12 de agosto de 2017

Sobre a necessidade de ser amado - Osho


"Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa, pode encontrar o parceiro certo.

Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz.
Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes.
E isso é bom, é natural.
É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas.

Está perfeitamente bem. Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes.
O semelhante atrai o semelhante.
Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.

Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se ele surgiu da infelicidade.

Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.

Não peça por um relacionamento a partir da solidão, não. Assim você estará indo na direção errada.
Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio.
E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo.
É imoral usar alguém como um meio. Primeiro aprenda como ser só.
A meditação é um caminho para ficar sozinho.

Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz.
Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira.
Assim surge uma necessidade de amar alguém.

Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada.
É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.

Uma criança nasce.
Naturalmente, a criança não pode amar a mãe;
ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai.
Ela está totalmente desamparada.
Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida.
Ela é somente uma possibilidade.

A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor.
Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar.
Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude
de que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda sua vida.
Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.

Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro:
que agora tenho que amar alguém. A necessidade de ser amado é infantil, imatura.
A necessidade de amar é maturidade.

E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não."
Osho em Além da Psicologia

Princípios do Céu e da Terra - Chiang Tzu


"Aquele que quer ter
o certo sem o errado,
a ordem sem a desordem,
não entende os princípios 
do céu e da terra,
não sabe como 
as coisas estão interligadas.

***

Primeiramente, adquira controle sobre o corpo,
Em seguida, sobre a mente.
Atinja a unidirecionalidade.
E então, 
a harmonia dos Céus descenderá e residirá em ti.
Você ficará radiante com a vida
Você repousará no Tao.

***

Esteja com seu coração em paz.
Assista a turbulência dos seres
mas contemple o seu retorno.

Se não percebe a fonte,
você tropeça na confusão e na tristeza.
Quando você percebe de onde você vem,
naturalmente se torna tolerante,
desinteressado, divertido,
bondoso como uma avó,
digno como um rei.
Imerso na maravilha do Tao,
você pode lidar com o que quer que a vida lhe traz,
E quando a morte chega, você está pronto."


5 de agosto de 2017

O Momento presente - Osho


"Exteriormente sabemos o que o movimento significa: ir de um lugar para outro, de um local para outro. De A para B. Se você está em A e vai para B, aconteceu um movimento. Assim, exteriormente para a mente, movimento quer dizer mudar de lugar no espaço. Se não há espaço, você não pode se mover. Você precisa de espaço para se mover exteriormente. O movimento interno não é no espaço, mas sim no tempo. Se não há tempo você não pode se deslocar interiormente. O tempo é um espaço interior: de um segundo você passa para outro, deste dia para outro, daqui para lá, de agora para depois, no tempo.

O tempo é o espaço interno. Analise a sua mente e você verá que sempre você está se movendo do passado para o futuro, do futuro ao passado. Ou bem você vai de recordações do passado ou se desloca para desejos no futuro. Quando você vai do passado para o futuro ou do futuro para o passado, somente então você emprega o momento presente, mas só como um meio. O presente, para a mente, não é nada mais que a linha divisória entre passado e futuro. Para a mente o presente não é realmente existencial. Somente é uma linha divisória da qual você pode se deslocar ao passado ou ao futuro. A mente nunca está no presente porque é incapaz de ir ao presente.

Compreenda: você é incapaz de se mover no presente. No presente não existe o tempo. O presente sempre é um único instante. Você nunca está em dois momentos ao mesmo tempo. Você vive somente um instante. Você não pode ir de A para B porque só existe A. Não há B.

Entenda essa qualidade do tempo no presente: você sempre vive um só instante. Tanto se você é um mendigo como se é um imperador, dá no mesmo. O seu depósito temporal é o mesmo, somente de instante a instante, e você não pode se mover nele. Não há lugar onde se mover e a mente existe unicamente se há movimento. Por isso a mente nunca emprega o presente, não pode empregá-lo. Retroceda ao passado. Ali há muitos lugares aos quais você pode ir. Existe um grande depósito de recordações: todo o seu passado está aí. Ou também pode ir ao futuro. Você pode imaginá-lo porque o futuro é, basicamente, tão só o passado projetado. Você viveu, experimentou muitas coisas. Você as deseja outra vez ou deseja evitá-las: esse é o seu futuro. Você amou alguém: foi lindo. Então você deseja que se repita, por isso projeta no futuro seu desejo de que se repita.

Você ficou doente, sofreu e deseja evitá-lo no futuro, por isso você projeta não adoecer de novo. De modo que, seu futuro é tão somente um passado que você projetou e assim você pode se mover no futuro. Mas a mente não se encontra satisfeita com o futuro que pertence a esta vida. Projeta céus, projeta vidas futuras. Não está satisfeita com um pequeno futuro, dessa maneira a mente cria tempo além da morte. O passado e o futuro são vastos territórios; você pode se mover com facilidade neles. Com o presente você não pode se mover. A ausência de movimento implica estar no presente. Essa é a segunda dimensão da quietude. Se você pode permanecer neste instante, tão somente aqui e agora, você estará quieto. Você não pode estar de nenhuma outra forma. Não existe nenhuma outra possibilidade a mais que estar quieto.

Viva no agora, e o movimento se deterá porque a mente se deterá. Não pense no passado e não projete no futuro. Isso que lhe está acontecendo é tudo o que você tem. Permaneça nele, contente-se nele. Este mesmo instante é o único tempo verdadeiramente existencial; não há nada mais. O passado é somente uma memória. Está somente na sua mente, é pó acumulado, experiências acumuladas. Não há passado na existência, não há futuro na existência. A existência é o presente.

Se o homem não estivesse nesta Terra não haveria nem passado nem futuro. As flores floresceriam, desde logo, mas no presente. O sol sairia, mas no presente. A terra não saberia nada do passado nem sonharia nada no futuro. Não haveria nem passado nem futuro. O passado está na mente, na memória e devido a essa recordação é projetado no futuro. Por isso, geralmente, dividimos o tempo em três partes: passado, presente e futuro, mas na realidade o passado e o futuro não são uma parte do tempo. São partes da mente, não partes do tempo. O tempo possui uma única divisão, se é que se pode chamá-la de divisão, e é a do presente.

O tempo é sempre presente. Essas três divisões não são divisões do tempo. O passado e o futuro pertencem à mente, não ao tempo. Ao tempo somente lhe pertence o presente. Mas então é difícil chamá-lo presente porque, linguisticamente, para nós o presente é algo entre o passado e o futuro. Refere-se ao passado, refere-se ao futuro. Se não houvesse passado nem futuro, então, a palavra “presente” perderia todo o significado.

Mestre Eckhart disse que não há tempo, somente o eterno “agora”. Existe um “agora” eterno e um infinito “aqui”. Quando digo “ali” somente o digo em referência ao lugar no qual estamos, senão, somente haveria o “aqui”. Se eu não estivesse aqui, que lugar seria “aqui” e que lugar seria o “ali”? Em referência a mim mesmo, chamo o lugar mais próximo “aqui”, e ao que não está próximo o chamo de “ali”. Onde acaba o “aqui” e onde começa o “ali”? Não podemos delimitá-lo. Na realidade tudo é um “aqui”, um “aqui” infinito.

É devido à mente que dividimos o tempo. Então, tudo o que vivemos se transforma em passado e tudo o que esperamos viver se converte no futuro e aquilo que está transcorrendo se torna o presente.

Mas não há mente, somente há um infinito “agora”, um eterno “agora”. “Aqui, hora”, é a realidade. “Ali e depois” são partes da mente, não partes da realidade.

Conceber a quietude a partir de uma segunda dimensão significa fazer um esforço para viver momento a momento. Então você estará na quietude, estará no silêncio. Não haverá agitação interior, nem movimento, nem oscilações internas. Tudo terá se convertido num remanso de profundo silêncio.
Por que esta mente se desloca ao passado e ao futuro? Buda lhe deu o nome de “tanha” a “trishna”, o desejo. Buda disse que, devido a que você viveu algo, você o deseja de novo. Ao desejá-lo, você vai para o futuro. Não deseje e não haverá futuro. É difícil, porque quando a mente experimenta prazer, deseja repeti-lo e quando a mente experimenta incômodo não deseja repeti-lo, deseja evitá-lo. Por isso é natural que se crie o futuro e devido a este futuro perdemos o presente.

Você está me escutando, pode simplesmente me escutar; então não terá mente. Será uma escuta sem mente. Mas si você está escutando e tratando de entender ao mesmo tempo, terá ido ao futuro. Se você está pensando no que lhe está dizendo, você perdeu o que se disse: você foi para o futuro. E o presente é algo tão sutil e delicado e tão pequeno e tão atômico, que você pode perdê-lo num só instante. Um simples gesto, e você o terá perdido. Se você está escutando, simplesmente escute. Não pense no que lhe estão dizendo, não trate de descobrir o significado, porque você não pode fazer duas coisas no presente; escutar é suficiente. E se você está só escutando, está no presente e a mesma escuta se transforma em meditação.

Mahavira disse que se você é capaz de escutar corretamente não precisa praticar nada mais. Sendo só um shravak, um que escuta adequadamente, você conseguirá tudo o que pode ser conseguido. Simplesmente sendo um shravak, um que escuta corretamente, porque simplesmente escutar não é uma simples escuta, é um grande fenômeno. E uma vez que você conhece o segredo, você pode aplicá-lo em qualquer situação. Comer se transformará em meditação, caminhar se converterá em meditação, dormir será meditação. Qualquer coisa em que você estiver nesse momento, sem ir ao futuro, será meditação.
Foto de uma árvore num dia de sol

Mas desconhecemos toda a atividade na qual estamos no presente. Ou começamos a pensar no passado ou começamos a pensar no futuro. Perdemos o presente continuamente. Isso implica que a Existência nos escapa sempre. E isso se converte num processo em cadeia; logo se transforma num hábito.

Uma noite Mulla Nasrudin caminhava por uma rua. A rua estava solitária e de repente percebeu que uns homens a cavalo, uma espécie de tropa se dirigia em sua direção. Sua mente começou a trabalhar. Pensou que podiam ser assaltantes, que podiam lhe matar. Ou que podiam ser soldados do rei e que podiam levá-lo para prestar serviço militar ou qualquer outra coisa. Ele se assustou e quando os cavalos e o ruído que formavam se aproximaram, começou a correr e entrou num cemitério e para poder se esconder se deitou numa cova aberta. Ao ver aquele homem correndo, os ginetes, que eram simples viajantes, perceberam o que havia acontecido. Correram atrás de Mulla Nasrudin e se aproximaram da tumba na qual estava. Ele estava com os olhos fechados como se estivesse morto. “O que lhe aconteceu? Por que você se assustou tanto de repente? O que foi? ”

Então, Mulla Nasrudin percebeu que se havia assustado a si mesmo sem motivo. Abriu os olhos e disse, “É algo muito complexo, muito complicado. Se vocês insistem em me perguntar por que estou aqui, eu lhes direi. Estou aqui por culpa de vocês e vocês estão aqui pela minha”.
É um círculo vicioso. Se você tem desejos, irá para o futuro e isso criará um círculo vicioso. Quando esse futuro se transforme no presente, de novo você irá para o futuro. Hoje pensarei no amanhã; isto se converterá num hábito. E o amanhã nunca chega. Não pode chegar; é impossível. Quando chega é de novo o hoje e criei o hábito de ir sempre do hoje para o amanhã.

Por isso, quando o amanhã chega, chega como o hoje e depois eu vou de novo para o amanhã.

É uma cadeia! E quanto mais você a elaborar, mais eficiente você se tornará em completá-la. E o amanhã nunca chega. O que chega é o hoje, e com o hoje você não tem nenhuma relação. Você estabelece um mecanismo: devido a que é hoje, você vai embora. É um hábito muito forte, não somente desta vida, mas sim de muitas outras vidas. Você tem que acabar com ele, tem que sair dele. Faça o que você fizer, lembre somente uma coisa: permaneça no presente enquanto você o estiver fazendo. É difícil, árduo, e você não vai conseguir imediatamente. Você deve romper um hábito muito arraigado. Vai ser uma luta dura, mas, tente-o.

O esforço mesmo criará uma distância, e pelo mesmo esforço você vai saborear, às vezes, momentos do presente. E uma vez que você conheça o sabor, está no caminho.

Mas você não conhece o sabor do presente. Não o provou nunca, nunca viveu nele, nunca! Eu lhe digo. E está sempre aqui. É a vida mesma; é tudo o que há na vida.

Jesus disse que estamos simplesmente mortos, sem vida! Um dia passava junto de um pescador justamente no nascer do sol. O pescador tinha lançado suas redes no lago e Jesus pôs a mão no seu ombro e lhe disse, “Você vai desperdiçar toda a sua vida pescando? Posso lhe ensinar algo melhor para pescar. Eu o farei um pescador da vida”. O pescador olhou Jesus como se um imã lhe estivesse atraindo, logo jogou sua rede e seguiu Jesus.

Quando acabavam de sair do povoado um se aproximou correndo e lhe disse ao pescador, “Seu pai morreu. Acabou de morrer, então, volte para a casa. Aonde você vai? ”

O pescador pediu licença; e lhe disse para Jesus, “Deixe-me ir para casa. Voltarei logo. Tenho que enterrar meu defunto pai”.
Jesus lhe disse, “Deixe que os mortos enterrem os mortos. Não tem porquê ir; siga-me. Há muitos cadáveres no povoado. Eles enterrarão o morto”.

Para Jesus, estamos mortos porque nunca saboreamos a vida, nunca saboreamos o presente, o existencial. Vivemos no passado morto e continuamos projetando esse passado já morto no futuro. Isto é o que Shankara denomina maya, ilusão. Shankara foi muito mal interpretado. Quando Shankara diz que o mundo inteiro é uma ilusão, quer dizer que o “mundo do homem” é uma ilusão, não o mundo em si.

Não sabemos nada do mundo. Criamos nosso próprio mundo mental. Todo o mundo tem o seu próprio mundo, este mundo de passado e de futuro, este mundo de recordações e de desejos. Este mundo é falso, ilusório. Por isso quando Shankara diz que este mundo é falso, refere-se a “seu mundo”, não ao mundo. E quando “seu mundo” deixar de existir, você conhecerá o verdadeiro mundo. E Shankara diz que este é o Brahman, que essa é a Verdade, a Verdade absoluta.

É como se estivéssemos vivendo num mundo de sonhos, cada um estando rodeado dos seus próprios sonhos, de uma nuvem de sonhos. Todo mundo vai envolvido nos seus próprios sonhos. E devido a esses sonhos não podemos ver o que é verdadeiro, o que é real. O real está escondido atrás de nossos sonhos. Esta mente sonhadora é a mente inquieta; a mente não sonhadora é a mente quieta. Mas os desejos criam sonhos. Você sonha de noite porque deseja durante o dia. Se não desejasse durante o dia não sonharia de noite.
Primeiro plano de uma flor de girassol

Um Buda não sonha, porque os sonhos são desejos e os desejos são sonhos. Quando surgem durante o dia você os chama de desejos; quando aparecem de noite, você os chama de sonhos. Mas todo desejo é sonho? Por quê? Porque todo desejo radica no futuro, o qual não existe. Todo desejo é um desejo futuro que não existe. O futuro não existe!
E continuamos sonhando. Devemos acabar com este sonhar. Este sonhar é um movimento, um movimento contínuo. Você está repleto de sonhos, sonhos destruídos, acabados, que são de novo recriados. Cada dia temos que jogar fora os velhos e criar uns novos.

Em qualquer momento, em qualquer atividade, trate de estar aqui e agora. O esforço mesmo é uma barreira, mas há que começar com algo. No princípio você terá que fazer um esforço. Mesmo o esforço é uma barreira porque o esforço lhe lança ao futuro. Mas no princípio é preciso se esforçar, logo num segundo nível tem que fazer um “esforço sem esforço”, e depois, no terceiro nível, o esforço desaparece e você está no presente.

Você caminha pela rua: trate simplesmente de caminhar, não faça nada mais. Parece simples, mas não é. Parece que todos o fazemos, não é assim! Quando você caminha, sua mente está fazendo mil coisas mais. Acompanhe cada passo. Simplesmente caminhe…"
Osho em Palavras de Fogo

29 de julho de 2017

Sobre a busca - Osho


"Dedique-se com todo o seu ser à busca, mas quando você chegar ao mar deixe de falar sobre o rio.

Se você realmente quer saber o que é Deus, terá de ser completamente apaixonado. Não se trata de uma busca científica, mas de um romance. É uma questão de vida ou morte, é uma busca. É curioso, não é uma investigação intelectual, é uma sede existencial.

Pense em um homem perdido no deserto, sedento. Não é uma questão intelectual ... ele não está preocupado com os componentes da água. Se você começar a fazer um longo discurso sobre os elementos da água, sua química, como é feita, e tentar explicar a fórmula H2O, ele vai saltar para cima de você e vai matá-lo. Ele não está interessado filosoficamente, cientificamente. Ele quer água: é uma questão de vida ou morte. E você está falando H2O! Como é que pode matar sua sede?
Quando sua busca estiver apaixonado, nenhuma escrita pode lhe satisfazer. E as pessoas estão satisfeitas com as escrituras, porque sua búsca é falsa, é uma pseudo busca.
Lêen escrituras a cada manhã, eles recitam o Corão: a busca é falsa. Se a busca é real, eles não vão ficar satisfeitos com palavras, eles vão fazer alguma coisa. Eles começam a buscar a Deus. Eles estarão prontos para fazer qualquer coisa, fazer qualquer viagem. Eles estarão prontos para arriscar toda a sua segurança, conforto e comodidade pois Deus será a sua única vida.

A busca deve ser apaixonada. Tudo que você tem procurado até agora ... buscando dinheiro, poder, prestígio e mil e uma coisas ... Deus não tem que ser um item em sua longa lista de desejos. Mesmo se você o colocar em primeiro lugar em sua lista, você vai perdê-lo também.
Ele tem que ser sua única pesquisa.
Todos os seus desejos devem se converter em um desejo, como todos os rios desaguam no oceano. Deus deve tornar-se a sua  única busca, então e só então ... a revelação.

Milhões de pessoas acreditam em Deus, mas eles nunca podem penetrar nesse mistério nunca podem ter uma experiência real de Deus. E qual é a razão? A razão é simples: Deus é apenas um item em sua lista de compras, apenas um item. Elas não estão realmente prontas para serem totalmente devotas. E neste mundo, só a devoção total tem sucesso."
Osho em Tantra, a suprema compreensão.



22 de julho de 2017

Olhe sempre além e além - Osho


"Qualquer coisa que nós vemos é limitada, qualquer coisa que nós sentimos é limitada, todas as percepções são limitadas. Mas se você puder estar consciente, então, toda coisa limitada estará desaparecendo no ilimitado. 

Olhe para o céu. Você verá uma parte limitada dele, não porque o céu seja limitado, mas porque os seus olhos são limitados, o seu foco é limitado. Mas se você puder tornar-se consciente de que essa limitação é por causa do foco, por causa de seus olhos, que não é o céu que é limitado, então você verá os limites fundindo-se com o ilimitado. 

Qualquer coisa que nós vemos torna-se limitado por causa de nossa visão. Fora isso a existência é ilimitada, fora isso tudo está se dissolvendo em alguma outra coisa. Tudo está perdendo os seus limites, a todo momento as ondas estão desaparecendo dentro do oceano, e não há qualquer fim para coisa alguma, e não há qualquer começo. Todas as coisas são todas as coisas. (...)

Assim, sempre que você vir alguma coisa limitada, lembre-se de que além do limite ela está desaparecendo, a limitação está desaparecendo. Sempre olhe além e além.

Então, você pode fazer uma meditação. Simplesmente sente-se debaixo de uma árvore e olhe. Qualquer coisa que vier à sua visão, vá além, olhe além e não pare em lugar algum. Simplesmente descubra onde essa árvore está se dissolvendo. Esta árvore, esta pequena árvore em seu jardim, tem toda a existência dentro dela. Ela está se dissolvendo a todo instante. Se o Sol não nascer amanhã, esta árvore morrerá, porque a vida desta árvore está junta com a vida do Sol. 

A distância entre eles é muito grande; para os raios do Sol atingirem a Terra leva tempo, um tempo de dez minutos. Um tempo de dez minutos é muito longo, porque a luz se propaga numa velocidade tremendamente rápida. A luz se propaga a uma velocidade de cento e oitenta e seis mil milhas num segundo e ela, partindo do Sol, leva 10 minutos para alcançar esta árvore. A distância é tremenda, é vasta. Mas se o Sol não estiver mais lá, esta árvore imediatamente desaparecerá. Eles existem juntos. 
A árvore está se dissolvendo a cada momento no Sol e o Sol está se dissolvendo na árvore. A todo momento o Sol está entrando na árvore, fazendo-a viver. Uma outra coisa é ainda desconhecida pela ciência, mas a religião diz que está acontecendo: é que na vida nada pode existir sem resposta. 

Se o Sol está dando vida à árvore, a árvore deve estar devolvendo vida ao Sol, porque na vida existe sempre uma resposta e a energia equaliza. A árvore deve estar dando vida ao Sol. Eles são um. Então, a árvore desaparece, a limitação desaparece.

Sempre que você olhar, olhe para o além e não pare em lugar algum. Continue e continue até você perder a sua mente, até você perder todos os seus padrões limitados. De repente, você estará iluminado. Toda a existência é uma unidade. Essa unidade é a meta. E, de repente, a mente estará cansada de padrões, limitações, fronteiras. E na medida em que você continua insistindo em ir além, puxando para além e além, a mente escorrega. De repente ela desiste, e você olha para a existência como uma vasta unidade, todas as coisas se dissolvendo em outras coisas, todas as coisas se transformando em outras coisas.

Você pode fazer uma meditação a partir disso. Sente-se por uma hora e trabalhe com isso. Não crie limitação em lugar algum. Qualquer que seja a limitação, tente encontrar o além e mova-se para lá e continue movendo-se. Logo a mente ficará cansada, porque a mente não aguenta o ilimitado. Somente com o limitado ela pode se relacionar. Com o ilimitado ela não consegue se relacionar. Ela fica entediada, ela fica cansada. 
Aí ela diz: 'Chega! Agora pare!' Mas não pare, continue se movendo. 

Chegará o momento em que a mente ficará para trás e somente a consciência estará se movendo. 

Nesse momento você terá a iluminação da unidade, da não-dualidade. Essa é a meta. Esse é o pico mais alto da consciência. E esse é o maior êxtase possível para a mente humana e a mais profunda felicidade."

Osho em Vigyan Bhairav Tantra

15 de julho de 2017

Personalidades - Osho


"Sinto que tenho um legado de preguiça e escapismo. Ou não sinto nenhuma energia, ou se sinto, acho difícil relaxar totalmente. Sinto um controle...

Osho - Sinto que isso está em algum lugar e se tornou parte de seu bio-computador. A mente funciona como um computador, e seguimos alimentando suas atitudes. Estas vão se acumulando lá e pouco a pouco se tornam profundamente ..entranhadas.
Personalidades podem ser divididas em duas categorias. 

A primeira, os psicólogos chamam de personalidade T, tóxica, e a outra chamam de personalidade N, nutridora.

Uma personalidade tóxica está sempre olhando as coisas de uma maneira negativa. Toda a visão do mundo da personalidade tóxica é depressiva, triste. A personalidade tóxica se esconde atrás de belos rostos. Um perfeccionista é uma personalidade tóxica. Você não pode apontar algo errado num perfeccionista, porém a idéia toda de ser um perfeccionista é para encontrar erros, enganos, falhas. É um truque. Você não pode encontrar qualquer defeito no homem que procura por perfeição, mas na verdade essa não é sua meta, perfeição é uma estratégia. Ele quer procurar pelas falhas, enganos, erros, qualquer coisa que esteja faltando, e essa é a melhor maneira – manter uma aparência de perfeição para que ele possa comparar com o ideal e condenar sempre.

Essa personalidade tóxica sempre olha naquilo que não é e nunca olha naquilo que é, desse modo o descontentamento se torna natural. Uma personalidade tóxica envenena seu próprio ser; não apenas isso – goteja veneno.

Isso pode ser uma herança. Se você conviveu na sua infância com pessoas que tinham uma atitude negativa para com a vida... Isso pode estar oculto em termos brilhantes, belas linguagens, ideais, paraíso, Deus, religião, a alma; eles podem usar belas palavras, eles estão simplesmente tentando... e eles falam a respeito do outro mundo somente para condenar este mundo. Eles não estão preocupados com o outro mundo. Eles não possuem nenhum interesse em santos, mas somente para provar que os outros são pecadores, eles irão falar a respeito dos santos.

É uma atitude muito mórbida. Eles dirão: Sejam como Jesus – eles não estão de jeito nenhum interessados em Jesus. Se Jesus estivesse lá eles seriam as últimas pessoas a irem ter com ele, porém, só para condenar vocês, essa é a estratégia deles. Vocês não podem se tornar Jesus, assim vocês se tornam vítimas. Eles sempre vos condenam. Eles criam valores, moralidades, atitudes puritanas. Eles são os moralistas, os moralizadores; eles são os grandes envenenadores do mundo.

E eles estão por toda parte. Essas pessoas acabam se tornando professores, educadores, reitores, santos, bispos, papas; eles acabam se tornando essas coisas porque dessa forma eles podem condenar. Eles estão até mesmo prontos para sacrificar tudo se lhes for permitido a alegria de condenar os outros. Eles estão por toda parte, escondidos de muitas maneiras. E eles estarão sempre fazendo coisas para o seu bem, para seu próprio bem, então vocês ficam indefesos contra eles. A herança deles é real, grande. Eles dominaram toda a história.

Essas pessoas imediatamente se tornam dominadores. A própria ideologia deles os ajuda a dominar porque eles podem se tornar condenadores. E eles falam em termos racionais. O racionalismo também é parte da personalidade T. Eles são muito sugestivos... É muito difícil derrotá-los na argumentação. Eles nunca são razoáveis, porém são sempre racionais.

É preciso saber a distinção entre um homem razoável e um homem racional. O razoável nunca é somente racional, porque um homem razoável sabe pela própria experiência que a vida engloba ambos – o racional e o irracional; a vida tem ambos – razão e sentimento, a mente e o coração.

Um homem razoável é razoável. Um homem racional nunca é razoável. Ele força a lógica sobre a vida – e a lógica pode ser perfeita; a vida nunca pode ser. Ele sempre olha para o ideal e ele tenta forçar a vida a seguir o ideal. Ele nunca olha para a vida e para a realidade da vida. Seus ideais são contra a vida.

A segunda personalidade, a personalidade N, a personalidade nutridora, é totalmente diferente. Ele não possui ideais, realmente. Ele apenas olha para a vida e a realidade decide seu ideal. Ele é muito razoável. Nunca é perfeccionista; é total, mas nunca um perfeccionista. E sempre olha para o lado bom das coisas. A personalidade N está sempre esperançosa, radiante, aventureira, confiante, não condenatória. Essas são as pessoas que se tornam poetas, pintores, músicos.

Se uma pessoa tipo N se torna santo, então existe um santo real. Se uma pessoa tipo T se torna santo, então é um falso santo, um pseudo-santo. Se uma pessoa tipo N se torna pai, então há um pai de verdade. Se uma pessoa tipo N se torna mãe, ela é uma mãe real. A pessoa tipo T é um pseudopai e pseudomãe. Serve apenas de truque para explorar a criança, para torturar, dominar, possuir e esmagar a criança, para se sentir poderoso esmagando a criança. O tipo T está na maioria, assim você pode estar certo que você está carregando uma herança como todo mundo. Mas uma vez que você se torna cônscio, não há mais problema. Você pode se mover de T para a N muito facilmente.

Algumas coisas para lembrar. Se você se sentir preguiçoso, não chame isso de preguiça. Escute sua natureza; pode ser que isso seja bom para você. Isso é o que chamo de homem razoável. O que você pode fazer? Se a preguiça chega até você, então isso é o que você tem que fazer. Quem é você para decidir contra isso? E como você pode vencer contra isso? Mesmo na sua luta você estará preguiçoso. Quem irá vencer? Você será sempre derrotado, e assim você se sentirá desnecessariamente miserável.

Seja realista. Escute seu próprio ser. Cada um possui seu próprio jeito. Algumas pessoas são muito ativas, correndo; não há nada errado nisso. Se eles se sentem bem assim, é bom para eles.

E não criem ideais de que vocês têm que fazer isso. Não tenham quaisquer - deveres – os deveres criam uma espécie de neurose. Então a pessoa fica obcecada. O – dever – está sempre lá, de pé e lhe condenando, e você não pode desfrutar de nada. Desfrute! Mate o – dever – completamente e esteja aqui-agora. O que você puder fazer, faça; O que você não puder fazer, aceite. É assim que você é, e você está aqui para ser você mesmo, ninguém mais. Pouco a pouco você verá que o seu T está se transformando em N. Você será nutridor e você desfrutará mais, você amará mais, e você ficará mais meditativo.

De fato, para um preguiçoso se tornar meditativo é mais fácil do que para uma pessoa ativa. Eis porque todo o Oriente se tornou preguiçoso – eles meditaram demais. Meditação é um tipo de passividade. Uma pessoa ativa se sente muito inquieta. Apenas sentar em silêncio é a coisa mais difícil. Não fazer nada é a coisa mais difícil para uma pessoa ativa realizar.

Apenas desfrute e se mova de acordo com o seu ser – nada de deveres, nada de ideais, do contrário eles lhe envenenarão. Olhe para a vida com profunda esperança. Ela é realmente bela. Apenas olhe para ela, e não espere por perfeição. Não pense em termos de desfrutar as coisas somente quando elas forem perfeitas; senão você nunca desfrutará.

Se uma pessoa tipo T encontrar Deus, irá imediatamente descobrir algum defeito nele. Eis porque Deus está escondido – devido às pessoas tipo T. Ele se revela para os tipos N, nunca para os tipos T. Ele se revela apenas para aqueles que podem ser nutridos por ele – não somente isso, mas para aqueles que podem nutri-lo.

Portanto apenas relaxe, desfrute, aceite, e os problemas desaparecerão."

Osho em The Passion For the Impossible

8 de julho de 2017

Rompendo barreiras - Osho


"Hoje tentaremos ir além da mentalidade do rebanho.
Observe o seu espaço mental... Se você não crescer com esse espaço, você permanecerá apenas uma possibilidade de ser humano, mas não um ser humano real.

É a mente que faz de você um ser humano, porém, você não a tem. O que você tem em seu lugar é um mecanismo condicionado. 
Você vive por imitação: dessa forma você não possui uma mente.

Quando você começa a viver por si mesmo, espontaneamente, quando você começa a responder seus problemas da vida por si mesmo, quando se torna responsável, você começa a crescer no espaço mental. Então a sua estrutura corpomente cresce.

Então, torne-se cada vez mais vivo, autêntico, receptivo. Mesmo se houver a possibilidade de se desviar, desvie-se, porque não há outro caminho para crescer se você estiver com tanto medo de cometer erros. Os erros são bons. Enganos precisam ser cometidos. Nunca cometa os mesmos erros novamente, mas nunca tenha medo de cometer erros.
As pessoas que ficam com medo de cometer erros nunca crescem. Elas permanecem sentadas em seus lugares, com medo de se mexerem. Essas pessoas não estão vivas.

A mente cresce quando você enfrenta, quando confronta situações por si mesmo. Não prossiga pedindo conselhos para sempre. Tome as rédeas de sua vida em suas próprias mãos, ou seja, faça você mesmo!

Claro que é mais seguro seguir os outros – é conveniente seguir a sociedade, seguir a rotina, a tradição, a escritura. É muito fácil porque todos estão seguindo-as, você precisa apenas tornar-se uma parte morta do rebanho, você precisa apenas mover-se com a multidão para onde quer que ela esteja indo – não é sua responsabilidade.

Mas seu corpo mental sofrerá tremendamente, terrivelmente, ele não irá crescer. Você não terá sua própria mente e você irá perder algo muito, muito bonito e algo que funciona como uma ponte para um crescimento mais elevado.
Mas também não acredite em nada do que eu dizendo; tente entender; apenas experimente em sua vida, veja como funciona e então tire suas próprias conclusões - elas podem ser as mesmas, elas podem não ser. Na verdade, elas nunca podem ser exatamente as mesmas porque você tem uma personalidade diferente, um ser único.

Só experimentando, sua estrutura corpomente irá crescer.
E uma vez que você foi além dessa estrutura corpomente, pela primeira vez você se torna consciente de que você não é a mente, mas uma testemunha.
E uma vez que você conheça esses pensamentos – que perceba que imagens e ideias mentais são apenas nuvens flutuando na consciência, você fica separado delas imediatamente.

Nesse estado você fica além do corpo – aquele que não está mais confinado a nenhum corpo, aquele que sabe que ele não é o corpo, bruto ou sutil, aquele que sabe que é infinito, sem fronteiras.

Todas as fronteiras são confinamentos, aprisionamentos; e você pode rompê-las, abandoná-las; e pode se tornar um com o céu infinito.
Então, nesse momento, liberte-se e deixe ir..."
Osho em O Livro dos Segredos 

1 de julho de 2017

O amor também pode dizer 'não' - Jeff Foster


“Não posso repetir isso o suficiente: a aceitação não é o mesmo que tolerar ou condicionar uma conduta violenta.


A partir de um lugar amoroso, nossos corações completamente abertos ao mistério, estabelecidos em um SIM à vida em todas as suas formas, profundamente enraizados em uma compreensão não dual, podemos dizer um claro ‘não’.

Podemos abandonar nosso julgamento e ainda respeitar nosso discernimento.

Por exemplo, podemos continuar dizendo às pessoas que assassinaram, violaram, torturaram:
“Você perdeu o seu direito de andar livremente por onde quiser, até que esteja curado.”

Isto respeita as feridas deles, assim como as feridas de quem foram ou poderiam ser afetados pelo ‘comportamento’ deles.

Aqui estamos dizendo ‘não’ a seu comportamento inconsciente, porém não a sua existência, nem a sua verdadeira natureza oculta pela máscara do ‘eu’, aqui não estamos dizendo não a sua capacidade de curar, ou inclusive a sua transformação.

Do mesmo modo, podemos amar uma pessoa com todo nosso coração, sentir uma profunda compaixão e ternura para com ela, e ainda assim dizer ‘não’ ao fato de passar tempo com ela, ou inclusive vê-la novamente.

Nosso ‘não’ surge desde um honesto ‘SIM’ à vida, à verdade e a autenticidade.

Visto deste modo, um ‘não’ e um ‘sim’ não são opostos, assim como a lua não é oposta ao sol, mas são igualmente bem-vindos na incondicional vastidão do céu.

O amor incondicional não necessita que nos convertamos em um capacho, ou que tenhamos que tolerar a violência, ou esconder um ‘não’ para parecermos mais ‘espirituais’, ao contrário, o que requer é honrar os limites sagrados com nossos corações bem abertos e transbordantes de integridade e determinação.

Um limite real não separa, simplesmente mantêm nossos corações abertos para os demais, nos permite relacionarmos com honestidade e, claro, saber exatamente onde estamos.”

25 de junho de 2017

Toda a existência é amor - Osho


"Assim, por que ser um mendigo? 
Você não é mais uma criança. 
Você está se comportando dentro de um padrão infantil. 

Comece a amar. 
Quanto mais você amar, mais você verá que mais pessoas estão vindo até você para amá-lo, 
porque o amor atrai amor assim como o ódio atrai ódio.

Se você odiar, as pessoas o odiarão. 
Se você amar, as pessoas o amarão. 
Mas não se incomode se os outros o estão amando ou não. 
Simplesmente ame. 
Amar é uma atividade tão prazerosa – quem se importa se há algum retorno ou não? 
É como cantar. Você canta e se deleita. 
Se alguém aplaude, ótimo. 
Se ninguém aplaude, é uma questão deles. 
Você se deleita da mesma forma.


Comece a amar. 
E não peça amor. 
O amor será uma conseqüência natural; pode-se esquecer a respeito disso. 
E não pense em termos de primeiro ser merecedor.
 Ninguém o é. Se o amor tiver que ser merecido, ninguém será merecedor. 
Ele é uma graça. 
É um presente. 
Ele vem porque toda a existência está cheia de amor. 
Não é porque você tem capacidade, não é porque você tem algum valor que ele vem para você. 
Não, ele vem para você porque toda a existência é cheia de amor.



A existência é feita da matéria chamada amor. 
É exatamente como o ar que o circunda. 
Você simplesmente inspira e expira e a coisa continua.
Assim, esqueça sobre merecimento. 
Comece a amar, e você verá o amor chegando, florescendo. 
Ele vem mil vezes mais. 
Simplesmente compartilhe e continue a meditar."

Osho, em The Passion for the Impossible.

17 de junho de 2017

O mestre de cada momento - Lao Tzu


                                                                                              
      


 "O que procuramos além do que é visto
e chamamos de invisível,
Tentamos escutar além do que é audível
e chamamos de inaudível,
Queremos segurar além do alcance
e chamamos de inatingível.

Funda-se além da compreensão
em uma unidade
Que não se limita a surgir e dar a luz
e a sumir e deixar a escuridão,
Mas envia sempre uma sucessão de coisas vivas tão misteriosas
quanto a existência não-gerada para a qual elas retornam.

É por isso que os homens as chamaram de fenômenos vazios,
imagens sem sentido,
numa miragem que não encontra uma face,
ninguém para seguir.

No entanto, aquele que está antigamente consciente da existência
é o mestre de cada momento,
Não sente interrupção desde o tempo além do tempo
na maneira como a vida flui."

~Lao Tzu~

Sobre as desumanidades - Osho


"Pergunta: Porque as pessoas tratam uns aos outros como o fazem? Tudo isso é condicionamento, ou há algo no homem que o torna disposto a se desviar?

Osho - São ambas as coisas. 
Primeiro, há alguma coisa no homem que o desencaminha. E segundo, existem pessoas cujos interesses é desencaminhar os seres humanos. Ambos juntos criam um ser humano falso, um impostor. Seu coração anseia por amor, mas sua mente condicionada o impede de amar.

Esse é o problema. A criança nasce com um coração que anseia por amor, mas ela também nasce com um cérebro que pode ser condicionado.

A sociedade tem que condicioná-lo contra o coração, porque o coração será sempre rebelde contra a sociedade, ele irá sempre seguir seu próprio caminho.

O coração não pode ser tido como um soldado. Ele pode se tornar um poeta, ele pode se tornar um cantor, pode se tornar um dançarino, mas não pode se tornar um soldado.

Ele pode sofrer pela sua individualidade, ele pode morrer pela sua individualidade e liberdade, mas ele não pode ser escravizado. Esse é o estado do coração. Mas a mente... 

A criança vem com um cérebro vazio, apenas um mecanismo, o qual você pode arrumar da maneira que você quiser. Ele irá aprender a língua que você ensinar, ele aprenderá a religião que você ensinar, ele aprenderá a moralidade que você ensinar. Ele é simplesmente um computador, você apenas o alimenta com informações. E toda sociedade cuida de tornar a mente cada vez mais forte para que se houver algum conflito entre a mente e o coração, a mente irá vencer. Mas cada vitória da mente sobre o coração é uma miséria. É uma vitória sobre sua natureza, sobre seu ser – sobre você – pelos outros. E eles cultivaram sua mente para servir ao propósito deles.

Portanto, a mente é vazia, seu cérebro; você pode colocar qualquer coisa nela. E com vinte e cinco anos de educação você pode torná-la tão forte que você pode esquecer seu coração; você irá permanecer sempre miserável. A miséria é que seu coração só pode lhe dar alegria, só pode lhe dar felicidade, só pode lhe fazer dançar. A mente pode fazer aritmética, mas ela não pode cantar uma canção. Essas não são as habilidades da mente. Assim você está dividido entre sua natureza, que é seu coração, e a sociedade que é sua cabeça. E certamente você nasce – todos nascem – com estes dois centros. Esse é a dificuldade.

E um centro está vazio. Numa sociedade melhor ele será utilizado de acordo com o coração, para servir ao coração. Então será uma grande vida, cheia de regozijos. Mas até agora temos vivido numa sociedade feia, com idéias podres. Eles usaram a mente. E essa vulnerabilidade existe – a mente pode ser usada.

Agora os comunistas a estão usando de uma maneira; os fascistas a usaram na Alemanha de outra maneira; todas as outras religiões a estão usando de diferentes maneiras. Mas essa vulnerabilidade está em todos os indivíduos: que você tem uma mente a qual você trouxe vazia. De fato, isso é uma bênção da existência – mas, mal utilizada, explorada. Ela lhe é dada vazia para que você possa fazê-la perfeitamente subserviente ao seu coração, aos seus anseios, ao seu potencial. Não há nada de errado nisso. Mas os interesses investidos por todo o mundo encontraram nisso uma bela oportunidade para eles – para usar a mente contra o coração. Assim você permanece miserável e eles podem lhe explorar por todos os meios que quiserem.

Eis porque todo o mundo é miserável.

Todo mundo quer ser amado, todos querem amar; mas a mente é uma barreira tal que nem lhe permite amar, nem lhe permite ser amado. Em ambos os casos a mente fica no caminho e começa a distorcer tudo.

E mesmo se por acaso você encontrar uma pessoa que você sinta amor por ela e a pessoa sinta amor por você, suas mentes não irão concordar. Elas foram treinadas por sistemas diferentes, religiões diferentes, sociedades diferentes.

Ser feliz é um direito inato de todos, mas infelizmente a sociedade, as pessoas com as quais estamos vivendo, que nos trouxeram para este mundo, não pensaram nada a respeito disso. Elas estão somente reproduzindo seres humanos como animais – até mesmo pior que isso porque pelo menos os animais não são condicionados. Esse processo de condicionamento deve ser completamente mudado. A mente deve ser treinada para ser uma serva do coração.

A lógica deve servir ao amor. E assim a vida pode se tornar um festival de luzes."

Osho em O Cipreste no Jardim

10 de junho de 2017

Sobre a auto-aceitação - Osho


"Todas as culturas e todas as religiões o condicionam a sentir-se negativo a respeito de si mesmo. Nenhuma pessoa é amada ou apreciada por ser ela mesma.Você é solicitado a provar se tem algum valor: ganhe medalhas de ouro nas competições esportivas, obtenha sucesso, dinheiro, poder, prestígio, respeitabilidade.

Prove o seu valor! Seu valor não é intrínseco – foi isso que lhe ensinaram
Seu valor tem de ser provado. Daí resulta um grande antagonismo, um sentimento arraigado de que “não tenho valor do modo como sou – a não ser que se prove o contrário”.

Mas poucas pessoas podem triunfar nesse mundo competitivo.Milhões e milhões estão competindo – mas quantas podem obter sucesso?Quantas podem se tornar presidentes? Quantas podem se tornar grandes pintores?
A ideia do sucesso o tortura e esta é a maior calamidade que já aconteceu à humanidade: A idéia de sucesso, de que você tem de obter sucesso.
E sucesso significa que você tem de competir, de lutar – por meios lícitos ou condenáveis, não importa.Quando você obtém sucesso, tudo fica bem.
O ponto chave é o sucesso; mesmo se o alcançar por meios condenáveis, após obtê-lo, tudo que fez é aceitável.

O sucesso altera a qualidade de todos os seus atos. O sucesso transforma meios ruins em meios bons. Esse é o tipo errado de educação. Essa assim chamada educação que lhe foi imposta é totalmente perniciosa.

As escolas, as faculdades e universidades o estão envenenando.
Estão tornando-o infeliz. São locais onde infernos são produzidos, porém de modo tão formoso que você nunca se conscientiza do que está acontecendo. O mundo todo está se tornando um inferno por causa da educação errada.
Todos estão sofrendo e se sentindo inferiores. E essa situação é realmente estranha.

Ninguém é inferior e ninguém é superior, porque cada indivíduo é único – nenhuma comparação é possível. Você é simplesmente você e não precisa tornar-se famoso, não precisa ser um sucesso aos olhos do mundo. Todas essas idéias são tolas.


Você só precisa ser criativo, carinhoso, consciente, meditativo...

Se sentir a poesia surgindo em seu interior, escreva-a para si mesmo, para seu marido ou esposa, para seus filhos e esqueça-se de tudo o mais. Cante sua canção e, se ninguém ouvi-la, cante-a sozinho e a aprecie!
A pessoa ambiciosa é patológica.

Se você tem um sentimento negativo em relação a si mesmo é porque o ensinaram a sentir-se assim. E a pessoa negativa também não pode ser positiva a respeito dos outros, porque as falhas que identifica em si encontrará nos outros – na verdade ela ampliará nos outros.
Os pais estão dizendo a seus filhos: “Prove que você tem algum valor!” Ou seja, ser, simplesmente ser, não é suficiente – é necessário fazer algo.
Mas o fato de você apenas ser representa uma importante dádiva da existência. Só respirar nessa existência maravilhosa constitui prova suficiente de que a existência o ama, de que ela precisa de você, caso contrário você não estaria aqui. Você existe!

A existência o fez nascer. Deve ter havido uma imensa necessidade e você preencheu um vazio. Sem você a existência seria menor. E isso vale para as árvores, para os pássaros, para as flores, para todos os animais.
Você precisa aprender que tem valor do modo como é. E todas as pessoas têm o mesmo valor.

Aceite as pessoas como são; desista do “deveriam” e do “precisariam” – esses são conceitos inimigos.
Foram-lhe transmitidos tantos ideais de perfeição que você sempre julga não estar à altura.

Ser perfeccionista é ser neurótico. E a todos nós foi dito para sermos perfeitos. A vida é maravilhosa em todas as suas imperfeições. Nada é perfeito. Perfeição significa que não há possibilidade de crescimento, perfeição significa morte.
Imperfeição significa a possibilidade de crescer, significa excitação, o êxtase, a aventura.
Imperfeição significa que você está vivo e que a vida deve continuar. Então, viva cada dia em toda a sua beleza, em toda sua alegria, em toda sua dor...
Viva-o em sua totalidade – em sua obscuridade, em sua luz.
Viva o ódio e viva o amor. Viva a irritação e a compaixão. Viva o que existe nesse momento.

Então, esqueça tudo a respeito do futuro – o presente é o suficiente. 
E celebre a vida com todas as suas imperfeições."
Osho em Além da Psicologia

3 de junho de 2017

Você não é a mente - Sambodh Naseeb


"Os sábios ensinam: você não é sua mente. Verifique: se te sentes cansado, vê se é o corpo ou você que está cansado? Se te sentes triste, vê se é a sua mente ou você que está triste.

Os sábios nos ensinam claramente que o Ser real não pode sair da bem aventurança. A ideia de ser alguém separado do Todo é que sente-se cansada e triste. Uma ideia aparecendo e desaparecendo. Vai desaparecer como todas as ideias.

Tornemo-nos vigilantes para o fato de que a consciência que eu sou, por não ser uma ideia, não pode ser dividida, e portanto, não está no campo dual da separação entre "sujeito eu" versus "objeto mundo".

Eu e o mundo. Eu e as pessoas. Eu e as ideias. Eu e a minha vida. Há sempre esta separação. Eu e a vida, na verdade, é VIDA. "Eu" estou implícito nesta Vida. Não há eu separado da vida. Eu é um pensamento, que também é Vida, que também aparece na Vida.

A Vida cria a vida. Eu sou Vida. EU SOU. Este EU SOU é consciência.

A ideia ou sentimento do EU SOU separado da vida é conceitual e energético. O ego é uma contração energética também. Aparece e desaparece. O que somos não desaparece, pois nunca apareceu, em primeiro lugar. Como consciência pode existir ou aparecer? O que aparece, desaparece. Consciência é atemporal.

Tudo que parece existir é simplesmente uma modulação da própria consciência. Mas ela nunca desaparece, porque tudo é ela, tudo é consciência, todas mudanças são nela mesma. Uma ideia acrescida de uma contração energética - isto é que é o falso eu, o falso centro, o ego, a mente egóica.

Idéias e contrações. Idéias na mente e contrações no corpo. Mas onde tudo isto está acontecendo? Neste experienciar. Agora. E quem experiencia este momento? Veja: Ninguém. Como assim?

Ora, quem sou eu? Algo definível e fixo ou uma presença inteligente indefinível e invisível que observa o corpo/mente mudar? Você diz "eu estou triste" e depois diz "eu estou alegre". O que há de comum nessas duas proposições? EU.

Logo, o eu REAL não pode ser triste nem alegre. Ele não pode ser isto nem aquilo. Ele não pode ser nenhuma descrição da mente, porque toda a linguagem está no campo da dualidade certo/errado, feio/bonito, bom/mal, perfeito/imperfeito.

O eu deve estar ali quando a experiência do alegre ou do triste está acontecendo. A isto chamamos consciência. Logo, eu real é consciência. O pensamento não é o eu. Porque o pensamento surge na consciência e depois desaparece. Mas a consciência pura deve permanecer sempre, mesmo que não existam pensamentos. Pois a consciência pura é o sagrado, o atemporal, além da mente.

Antes, o eu era considerado um apanhado de pensamentos na sua mente, junto com sentimentos, emoções e sensações de você mesmo. Isso era sua ideia de eu. A ideia que aprendemos.

Você não é triste nem alegre porque você não existe na mente. Você na mente, este você como você se pensa, é realmente um você inexistente a não ser no pensamento, todo feito da sua riquíssima imaginação. E todos em sua volta criam uma nova verão personalizada de você. Como você pode confiar em algo que não existe? Aí você dá uma gargalhada e vive este momento sendo o momento, apenas o momento. O que quer que aconteça deixa acontecer. Quem é você? O ponto é: você não é uma ideia, porque uma ideia é vista por você. Você vem antes de uma ideia. Quem vem antes de uma ideia? Verifique por si mesmo e verá que aquilo que vem antes de qualquer ideia só pode ser você."

Por Sambodh Naseeb

27 de maio de 2017

Do não ao supremo Sim - Osho


"Eis por que os psicólogos dizem que entre os sete e os quatorze anos de idade, cada criança começa a aprender a dizer não, cada vez mais e mais. Ao dizer não, ela está saindo do útero psicológico da mãe. Mesmo que não haja nenhuma necessidade de se dizer não, ela dirá não. Mesmo quando dizer sim é a seu favor, ela diz não.

Há muito em jogo: ela tem de aprender a dizer não, mais e mais. Quando o menino alcança os quatorze anos e está sexualmente maduro, ele dirá o supremo ‘não’ à mãe: ele se apaixonará por uma outra mulher.

Este é o supremo ‘não’ à mãe, ele está dando as costas à mãe. Ele diz: “Acabei essa história com você, escolhi minha mulher. Tornei-me um indivíduo, independente por direito próprio. Quero viver a minha vida, quero fazer minhas próprias coisas.”.
E se os pais insistem: “Corte o cabelo” – ele usará cabelos longos. Se os pais insistem: “Deixe os cabelos crescerem.” – ele cortará o cabelo. Veja bem. Quando os hippies se tornaram pais, eles viram seus filhos usarem cabelos curtos – porque eles tinham que aprender o “não”.
Se os pais insistem: “A limpeza é próxima de Deus.” – os filhos começarão a viver sujos de todos os modos. Eles ficarão sujos. Não vão querer tomar banho, não usarão sabão. E eles encontrarão racionalizações: que o sabão é perigoso para a pele, que é antinatural, que nenhum animal jamais usou sabão. Eles podem encontrar tantas racionalizações quanto possível, mas lá no fundo todas aquelas racionalizações são disfarces. 

A coisa verdadeira é que, eles querem dizer não. E é claro, quando você quer dizer não, você tem de arranjar razões.
Assim, o não lhe dá a sensação de liberdade; não só isso, ele lhe dá uma sensação de inteligência. Quando você diz sim, ninguém pergunta por quê. Quando você já disse o sim, quem se incomoda de perguntar por quê? Não há nenhuma necessidade de qualquer arrazoado ou argumento, você já disse o sim. Quando você diz não, o ‘por quê’ é fatal de ser perguntado. Isso afia sua inteligência, lhe dá uma definição, um estilo, uma liberdade. Observe a psicologia do “não”.

É muito difícil para os seres humanos ficarem em harmonia, devido à consciência. Consciência dá liberdade, liberdade lhe dá a capacidade de dizer não, e há mais possibilidade de se dizer não do que dizer sim. E sem o sim, não há harmonia. Sim é harmonia. Mas leva tempo para se desenvolver, amadurecer, chegar a tamanha maturidade onde você possa dizer sim e, contudo, permanecer livre; onde você possa dizer sim e, contudo, permanecer único; onde você possa dizer sim e, contudo, não se tornar um escravo.
A liberdade que é trazida pelo ‘não’ é uma liberdade muito infantil. É boa dos sete até os quatorze anos de idade. Mas se a pessoa fica presa nisso e toda a sua vida se torna um contínuo “não”, então, ela parou de crescer.

O supremo crescimento é dizer “sim” com tamanha alegria como uma criança diz “não”. Essa é uma segunda infância. E o homem que pode dizer “sim” com tremenda liberdade e alegria, sem nenhuma hesitação, sem quaisquer cordas lhe segurando, sem quaisquer condições – uma pura e simples alegria, um puro e simples “sim” –, esse homem se tornou um sábio. Esse homem vive em harmonia novamente. E sua harmonia é de uma dimensão totalmente diferente que a harmonia das árvores, dos animais e dos pássaros. Estes vivem em harmonia, porque não podem dizer “não”, e o sábio vive em harmonia porque ele não diz “não”. Entre os dois, os pássaros e os budas, estão todos os seres humanos – os não-desenvolvidos, imaturos, ainda tentando dizer ‘não’, para ter uma sensação de liberdade.
Eu não estou dizendo ‘não aprenda a dizer não’. Estou dizendo para aprender a dizer “não”, quando for hora de dizer “não”, mas não fique entalado nisso. Devagar, devagarinho, veja que existe uma liberdade mais elevada que vem com o "sim", e uma maior harmonia. Paz que dá lugar à compreensão.(...)

Por milhares de anos você tem permanecido identificado com a mente, tem despejado muita energia nela. Ela segue girando e girando, por meses e anos. Mas se você conseguir permanecer um observador silencioso, um observador na colina, então pouco a pouco a energia, o momento, é perdido e a mente chega a parar.
No dia em que a mente parar, você chegou.

A primeira visão do que é Deus e de quem é você acontece imediatamente, porque uma vez que a mente para, toda a sua energia que tinha permanecido envolvida com ela é liberada. E essa energia é tremenda, é infinita: ela começa a descer em você. É uma grande bênção, é graça.

Os chamados revolucionários seguem fracassando porque eles continuam tentando dar um jeito nas mesmas coisas da mente. Alguém acredita em Deus e daí aparece um revolucionário que diz, 'Não há Deus algum e eu não acredito em Deus'. Mas ele é tão fanático com suas idéias como as pessoas que acreditam em Deus.
Crentes e descrentes, ambos são fanáticos. Uns se apegam ao sim e outros se apegam ao não, mas sim e não, ambos são partes da mente. Você escolhe uma parte e um outro alguém escolhe a outra parte. Um é cristão e o outro é hindu, mas ambos são mentes. Um escolheu a Bíblia e o outro escolheu os Vedas, mas ambos são partes da mente.

Então, quem é realmente religioso? Aquele que não fez escolhas a partir da mente. Você não pode chamá-lo cristão, nem hindu, nem comunista; você não pode chamá-lo teísta nem ateu. Ele simplesmente é. Ele é indefinível. Você não consegue rotulá-lo. Ser é tão vasto que não pode ser rotulado.

Nenhuma palavra é adequada o suficiente para descrever o ser. Em tal vastidão, a liberdade; em tal vastidão, a felicidade."
- Osho em O Livro dos Segredos IV

20 de maio de 2017

Kṣānti - Swami Dayananda



"A palavra sânscrita kṣānti frequentemente é traduzida como "tolerância" ou "capacidade de suportar". Mas essas duas expressões portuguesas trazem um sabor negativo de "sofrimento resignado", quando, ao contrário, kṣānti é uma atitude positiva - não uma resignação dolorosa. Uma tradução melhor seria "acomodação". 

A atitude de kṣānti significa que eu, alegremente, calmamente, aceito aquele comportamento e aquelas situações que não posso mudar. Desisto da expectativa ou exigência pela mudança de outra pessoa ou situação, de forma a se moldar ao que penso ser agradável para mim. Eu me acomodo às situações e às outras pessoas alegremente.

Todos os relacionamentos requerem acomodação

Esse valor deve ser construído a partir da compreensão da natureza das pessoas e dos relacionamentos entre elas. Nunca encontrei numa pessoa todas as qualidades de que gosto ou todas de que não gosto. Qualquer pessoa será uma mistura de coisas que acho interessante e outras que considero desinteressantes. Similarmente, eu terei o mesmo impacto nos outros. Ninguém vai me achar totalmente agradável. Quando reconheço esses fatos, vejo que todos os relacionamentos requerem alguma acomodação da minha parte. Não estarei disposto, ou talvez não serei capaz de mudar ou satisfazer todas as expectativas que o outro tem de mim; tampouco os outros estarão dispostos ou serão capazes de mudar e satisfazer todos os meus critérios em relação a eles. Nunca encontrarei um relacionamento que não requeira acomodação.

Em especial, os relacionamentos que envolvem coisas que fortemente desgosto em alguém requerem acomodação da minha parte. Se eu for capaz de modificar a pessoa, ou se puder colocar uma distância entre mim e ela, sem faltar ao meu dever, tudo estará bem. Mas se não puder fazer isso, simplesmente devo me acomodar alegremente. Ou seja, devo tomar a pessoa como ela é. Não posso esperar que o mundo ou as pessoas mudem. Simplesmente não é possível compelir as pessoas a mudar para satisfazer minha expectativa de como elas deveriam ser. Algumas vezes alguém pode mudar um pouco por mim ou pode tentar mudar, mas não posso contar com isso. Geralmente, quando quero uma mudança nos outros, eles também desejam uma mudança em mim. Teremos, então, um impasse.

Para kṣānti, diminua as expectativas
Quando examinar meus processos mentais, provavelmente verificarei que, para minha surpresa, eu ofereço kshánti mais prontamente para um tolo insuportável do que para meu melhor amigo. Isso porque não espero algo sábio ou inteligente de um tolo; mas espero que meu amigo viva de acordo com certos padrões que considero adequados. Um tolo incorrigível não consegue me desapontar, mas outros, por uma razão ou outra, em algum momento, conseguem. Não deveria ser assim. Minhas expectativas deveriam colocar todos na mesma categoria do tolo incorrigível. Ninguém deveria ser capaz de me desapontar, mas somente capaz de me surpreender. E minha atitude deve ser a de estar preparado para acomodar todas as surpresas possíveis.

Devo acomodar as pessoas como acomodo objetos inertes, isto é, devo tomá-las como são. Eu não gosto de ser queimado pelo Sol, porém não peço ao Sol que pare de brilhar. Aprecio a benção mista de um Sol quente brilhando e entendo que, sendo uma benção mista ou não, não posso desligá-lo. Não peço às abelhas que não tenham ferrão, tampouco odeio as abelhas se, estando no caminho delas, recebo uma picada. Continuo apreciando a função da abelha e aproveito o mel.

Porém, considero ser muito mais difícil ter para com as pessoas a atitude que tenho com os insetos e objetos inertes. Posso me relacionar adequadamente com um objeto inerte ou uma criatura selvagem porque não espero qualquer mudança deles. Mas espero que as pessoas possam mudar para se tornarem mais agradáveis para mim. Mantenho minha mente agitada com exigências contínuas por mudanças de forma que os outros em minha vida sejam mais de acordo com as minhas preferências. De fato, nem os humanos podem ser capazes de mudança.

Freqüentemente não conseguem mudar ou por falta de força de vontade ou por falta de vontade. Quando alguém não consegue mudar ainda que deseje mudar é porque não possui força de vontade. Nada mais há a fazer, a não ser acomodar essa pessoa. Quando uma pessoa não muda porque não deseja tentar a mudança, podemos tentar convencê-la a ter a vontade de se beneficiar de uma mudança. Se não for possível convencê-la, então acomode-a. O que mais se pode fazer?! De qualquer maneira, o mundo é amplo. A variedade torna-o mais interessante. Há espaço suficiente para acomodar a todos.

Responda à pessoa, não à ação

Para descobrir dentro de mim um valor pela acomodação, eu deveria olhar para a pessoa por trás da ação. Geralmente, é quando estou respondendo ao comportamento da pessoa, à sua ação, que acho difícil ser acomodativo. Quando tento entender a causa por detrás da ação, me coloco numa posição de responder à pessoa e não à ação, e então minha resposta para essa pessoa pode ser uma resposta acomodativa. Tento ver o que existe por detrás do súbito ataque de raiva ou da explosão de ciúmes ou da conduta dominadora e respondo à pessoa, e não às ações.

Se não consigo ver o que há por detrás das ações, ainda assim, tenho em mente o fato de que muitas razões desconhecidas por mim armam o palco para qualquer ação por parte da outra pessoa. Com essa disposição de espírito achei natural ser acomodativo. Numa situação onde minha interação é para com a pessoa em vez de para com a conduta, conseguirei me manter calmo. De fato, a dissolução de qualquer discussão entre pessoas é quase sempre o resultado de uma apreciação mútua feita pelas pessoas em vez de uma nova atitude quanto à conduta irrefletida.

Reações mecânicas impedem a acomodação. Para ser livre ao interagir com uma pessoa, devo ser livre de reações mecânicas. Tenho que escolher minhas atitudes e fazer as ações deliberadamente. Uma reação é um tipo de conduta mecânica e não-deliberada. É uma resposta condicionada extraída de experiências anteriores, sem autorização prévia da minha vontade. Na verdade, é uma resposta que não foi avaliada conforme a estrutura de valores que estou tentando assimilar, mas que somente ocorreu. Algumas vezes a minha reação pode ser uma ação ou atitude que, mais tarde, após reflexão, eu aprovaria.

Outras vezes minhas reações podem ser completamente contrárias às atitudes e ações que eu gostaria de manter ou fazer. Reações podem ir contra toda a minha sabedoria, estudo e experiência anterior. Esses fatores são relegados e a reação ocorre. O que aprendi anteriormente torna-se sem valor para mim. Posso ter lido todas as escrituras do mundo, posso ser um ótimo estudante de sistemas éticos, posso ser um profissional diplomado em dar conselhos aos outros, mas quando acontece a reação, essa será exatamente tão mecânica como a de qualquer outro.

Sabedoria, aprendizado e experiência não me servirão de nada. Portanto, até que meus valores éticos se tornem completamente assimilados, estabelecendo uma base a partir da qual atitudes e ações corretas surjam espontaneamente, devo, através da atenção, evitar reações e, ao invés disso, deliberadamente e refletidamente escolher minhas ações e atitudes. Quando evito reações, estou livre para escolher minhas ações e atitudes, posso ser acomodativo em meus pensamentos, palavras e ações.

Kṣānti e ahimsā: qualidades de um santo

Acomodação é uma qualidade bela e santificada. Dentre todas as qualidades, ahimsā e kṣānti constituem as qualidades de um santo. As qualificações mínimas para um santo são essas duas qualidades. Não é preciso ter sabedoria nem é necessário o aprendizado das escrituras para ser um santo, mas a pessoa deve ter esses dois valores. Um santo é uma pessoa que nunca fere conscientemente outra pessoa pela palavra, ação ou pensamento, e que aceita as pessoas - boas ou ruins - exatamente como elas são; que tem uma infinita capacidade de acomodar, perdoar e ser compassivo.

Essas qualidades (acomodação, perdão, compaixão...) estão incluídas na qualidade chamada kṣānti. Um santo sempre é dotado de kshánti - uma capacidade infinita para a compaixão. Ele responde à pessoa, não à ação. Ele vê a ação errada como um erro originário de um conflito interno e é compassivo para com a pessoa que o comete. Uma atitude de kṣānti, acomodação, expande o coração. Esse se torna tão amplo que aceita todas as pessoas e circunstâncias exatamente como elas são, sem desejos ou cobranças de que sejam diferentes. Isso é kṣānti."

Por Swami Dayananda Sarawasti  [fonte aqui]


17 de maio de 2017

Espelho Vazio - Osho


"Uma das coisas mais fundamentais de se lembrar - não só por você, mas por todos - é que: O que quer que você encontre em sua jornada interior, não é você. Você é aquele que está testemunhando - pode ser o nada, pode ser o êxtase, pode ser o silêncio. 

Mas uma coisa tem de ser lembrada - por mais linda e por mais encantadora que seja a experiência que você tenha, ela não é você. Você é aquele que está experienciando, e se você continuar indo adiante, o topo da jornada é o ponto em que não resta mais nenhuma experiência - nem o silêncio, nem o êxtase, nem o nada. Não há nada como um objeto para você, mas apenas sua subjetividade.

O espelho está vazio. Ele não está refletindo nada. Isto é você.

Mesmo os grandes viajantes do mundo interior ficaram presos em lindas experiências e se tornaram identificados com aquelas experiências, pensando: "Eu me encontrei." Elas pararam antes de alcançar o estágio final, onde todas as experiências desaparecem.

A iluminação não é uma experiência. Ela é um estado no qual você é deixado absolutamente só, sem nada para conhecer. Nenhum objeto, por mais lindo que seja, está presente. Somente neste momento, sua consciência, desobstruída de qualquer objeto, dá uma virada e volta à sua fonte.

Isso se torna a realização-de-si-mesmo. Torna-se iluminação.

Preciso recordar-lhes acerca da palavra 'objeto'. Todo objeto significa uma obstrução. O próprio significado da palavra é obstrução, objeção.

Assim, o objeto pode estar fora de você, no mundo material; o objeto pode estar dentro de você, no seu mundo psicológico; os objetos podem estar no seu coração, nas suas sensações, emoções, no seus sentimentos, estados de humor. E os objetos podem estar até mesmo no seu mundo espiritual. E eles são tão extasiantes que a pessoa não pode imaginar que possa haver mais. E muitos místicos do mundo pararam no êxtase. É um espaço lindo, um espaço fantástico, mas eles ainda não chegaram em casa.

Quando você chega a um ponto em que todas as experiências estão ausentes, em que não há nenhum objeto, aí então a consciência, sem nenhuma obstrução, se move em um círculo - na existência, tudo se move em um círculo, se não houver obstrução - ela vem da mesma fonte do seu ser e começa a circular. Não encontrando nenhum objeto - ela retorna., E o próprio sujeito se torna o objeto.

Isto é o que J. Krishnamurti viveu repetindo por toda vida: quando o observador se torna o observado, saiba que você chegou em casa. Antes disso, há milhares de coisas pelo caminho. O corpo oferece suas próprias experiências, que se tornaram conhecidas como as experiências dos centros da kundailni; os sete centros se tornam as sete flores de lótus. Cada uma é maior que a outra, e mais alta, e a fragância é intoxicante. A mente lhe dá grandes espaços, ilimitados, infinitos. Mas lembre-se da máxima fundamental de que o lar ainda não chegou.

Desfrute a jornada e desfrute todas as cenas que acontecem durante a jornada - as árvores, as montanhas, as flores, os rios, o sol e a lua e as estrelas - mas não se detenha em nenhum lugar, a menos que a sua própria subjetividade se torne o seu próprio objeto. Quando observador é o observado, quando o conhecedor é o conhecido, quando aquele que vê é aquilo que é visto, o lar chegou.

Este lar é o templo verdadeiro pelo qual estivemos buscando durante vidas seguidas, mas nós sempre nos desviamos. Nós ficamos satisfeitos com lindas experiências.

Um buscador corajoso tem de deixar todas essas lindas experiências para trás, e continuar indo adiante. Quando todas as experiências são exauridas e somente ele mesmo permanece na sua solitude... nenhum êxtase é maior do que este, nenhuma bem-aventurança é mais abençoada, nenhuma verdade é mais verdadeira. Você entrou naquilo que eu chamo de divindade, você se tornou um deus.(...)

Você está dormindo e está na hora de acordar.
Todas essas experiências são experiências de uma mente adormecida.
A mente acordada não tem absolutamente nenhuma experiência."

- Osho em Ma Tzu, O Espelho Vazio.
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