilo que é.

Dali em diante você deixa de ficar preocupado e não existe mais problema.

O problema surgiu não por causa do fato, mas porque você não o aceitava
da maneira como estava acontecendo. Você queria que ele seguisse os seus
pensamentos.

Lembre-se, a vida não vai seguir você, você é que tem de segui-la. 
Com má vontade ou com alegria, a escolha é sua. 

Se você seguir com má vontade, sofrerá. Se segui-la com alegria, você se tornará um buda e a sua vida se tornará um êxtase."
Osho em Todos os Dias
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